Com receita fraca e dados de e-commerce positivos, o GPA – Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) reportou conjunto fraco de resultados no 2TRI21, segundo análise do BTG Pactual (BPAC11).
Na operação brasileira, a receita líquida ficou em R$ 6,6 bilhões, queda de 9,7% a/a e 2% abaixo da projeção, com SSS (vendas nas mesmas lojas) caindo 10,5% a/a (320 bps abaixo de da expectativa), ou -1,8% a/a ex- efeitos da Covid.
Hipermercados e a bandeira Pão de Açúcar foram os destaques negativos, apresentando retrações de SSS de 22% e 12% a/a, respectivamente, enquanto as vendas de e-commerce do GPA cresceram 32% a/a para R$ 428 milhões, atingindo 8,2% das vendas do varejo alimentar total (vs. 5,6% no 2T20).
A entrega expressa e o click-and-collect (no mesmo dia) representaram 41% do total das vendas online, enquanto a última milha (hora seguinte) representou 33% e a entrega tradicional (dia seguinte) 26%.
Enquanto isso, as vendas do Grupo Éxito alcançaram R$ 5,9 bilhões (alta de 1,3% a/a e + 1,7% em moeda constante), com SSS crescendo 1,5% a/a.
O destaque negativo veio da operação na Colômbia, enquanto negócios complementares como royalties do cartão de crédito da Tuya e a divisão imobiliária ajudaram no desempenho trimestral.
Em uma base consolidada (incluindo Éxito), a receita líquida da GPA foi de R$ 11,9 bilhões, queda de 5,3% a/a (ou + 7,7% em relação ao 2T19) e em linha com o BTG.
Ebitda ajustado do GPA 10% abaixo da projeção
Para a divisão Multivarejo da GPA, a margem bruta diminuiu 10 bps a/a e ficou 20 bps abaixo da estimativa.
Enquanto isso, as despesas de vendas, gerais e administrativas (como % da receita) caíram 80 bps a/a, ajudadas por iniciativas para aumentar a produtividade nas lojas e CDs e uma redução nas despesas das lojas.
Como resultado, o EBITDA ajustado do Multivarejo foi de R$ 548 milhões (2,7% acima da projeção, mas 2,7% abaixo a/a), enquanto a margem EBITDA atingiu 8,3% (aumento de 60 bps a/a).
Em bases consolidadas (incluindo o Grupo Éxito), o EBITDA atingiu R$ 899 milhões (10,3% abaixo da projeção do BTG e 7,7% abaixo a/a), com uma margem EBITDA de 7,6% (vs. 7,8% no 2T20).
Momentum operacional de curto prazo mais fraco
Os resultados do GPA mostraram uma tendência mais fraca de receita (mas esperada) no trimestre, com desempenho inferior ao de seus principais pares listados no Brasil, limitando assim um potencial de valorização de curto prazo, analisa o BTG.
“Embora vejamos menos espaço para o GPA expandir sua área de vendas e margens no Brasil nos próximos anos após a cisão da CBD, o potencial positivo em nosso modelo consolidado ainda depende do valuation por Soma das Partes dos diversos ativos do balanço (com destaque para Almacenes Éxito e CNova)”, afirmam os analistas.
A recomendação é de compra e o preço teto é de R$ 47.