Após acordo com Cielo (CIEL3), Elo negocia compra da sua marca e prepara oferta

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Cielo

Após acordo com Cielo (CIEL3), no qual a administradora de maquininhas de cartão cedeu todos direitos de softwares à Elo, por R$ 380 milhões, a Elo vai adquirir a própria marca, hoje pertencente à Elopar, holding que controla a empresa, por cerca de R$ 400 milhões, e terá sua estrutura acionária revista, conforme informou o Estadão.

Essas iniciativas abrem caminho para uma abertura de capital da companhia.

O objetivo é listar a Elo no exterior, possivelmente na Nasdaq, bolsa de empresas de tecnologia, em busca de um valor mais robusto para o ativo, segundo fontes ouvidas pelo Estadão.

Após meses de discussões, os acionistas da Elo (Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, além da holding que a controla) tiveram uma reunião ontem (31) para definir questões sensíveis.

Os principais pontos que atravancavam a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) já teriam sido resolvidos, segundo Estadão.

Agora a companhia precisa decidir quanto ao novo CEO. Além da marca, os sócios também teriam debatido outros pontos como a abertura de capital no exterior, e ainda o controle da Elo, hoje detido pela Elopar.

Participações

O segundo ponto é parte do rebalanceamento das fatias dos bancos acionistas, um dos assuntos mais espinhosos e que opunha os sócios até então.

Hoje, a bandeira é controlada pela Elopar, que tem o Bradesco, com 50,01% do capital, e o BB, com 49,99%, como sócios. Por sua vez, a holding detém 56,96% da Elo, enquanto o Bradesco tem outros 6,14%, e a Caixa possui uma participação de 36,88%.

Na estrutura acionária proposta, as participações de cada sócio serão recalculadas considerando o volume de cartões emitidos pelos bancos nos últimos quatro anos.

Dessa forma, a Caixa ganha participação, elevando sua fatia de cerca de 37% para 41,5%.

Já o Bradesco terá 30,5% ao todo, e o Banco do Brasil, pouco mais de 28%, segundo duas fontes ouvidas pelo Estadão. BB e Bradesco ficarão com fatias menores do que as que possuem atualmente, levando em conta a fatia detida por meio da holding Elopar.

No entanto, existe a discussão quanto ao controle, com a possibilidade de ambos os bancos passarem a deter participações diretas na Elo.

Mas, este caminho seria seguido apenas para depois do IPO, afirma uma fonte ao Estadão. Até porque agora isso não seria possível, explica outra, uma vez que dois dos sócios da Elo são bancos públicos. Assim, o movimento poderia “estatizar” a empresa.

Em contrapartida, os sócios chegaram a um consenso para que a Elo adquira a própria marca, antes detida pela Elopar.

Nessa transação, Bradesco e Banco do Brasil são beneficiados, recebendo recursos por meio da holding.

Além disso, compensam parte da perda de participação por conta da revisão acionária, em que a Caixa levou a melhor diante do reforço da sua base de cartões Elo nos últimos anos, além do empurrão com o pagamento do auxílio emergencial, no ano passado.