BIBB39: saiba como investir em empresas de biotecnologia

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

A luta contra o coronavírus trouxe as empresas de biotecnologia para os holofotes em 2020. E, quando falamos de investimentos, o setor também foi favorecido. Basta ver a valorização do Nasdaq Biotecnology Index (NBI), cuja alta acumulada foi de 25,7% no ano passado.

Por aqui, a novidade é que já é possível investir em empresas de biotecnologia norte-americanas. Isso porque o BIBB39 – o BDR de EFT que segue o índice NBI – já está disponível para o investidor pessoa física.

Simule seus investimentos com um especialista e confira as melhores opções de acordo com seu perfil

A seguir, saiba o que é o BIBB39, e entenda como funcionam os BDRs de ETFs.

BIBB39: como funciona esse investimento?

Antes de mais nada, é bom lembrar que os BDRs e os ETFs são investimentos novos para o público em geral. Isso porque eles foram autorizados para o pequeno investidor somente em outubro do ano passado. Desde então, o volume de negociação de ambos aumentou na bolsa de valores, porém ainda não chegam perto das ações e de outros ativos de renda variável negociados na B3.

Por isso, essas modalidades ainda geram algumas dúvidas entre os investidores. Uma delas é justamente a finalidade de um BDR de ETF. Afinal, se ambos estão disponíveis, por que não investir nesses ativos separadamente?

Para explicar isso, vale a pena lembrar do conceito de ambos, sobre os quais já falamos aqui no site. Confira a seguir.

BDRs

Os Brazilian Depositary Receipts são títulos que representam ações de empresas estrangeiras, mas são negociados na bolsa de valores brasileira. Em muitos casos, os BDRs não representam propriamente uma ação dessas companhias, mas uma parte do título. Por isso, quando adquire um BDR, o investidor passa a ter alguns direitos conferidos aos acionistas. Um deles é o recebimento de dividendos, desde que a empresa lá fora tenha essa política de distribuição de lucros.

Embora sejam cotados em moeda estrangeira e acompanhem o desempenho das empresas que representam, os BDRs são negociados em reais. Logo, estão sujeitos à legislação financeira e tributária brasileira.

ETFs

Já os Exchange Traded Funds (também chamados de “fundos de índices”) são fundos que replicam determinado indicador do mercado financeiro. Assim como o BDR, esse investimento também se tornou mais popular, à medida que o seu lote mínimo obrigatório foi reduzido nas negociações.

Outro ponto positivo do ETF é a sua simplicidade. Isso porque, para investir nesses fundos, basta adquirir cotas, que também são negociadas na bolsa de valores. Por fim, as taxas de administração normalmente mais baixas dos ETFs em comparação a alguns outros fundos de investimento também são um bom atrativo.

BIBB39 e o Nasdaq Biotecnology Index (NBI).

Como vimos no início, o BIBB39 é um BDR de ETF que acompanha a variação do Nasdaq Biotecnology Index (NBI).

Por sua vez, esse índice é composto por mais de 200 ações de empresas dos setores de biotecnologia e farmacêutico. De janeiro de 2020 a 30 de abril de 2021, o NBI registrou alta acumulada de 28,5%.

Em abril de 2021, as empresas Recursion (RXRX), Akoya Biosciences (AKYA) e Biomea Fusion (BMEA) estrearam na Nasdaq chamando muita a atenção de investidores. Nesse sentido, a Recursion viu seus papeis subirem quase 80% durante o pregão, apesar dos elevados prejuízos que apresentou em 2020 e 2019.

Outras características do BIBB39

O BIBB39 corresponde ao ativo norte-americano IBB, que, historicamente, paga 0,15 ao ano de dividendos. Logo, esse BDR de ETF também distribui essa mesma proporção de dividendos.

Cabe lembrar que esses dividendos chegam ao investidor já com algumas deduções. Em relação à tributação, há desconto de 30% (conforme legislação dos EUA) e incidência de 0,38% de IOF. Além disso, também é cobrada tarifa de 3% pelo Banco B3, depositário da maioria dos BDRs.

Por fim, o BIBB39 possui taxa de administração de 0,46% ao ano. A gestora do ativo é a BlackRock.

Afinal, vale a pena investir em BDRs de ETFs?

No início de maio, estrearam mais 26 novos BDRs de ETFs na bolsa de valores brasileira. A iniciativa foi uma parceria da B3 com a BlackRock, maior gestora mundial de recursos. Além de BDRs de ETFs que acompanham o dólar norte-americano, a nova lista traz ativos da China, Canadá, Austrália, Suíça, França e economias emergentes.

Atualmente, já são 65 BDRs de ETFs oferecidos pela BlackRock no Brasil. Desse total, já existem 23 que podem ser adquiridos por pequenos investidores brasileiros.

Uma das principais vantagens desses ativos é a diversificação acessível que proporcionam ao portfólio. Isso porque tanto os BDRs quanto os ETFs são boas alternativas para diversificar os ativos em moedas estrangeiras. No entanto, se decidir adquirir diretamente BDRs, o investidor terá mais custos e não conseguirá a mesma diversificação com menos recursos que teria se investisse em um BDR de ETF.

Além disso, nem todos os ETFs internacionais estão disponíveis na B3. Dessa forma, só é possível acessar alguns desses ativos por meio dos BDRs. Isso faz com que os BDRs de ETFs sejam uma boa alternativa para quem quer diversificar a carteira de forma simples e mais acessível.

Aqui no blog, já falamos algumas vezes sobre a importância da diversificação em moeda estrangeira como forma de mitigar o risco-país dos investimentos. E, com a pandemia, isso ganha força ainda maior. Ou seja, os países que avançam na vacinação começam a abrir vantagem sobre os mais atrasados nesse processo em relação à retomada econômica. Dessa forma, torna-se mais importante ainda avaliar os benefícios da exposição a moedas fortes.

E quanto ao segmento de biotecnologia?

Embora a biotecnologia tenha ganhado destaque por causa da pandemia, é preciso ficar atento para algumas peculiaridades importantes do setor.

Elias Wiggers, assessor de investimentos da EQI, aponta a volatilidade como uma das principais. Isso porque o setor depende de incentivos fiscais e alto investimento, e é ainda pouco representativo em comparação a outros mais consolidados. Segundo Elias, apesar do alto potencial de valorização dessas empresas, esses fatores fazem com que não se tenha ainda um histórico consistente em relação a elas. Por isso, trata-se de um segmento que demanda bastante cautela por parte dos investidores.

Cases da Bolsa

Aprenda análise fundamentalista de ações na prática, com maiores cases já criados na B3