Caixa Seguridade (CXSE3): reserva de ações termina hoje

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Mais um IPO (Oferta Pública Inicial) bilionário está previsto para acontecer este mês. A Caixa Seguridade (CXSE3), que deve estrear na Bolsa de Valores em 29 de abril, pode arrecadar mais de R$ 6,5 bilhões em sua estreia no mercado. Nesta segunda-feira, se encerra o período de reserva de ações da companhia.

A novata na Bolsa chega para competir no mercado de seguros com empresas como BB Seguridade (BBSE3), Porto Seguro (PSSA3) e Sul América (SULA11).

Braço de seguros da Caixa Econômica Federal, a Caixa Seguridade iniciou suas atividades em 2015 com foco em diversos tipos de seguros.

Vamos conhecer a fundo esta empresa que está prestes a estrear na Bolsa?

A história da Caixa Seguridade

A Caixa Seguridade Participações é uma empresa controlada pela Caixa Econômica Federal.

A companhia oferece seguros nos ramos Habitacional, Prestamista, Vida e Residência, dentre outros, tendo suas atividades desenvolvidas principalmente por parcerias de bancassurance, preponderantemente Caixa.

A Caixa é o maior banco brasileiro em número de clientes, com 115,4 milhões de correntistas, conforme data base do Bacen referente a março de 2020, e líder no mercado de crédito imobiliário brasileiro e crédito pessoa física.

Como braço de seguridade da Caixa, a Caixa Seguridade é o terceiro maior grupo segurador do país e líder absoluto no ramo de seguros habitacionais com participação de mercado de 61,7%, de acordo com dados publicados pela SUSEP.

A empresa concentra desde 2015 todas as atividades da Caixa em seguridade, o que permitiu um avanço de participação de mercado de 5,4%, em 2015, para 10,7% em 2019. Nos últimos dois anos, a Caixa Seguridade foi a empresa que mais cresceu em participação de mercado, saindo da 5ª para 3ª posição em valor de prêmios emitidos (conforme dados da SUSEP de junho/20).

Sua posição de destaque no mercado brasileiro de seguros é baseada na exclusividade de acesso à Rede de Distribuição da CAIXA, garantido pelo Contrato de Outorga e Acordo Operacional, descrito no item 7.9 do Formulário de Referência incorporado por referência a este Prospecto.

Há também as Unidades Lotéricas e Correspondentes Caixa Aqui com grande possibilidade de aumento de vendas de produtos de seguridade, canais ainda não explorados em todo seu potencial.

Segundo a empresa, ainda que com a significativa vantagem competitiva e o crescimento alcançado em seguridade nos últimos anos, é “evidente o potencial de crescimento da Caixa Seguridade neste mercado, uma vez que possui 11,5 milhões de clientes, representando 9,9% da base de clientes”.

Os negócios da empresa

O grupo Caixa Seguridade é atualmente formado pela Caixa Seguros e suas participações, e pela Caixa Holding que é acionista na Too Seguros e na PAN Corretora.

Com a consumação da reorganização societária em 2021, a companhia pretende atuar através de quatro grandes blocos de empresas/atividades:

Seguros de vida e prestamista e produtos de previdência complementar: em 19 de setembro de 2019, a companhia celebrou com seu atual sócio, a CNP, um aditivo ao acordo existente para formação de uma nova sociedade (joint venture), da qual a companhia deterá 60% do capital e a CNP 40% (sendo a CNP a detentora de 50,01% das ações ordinárias), para a exploração, em regime de exclusividade, dos ramos de seguros de vida e prestamista e de previdência complementar na Rede de Distribuição da Caixa;

Seguro habitacional e residencial: em 6 de janeiro de 2020, a companhia celebrou com o grupo segurador japonês Tokio Marine um acordo para a formação de uma nova sociedade (Parceria Habitacional e Residencial), da qual deterá 75% do capital e a Tokio Marine os restantes 25% (sendo a Tokio Marine a detentora de 50,01% das ações ordinárias), para a exploração, em regime de exclusividade, dos ramos de seguros habitacional e residencial na Rede de Distribuição da Caixa;

Capitalização: em 20 de janeiro de 2020, a companhia e a Icatu Seguros celebraram um acordo formalizando a formação de uma nova sociedade, da qual a companhia deterá, por meio de sua subsidiária Caixa Holding, 75% do capital e a Icatu os restantes 25% (sendo a Icatu detentora de 50,01% das ações ordinárias), para a exploração, em regime de exclusividade, do ramo de capitalização na Rede de Distribuição da Caixa;

Demais negócios: faz parte da estratégia da Caixa Seguridade concentrar suas atividades nos ramos de Consórcios, Grandes Riscos e Massificados PJ e Serviços Complementares de Assistência4 em novas companhias (NewCos). A empresa procurará também estabelecer parcerias comerciais para distribuir, com exclusividade, produtos de: seguro saúde; seguro odontológico; e seguro de automóveis.

