Richard Thaler e a Economia Comportamental: o Nobel de Economia

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Wikipedia

Considerado por muitos como o “papa da economia comportamental”, Richard Thaler ganhou o Nobel de Economia em 2017 por suas contribuições para a área.

Segundo Thaler, as pessoas tendem a simplificar as suas decisões financeiras, e nem sempre fazem isso de forma racional. A conexão que ele criou entre economia e psicologia e os efeitos disso no mercado financeiro foi justamente o que lhe rendeu o Nobel em 2017.

A seguir, saberemos mais sobre a trajetória desse economista, que conseguiu demonstrar o quanto a subjetividade influencia as ciências econômicas. Acompanhe a leitura!

Origem e formação de Richard Thaler

Richard Thaler nasceu em Nova Jersey, em 1945.

As ciências econômicas e o mercado financeiro sempre foram temas de seu interesse. Dessa forma, cursou a faculdade de Economia na Universidade de Case Western, em Ohio. Anos depois, em 1974, defendeu a tese de doutorado The Value of Saving A Life: A Market Estimate (“O valor de salvar uma vida: uma estimativa de mercado) na Universidade de Rochester, onde passou a dar aulas.

Foi em Rochester que Richard Thaler conheceu dois outros pesquisadores: Daniel Kahneman e Amos Tversky. Anos mais tarde, os três desenvolveriam estudos ligados à Economia Comportamental. Esses estudos renderiam o Nobel a Kahneman em 2002 e a Thaler em 2017.

Do final dos anos 70 até 1995, Richard Thaler participou do corpo de professores de negócios da Universidade Cornell, em Nova York. Na ocasião, começou também a escrever para uma revista da American Economic Association. Dessa forma, seu trabalho acabou despertando o interesse da Universidade de Chicago, na qual passou a dar aulas em 1995.

Em 1993, junto de Russell Fuller, Richard fundou a Fuller & Thaler Asset Management, gestora norte-americana. Atualmente, a empresa administra cerca de US$ 10 bilhões de ativos.

Obras de Thaler

O trabalho de Thaler sempre tem como premissa a humanização da Economia. Seus livros possuem linguagem simples e foco no público leigo. Neles, o economista defende que sempre há fatores comportamentais, culturais e psicológicos nas tomadas de decisões financeiras. Isso significa que o mercado financeiro é quase sempre influenciado por fatores emocionais ao invés de lógicos.

Nesse sentido, Thaler publicou as seguintes obras:

  • 1992: A Maldição do Vencedor: Paradoxos e Anomalias da Vida Econômica;
  • 1993: Avanços em Finanças comportamentais;
  • 1994: Quase Economia Racional;
  • 2005: Avanços em Finanças Comportamentais (Vol. II);
  • 2009: Nudge – Melhorando as Decisões sobre Saúde, Riqueza e Felicidade;
  • 2015: Comportamento inadequado: A Construção Da Economia Comportamental.

O Prêmio Nobel de Economia

Richard Thaler não foi o criador da Economia Comportamental. Isso porque Adam Smith já havia feito registros sobre as relações entre comportamento e economia. No entanto, Thaler foi o maior responsável pela notoriedade do tema na atualidade.

Segundo Thaler, as pessoas utilizam determinados mecanismos não racionais para tomarem suas decisões financeiras. Nesse sentido, um deles é pensar em cada ato de forma isolada, em vez de avaliar como o conjunto de suas atitudes podem afetar as finanças. Richard chamou isso de “contabilidade mental”. Ou seja, uma forma segmentada que as pessoas têm de pensar em suas atitudes, sem avaliar o impacto de todas elas juntas.

Em relação ao comportamento pouco racional, outros pontos dos estudos de Thaler também chamam atenção. Um deles diz respeito à reação que as pessoas têm ao ganharem pouco.

Nesse sentido, Richard e seus parceiros desenvolveram um jogo, cujo ganhador poderia determinar como dividir o prêmio entre ele e os perdedores. Para a surpresa do pesquisador, as pessoas que perdiam preferiam não receber nada do que ganhar pouco. Dessa forma, a ferramenta serviu para mensurar comportamentos em relação à equidade em algumas partes do mundo.

Richard Thaler hoje

Em um congresso no final de 2020, Richard Thaler manifestou preocupação com os ganhos que muitos investidores tiveram com ações no ano. Segundo ele, grande parte da empolgação com investimentos que tomou conta do mercado teve a pandemia como causa. Isso porque, em função do isolamento social, as pessoas ficaram impossibilitadas de participar de outros eventos, como os esportivos, por exemplo.

Essa observação retoma, justamente, os seus estudos sobre Economia Comportamental. Nesse sentido, Thaler diz que grande parte do dinheiro investido nas bolsas migrou das apostas que dos torcedores americanos em seus times. Por isso, se preocupa com o futuro de muitos novos investidores que, segundo ele, ainda não estão bem preparados para os riscos do mercado acionário.

Segundo o economista, o fato de comprar ações e os títulos se valorizarem não diz nada sobre a capacidade do investidor. Isso porque, na sua opinião, só estará comprovada a habilidade para gerir a carteira quando ele souber também quando vender o ativo.

Por fim, Thaler diz que, diferentemente da bolha de tecnologia dos anos 2000, atualmente essas empresas geram lucro. No entanto, faz uma ressalva a algumas exceções. Uma delas é a Tesla que, na sua opinião, tem um valuation desproporcional ao seu resultado.