Teste de impairment: para que serve e qual a sua importância?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Canva

Talvez a palavra impairment não lhe seja familiar, mas certamente ela já fez parte da sua vida.

Digamos que você tenha comprado um carro zero quilômetro por R$ 50 mil. Porém, meses depois, esse mesmo veículo foi relançado no mercado pelos mesmos R$ 50 mil, mas com mais opcionais e melhor desempenho.

Nessa situação, não faz sentido que você continue lançando o seu carro na contabilidade pelo preço que pagou. Isso porque o lançamento do novo modelo fez com que ele perdesse o valor original. Logo, se você fosse vendê-lo hoje, não conseguiria os R$ 50 mil, certo?

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É nesses momentos que o teste de impairment deve ser feito, pois ele é uma boa métrica para analisar o valor dos ativos.

Vejamos como isso funciona:

O que é o teste de impairment?

O exemplo acima serve também para alguns ativos de uma empresa.

Segundo a contabilidade, um ativo deve ser registrado pelo valor de realização, ou seja, pelo que efetivamente ele pode render quando for vendido. Dessa forma, o teste de impairment verifica se ocorreu perda no valor dos ativos de uma empresa.

De forma mais técnica, o teste de impairment mostra se o valor contábil dos ativos da companhia é maior do que o seu valor recuperável. Entende-se por valor recuperável o maior valor entre o valor justo líquido de despesas de vendas e o valor em uso.

E o que são valor justo e valor em uso?

O valor justo é o mais utilizado para bens tangíveis. Ele representa o que a empresa receberia pelo ativo se quisesse vendê-lo, já com a dedução das despesas de vendas. Logo, esse valor é definido pelas condições atuais de mercado.

A forma de cálculo é bem simples e direta. Se a empresa vendeu um bem a R$ 10 mil e gastou R$ 2 mil com a transação, o valor justo desse bem é de R$ 8 mil.

Por outro lado, o valor em uso é obtido pela metodologia de fluxo de caixa descontado.

Nesse caso, é feita uma projeção das entradas e saídas de caixa decorrentes do uso do bem por um determinado período. Para isso, é aplicada uma taxa de desconto própria para trazer esse fluxo ao valor presente.

O cálculo do valor em uso é mais complexo do que o do valor justo. Essa metodologia é mais utilizada para bens intangíveis, como softwares, ou para avaliar equipamentos de fabricação própria.

Os dois métodos podem ser utilizados pela empresa?

Normalmente, a empresa escolhe um dos métodos para testar os seus ativos. Isso porque a aplicação dos dois demandaria mais tempo e dinheiro.

Entretanto, se ela escolher utilizar os dois métodos, quando o teste for aplicado deverá ser escolhido o que originou o maior valor. Isso porque, conforme a Resolução 1.292/2010, o valor recuperável de um ativo será o maior entre o valor justo e o valor em uso.

Em quais ativos o teste de impairment deve ser aplicado?

Segundo a legislação, os ativos sujeitos ao impairment são os seguintes:

– aplicações financeiras;

– bens do ativo intangível;

– imóveis, quando não contabilizados por valor justo;

– bens do ativo imobilizado.

As empresas são obrigadas a fazer o teste de impairment?

Nem todas. A partir de 31 de dezembro de 2018 o teste de impairment se tornou obrigatório somente para as companhias com ativo total superior a R$ 240 milhões ou receita bruta anual acima de R$ 300 milhões no exercício anterior. Nesse sentido, as regras se aplicam tanto às sociedades anônimas quando às de responsabilidade limitada.

No entanto, em algumas ocasiões específicas, as empresas menores também deverão realizar o impairment. Algumas delas são as seguintes:

– quando ocorrer a venda de parte dos ativos;

– quando algum desses ativos ficar obsoleto ou sofrer depreciação acelerada;

– quando a empresa declarar falência.

Revisão do teste de impairment

Caso haja sinais de alteração no valor justo de um ativo, a empresa pode revisar o teste de impairment. De acordo com a norma 01 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC 01), o valor do ativo pode ser aumentado até o limite do custo de aquisição contabilizado. Ou seja, o valor registrado nunca poderá ser superior ao inicial, somente poderá ser revertida a perda.

Sempre que achar necessário, a empresa pode realizar a revisão e reversão do teste. No entanto, para fins de padronização, é sugerido que seja refeito somente se houver fortes indícios de alteração do valor justo, ou no final de cada exercício.

Conclusão

Além de ser uma obrigatoriedade para as empresas de capital aberto, o teste de impairment é uma importante ferramenta para ajustar o balanço patrimonial à realidade. Nesse sentido, ele facilita a contabilidade da empresa, pois demonstra com fidedignidade a real situação financeira dos negócios.

Além disso, ao proporcionar mais transparência às informações, facilita a gestão patrimonial e orçamentária da organização. E isso é muito importante tanto para os acionistas quanto para os investidores.

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