Estrutura de negócios da Caixa Seguridade

Histórico financeiro da Caixa Seguridade

A Caixa Seguridade registrou R$ 39,1 bilhões de faturamento em 2020. O market share da empresa foi de 13,5%.

O lucro líquido da empresa cresceu 9,1% de 2017 para 2018, 19,5% de 2018 para 2019, e 5,2% para 2020. O lucro do ano passado foi de R$ 1,76 bilhão.

No quarto trimestre de 2020, a Caixa Seguridade obteve faturamento de R$ 12,6 bilhões. Ou seja, crescimento de 33,2% frente ao mesmo período de 2019.

Hoje a maior parte da receita da empresa é originada do resultado de equivalência patrimonial, que corresponde a 58,7% da receita total. Os outros 41,3% da receita é originado por meio do uso da marca Caixa.

A companhia tem como expectativa um crescimento de resultado nos próximos anos como consequência de: aumento da penetração do mercado de seguros brasileiro; aumento da penetração na base de clientes da Caixa, ainda pouco explorada; e, como resultado da reorganização societária, aumento de participação societária nos seus negócios e de maior comissionamento.

Detalhes da oferta

A empresa fará uma oferta pública exclusivamente secundária. Ou seja, as 450.000.000 de ações serão vendidas e o todo o valor arrecadado irá para o caixa da companhia.

A quantidade total das ações poderá ser acrescida em até 15%, ou seja, até 67.500.000 ações no lote suplementar.

O preço de aquisição por ação está situado entre R$ 9,33 e R$ 12,67.

Considerando o preço médio de R$ 11, a empresa pode captar R$ 4,95 bilhões. Considerando o preço máximo, o IPO da Caixa Seguridade pode chegar a R$ 5,7 bilhões. Já considerando o lote suplementar, o valor pode saltar para R$ 6,5 bilhões.

O valor mínimo de reserva é R$ 1 mil e o máximo é R$ 1 milhão.

A empresa quer ser listada no Novo Mercado, mais alto grau de governança da B3.

A precificação será em 27 de abril e a estreia na Bolsa será em 29 de abril. A empresa será listada sob o código CXSE3.

O IPO foi apresentado à CVM em 2 de março de 2021, após a empresa ter suspendido por duas vezes no ano passado seu primeiro pedido de estrear no mercado de ações.

O Banco Morgan Stanley (Coordenador Líder), a Caixa, o Bank of America, o Credit Suisse (Brasil), o Banco Itaú BBA e o UBS Brasil fazem parte da operação, que terá esforços de colocação das ações no exterior.

Pontos fortes destacados pela empresa

  • Com a reorganização societária, as participações da Caixa Seguridade nos negócios sobem dos atuais 48,2% para 60% dos direitos econômicos (capital total) na parceria de Vida, Prestamista e Previdência e para 75% para as parcerias de Habitacional e Residencial e Capitalização;
  • Acesso, em regime de exclusividade, à maior rede de distribuição de produtos bancários do Brasil: a Rede de Distribuição da Caixa. Em 31 de dezembro de 2019, a Caixa possuía relacionamento com 103 milhões de clientes, dos quais 3 milhões de pessoas jurídicas e 100 milhões de pessoas físicas, o que representa aproximadamente 49% de toda a população brasileira. A Rede de Distribuição da Caixa é a maior do país em pontos de venda, conforme dados do Bacen;
  • Elevado potencial de aumento na penetração de produtos de seguridade na base de clientes da Caixa e Cross-Selling. Da base total de R$ 115,4 milhões de clientes da Caixa, somente 11,5 milhões possuem produtos de seguridade da companhia;
  • Parcerias estratégicas com seguradoras de qualidade mundial, líderes em seus respectivos ramos de atuação. Seus atuais parceiros assumiram, em conjunto, um compromisso de pagar aproximadamente R$8,7 bilhões para o estabelecimento de novas parcerias a partir de 2021;
  • Previsibilidade de receitas, baixo risco de subscrição e alta capacidade de distribuição de proventos. “A Companhia oferece produtos de elevada duração, alta taxa de renovação e recorrência de comissões, o que contribui para uma geração de receitas estável, previsível e resiliente a ciclos econômicos”, diz a empresa.

Principais fatores de risco

  • A Caixa Seguridade pode não ser capaz de manter e estabelecer novos acordos com parceiros e fornecedores estratégicos, o que pode afetar adversamente sua situação financeira, econômica e patrimonial e os seus resultados operacionais;
  • A companhia poderá se deparar com riscos relacionados aos efeitos advindos das operações de constituições, incorporações, fusões, aquisições, desinvestimentos e parcerias, realizadas diretamente ou por meio de suas participadas;
  • A pandemia do coronavírus e a consequente desaceleração econômica e volatilidade nos mercados financeiros e de capitais tiveram e provavelmente continuarão a ter efeitos adversos graves nos negócios, condição financeira, liquidez e resultados operacionais nas unidades de negócios da Caixa Seguridade e suas investidas.

Cronograma do IPO da Caixa Seguridade

Cronograma IPO Caixa Seguridade