Selic: ata do Copom aponta discussão sobre reduzir grau de estímulo

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou nesta terça-feira (26) sua ata da última reunião, a 236ª e primeira de 2021, realizada dias 19 e 20 de janeiro.

No documento, o comitê reafirma a decisão de manter a taxa básica de juros, Selic, em 2%. Mas revela que alguns membros já levantaram questionamentos durante esta reunião sobre o início de um “processo de normalização da política monetária, reduzindo o grau extraordinário dos estímulos”.

No Boletim Focus de ontem, o mercado já elevou as expectativas para a Selic, ao final deste ano, de 3,25% da semana passada para 3,50%, e para o ano que vem de 4,5% para 5%.

Na mesma reunião do Copom também ficou decidida a retirada do forward guidance. Segundo o Copom, a ferramenta seria mantida desde que a inflação se mantivesse dentro da meta, no curto e longo prazo, e o regime fiscal não fosse alterado. No entanto, a inflação não se comportou como esperado pelo comitê.

“O Copom avalia que as condições deixaram de ser satisfeitas já que as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estão suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária (2021 e 2022). Como consequência, o forward guidance deixa de existir e a condução da política monetária seguirá, doravante, a análise usual do balanço de riscos para a inflação prospectiva”, afirma.

Alta das commodities explica inflação

O Copom diz que as diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se em níveis acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação. Mas, no entanto, segue apontando que a elevação de preços é temporária e impulsionada pela alta das commodities.

“A recente elevação no preço de commodities internacionais e seus reflexos sobre os preços de alimentos e combustíveis implicam elevação das projeções de inflação para os próximos meses. Apesar da pressão inflacionária mais forte no curto prazo, o comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários, ainda que tenham se revelado mais persistentes do que o esperado. Assim, o Copom segue monitorando sua evolução com atenção, em particular as medidas de inflação subjacente”.

Copom: Retirada do forward guidance não implica em subida da Selic

O comitê ressalta ainda que o fim do forward guidance não implica mecanicamente uma elevação da taxa de juros. Isto porque a conjuntura econômica continua a prescrever, neste momento, “estímulo extraordinariamente elevado frente às incertezas quanto à evolução da atividade econômica”, afirma.

E diz que a incerteza sobre o ritmo do crescimento deve permanecer acima da usual, especialmente no primeiro trimestre, com os efeitos do fim do auxílio emergencial.

Copom: nova cepa de coronavírus demanda atenção, mas vacina anima

O comitê afirma que, no exterior, novas cepas de coronavírus e o avanço das contaminações devem afetar atividade no curto prazo, mas novos estímulos e vacina devem trazer recuperação sólida no médio prazo.

Os novos estímulos também trazem cenário positivo para países emergentes, Brasil incluso, disse o comitê.

Reformas e ajustes da economia são fundamentais

Por fim, o Copom ressalta que o processo de reformas e os ajustes necessários na economia brasileira são essenciais para permitir a recuperação sustentável da economia.

“Questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, alerta.

Os encontros do Copom para definir a Selic acontecem de 45 em 45 dias. O próximo encontro será em 16 e 17 de março.

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