Secretária do Tesouro dos EUA prevê alta dos juros no país

Paulo Amaral
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O Federal Reserve (Fed) manteve as taxas de juros próximas de zero em sua última reunião, mas o cenário poderá ter que mudar eventualmente nos Estados Unidos.

Quem revelou isso foi Janet Yellen, secretária do Tesouro dos EUA, durante evento promovido pela The Atlantic, nesta terça-feira (4).

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De acordo com a integrante do governo Joe Biden, a alta poderá ser necessária para “evitar que um sobreaquecimento da economia” aconteça no país.

“Mesmo que os gastos adicionais sejam relativamente pequenos para o tamanho da economia, isso poderia causar alguns aumentos muito modestos nas taxas de juros”, disse Yellen, que também é ex-presidente do Federal Reserve (Banco Central americano).

Juros baixos só no futuro dos EUA

Apesar da declaração pesada, Janet Yellen deixou claro que a possível mudança nas taxas de juros não é algo imediato.

Segundo ela, o Tesouro vem trabalhando para manter o déficit em um nível “gerenciável”, e pretende mantar as taxas zeradas, ou próximas de zero, “por um bom tempo”.

A secretária opinou também sobre o novo plano do presidente Joe Biden, de aumentar a alíquota de impostos corporativos, e foi direta.

“Taxas tributárias marginais têm menos influência sobre o crescimento do que muitos pensavam”, concluiu.

Presidente do Fed diz que situação está melhorando

A economia dos EUAs está melhor, mas “ainda não fora de perigo”, de acordo com o chair do Federal Reserve, Jerome Powell. O comentário, feito na segunda (3) se baseia numa amostra de um estudo do banco central. O documento aponta o golpe desproporcional sofrido por pais e trabalhadores com menor escolaridade durante a crise causada pelo coronavírus.

“A economia está reabrindo, o que traz atividade econômica mais forte e criação de empregos”, disse Powell. O discurso foi preparado para uma conferência da National Community Reinvestment Coalition.

“Essa é a perspectiva de alto nível – vamos chamá-la de visão de 30.000 pés – e desse ponto de vista vemos melhorias”. Powell ressaltou, entretanto, ser preciso olhar o que está acontecendo com os cidadãos comuns.

Conforme a Pesquisa Anual de Tomada de Decisões Econômicas Domésticas (Shed, na sigla em inglês) do Banco Central dos EUA, existem estimativas mais firmes em torno dos impactos díspares da pandemia. Esta é uma questão que ele e outros formuladores de política monetária têm focado. Além disso, se comprometem a incorporar essas análises acerca de como a recuperação econômica está ocorrendo e quando será concluída.

A pesquisa deve ser divulgada ainda neste mês.

Dados demográficos do Fed

O relatório do Banco Central dos EUA concluiu que 22% dos pais “ou não estavam trabalhando ou trabalhavam menos por causa de interrupções em creches ou na educação presencial”. Os números são ainda mais altos para mães negras e hispânicas, 36% e 30%, respectivamente.

Cerca de 20% das pessoas com idades entre 25 e 54 anos sem um diploma universitário de quatro anos foram demitidas em 2020. Por outro lado, somente 12% com pelo menos um diploma de bacharel ficaram desempregadas.

Aproximadamente 14% dos brancos em seus primeiros anos de trabalho foram demitidos em algum momento do ano passado. Em comparação, são 20% ou mais para negros e hispânicos nesse grupo, disse Powell.

O relatório Shed é uma referência anual importante da saúde econômica familiar. Os resultados serão observados de perto, com analistas em busca de sinais de possíveis danos de longo prazo da pandemia.

As condições estão mudando rapidamente. Conforme os dados, são mais de 900 mil empregos criados em março. De acordo com pesquisa da Reuters com economistas, a previsão é chegar perto de 1 milhão em abril.

Contudo, o Fed está observando de perto para ver se as lacunas estão começando a se fechar nos grupos demográficos dos EUA. Assim como em setores como lazer e hospedagem, que viram as maiores perdas de empregos no início da pandemia.

“Vemos o pleno emprego como uma meta ampla e inclusiva”, disse Powell, repetindo a nova prioridade que o banco central tem dado ao incentivo ao crescimento do emprego ao custo de uma inflação mais alta.

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