A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (10), mostra que o aperto na política monetária pode ser maior. Um dos principais aspectos são os riscos inflacionários e o motivo é segurar um aumento maior.
Para o BTG Pactual (BPAC11), a cúpula sinalizou que elevará a taxa juros para patamar acima do considerado neutro. Com isso, se descola do comunicado anterior, no qual informava um ciclo de alta ao nível neutro – entre 6,5% ao ano (a.a.) e 7% a.a.
Para o banco de investimentos, o documento demonstra que o ritmo de crescimento dos preços está surpreendendo negativamente. Além disso, as expectativas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2022 podem ser contaminadas, caso a política monetária fique em grau estimulativo.
O relatório do BTG lembra que as expectativas de inflação do Top 5 do Boletim Focus já apontam uma alta de 3,99% para o próximo ano.
Ata do Copom: inflação continua mais persistente
O relatório do BTG avaliou também que, no âmbito do IPCA, a inflação ao consumidor continua se relevando mais persistente.
Caso os ajustes não sejam concretizados ou sejam aprovados de maneira desidratada, podem levar a diminuição de arrecadação e a deterioração do cenário fiscal, avalia o BTG.
Elias Wiggers, assessor de investimentos e sócio da EQI Investimentos, que a ata deixa claro que é o IPCA que provoca o ajuste mais forte nos juros.
Com isso, busca-se evitar que as projeções de inflação para os próximos anos se contaminem com o quadro atual, explicou ele.
Para o Haitong, porém, a ata reforça uma taxa de juros neutra. De acordo com matéria do Broadcast, o tom do BC não foi mais hawkish e nem dovish. Porém, foi enterrada a chance de um alta mais suavizada da Selic.
E os investimentos, como ficam?
Wiggers avalia que juros maiores significam que a renda fixa pós-fixada pode voltar a ficar mais atraente. Isso porque este pode entregar uma rentabilidade de 6% a 7% ao ano e vinha entregando 2% ao ano.
Daí, pode ocorrer uma migração de investimentos em renda variável para a renda fixa. Isto para sair do risco e garantir um resultado acima na casa entre 5% e 6% ao ano.
Aumentos para segurar a inflação
Na ata de sua última reunião, o Copom justifica o avanço mais agressivo da taxa de juros – de 1 ponto porcentual, ante 0,75 dos três aumentos anteriores -, como uma medida para assegurar as metas de inflação para 2022 e 2023 (em menor medida).
“As diversas medidas apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação”, afirma o Copom.
IPCA
Já o IPCA, indicador oficial de inflação do país, acelerou para 0,96% em julho, acima da projeção de 0,94% e acima da leitura anterior, que foi de 0,53%.
Os preços da energia elétrica são apontados pelo IBGE como explicação para a alta. Este é o maior resultado para o mês desde 2002. A alta do IPCA é de 4,76% no ano e de 8,99% nos últimos 12 meses.
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