Raízen (RAIZ4): saiba mais sobre a empresa que estreia hoje na B3

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Raízen /Divulgação

A Raízen estreia na bolsa de valores nesta quinta-feira (5), sob o ticker RAIZ4. A empresa precificou a ação em R$ 7,40, no piso da faixa indicativa, movimentando R$ 6,9 bilhões.

Criado a partir de uma joint venture entre Cosan (50%) e Shell (50%), o Grupo Raízen, que tem receita bilionária, pode ter seu IPO figurando entre os maiores da história do Brasil.

Líder mundial em açúcar e etanol de cana-de-açúcar, a Raízen Energia e suas controladas têm como atividade principal a produção, trading e comércio de açúcar, etanol e pellets, inclusive por meio das controladas no exterior, assim como a cogeração de energia por meio do bagaço de cana-de-açúcar em suas 26 usinas localizadas na região Centro-Sul do Brasil e por negócios de trading de energia elétrica.

A oferta é coordenada por BTG Pactual (líder), Citi, Bank of America e Credit Suisse. Conheça mais sobre a empresa.

A história do Grupo Raízen

A empresa foi constituída em junho de 2011, incorporando ativos e a visão no mercado de biocombustíveis e energia renovável tanto da Cosan quanto da Shell.

A Cosan na época já estava posicionada como a maior e mais reconhecida produtora de biocombustíveis e de açúcar do país, e que havia adquirido em 2008 os ativos de distribuição de combustíveis da ExxonMobil no país. Já a Shell possuía ampla rede e infraestrutura de distribuição de combustíveis, sendo a marca de energia nº 1, amplamente reconhecida nos mercados de atuação, e tecnologias proprietárias inovando na produção de biocombustíveis celulósicos.

Nos dez anos de existência, o Grupo Raízen se consolidou entre as maiores companhias do Brasil, e com escala global em seus ramos de atuação, que fomenta uma cultura baseada no “empreendedorismo, meritocracia e no foco em resultados”, diz a empresa.

Raízen

Líder mundial em biocombustíveis

O Grupo Raízen se considera um líder mundial em biocombustíveis e uma referência global em sustentabilidade, na vanguarda de importantes tendências internacionais em transição energética desenvolvendo soluções com baixa emissão de carbono.

“Somos uma das maiores e pioneiras empresas completamente integradas de energia renovável do mundo, operando em toda a cadeia de valor de biocombustíveis e de energia renovável: ‘do solo-ao-tanque’ e da ‘biomassa-à-eletricidade’”.

O modelo de negócios integrado garante à empresa controle da matéria-prima, a biomassa para produção do portfólio de produtos renováveis e a distribuição diretamente para pessoas físicas e clientes corporativos através de plataformas de comercialização e redes de distribuição próprias.

A estrutura é verticalmente integrada em todas as etapas da cadeia de valor, desde o plantio, colheita, processamento, armazenamento, logística, distribuição e comercialização do amplo portfólio de produtos e serviços que abrangem até o consumidor final.

A estrutura e os produtos da Raízen

O Grupo Raízen controla e opera 26 parques de bioenergia localizados e concentrados principalmente na região Sudeste do Brasil. Eles ficam próximos aos maiores mercados consumidores do país e com amplo acesso a infraestrutura, como terminais e portos.

Nos parques de bioenergia, o grupo produz sua própria biomassa a partir da cana-de-açúcar. Gerencia o que acredita ser a maior operação agrícola do mundo. São mais de 860 mil hectares (2,1 milhões de acres) de terras cultivadas até 31 de março de 2021.

A gestão da empresa permite ter total rastreabilidade geográfica sobre a matéria-prima e elevados padrões de sustentabilidade na produção.

Assim, a partir da biomassa de cana-de-açúcar, a Raízen oferece um portfólio de produtos renováveis que inclui biocombustíveis, biogás, energia renovável de cogeração do bagaço da cana-de-açúcar e outros produtos, como pellets de biomassa.

“Atuamos em um verdadeiro sistema de economia circular, aproveitando todos os resíduos e insumos utilizados em nossos processos. Exportamos biocombustíveis renováveis, incluindo etanol de primeira e segunda geração, para a Europa, Japão e Estados Unidos”, diz a empresa.

A partir da cana-de-açúcar a Raízen produz também o açúcar. Até 31 de março de 2021, a produção total alcançou 4,3 milhões de toneladas, o que posiciona a empresa como o maior produtor de açúcar do mundo.

A empresa tem também a segunda maior rede de distribuição de combustíveis da América do Sul. E ainda a maior distribuidora de etanol do Brasil.

A empresa tem uma rede de revendedores de mais de 7.300 postos da marca Shell, no Brasil e na Argentina. Por meio do Grupo NÓS (JV com a Femsa), atua no varejo com mais de 1.000 lojas de conveniência Shell Select nos postos, e com as lojas de proximidade OXXO, marca consolidada na América Latina.

Raízen

Números de destaque

  • A empresa investiu R$ 10 bilhões em iniciativas de crescimento nos últimos 10 anos;
  • A Raízen tem capacidade de moagem de 73 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Produziu 62 milhões de toneladas de cana-de-açúcar até março de 2021. E ainda produziu 2,5 bilhões de litros de etanol (a maior do mundo);
  • Com 11,7 bilhões de litros comercializados, a Raízen é a maior empresa de etanol de cana-de-açúcar no mundo;
  • Os ativos de infraestrutura incluem terminais dentro e fora da América do Sul, com 74 terminais terrestres e 11 portuários;
  • A empresa tem mais de 29 mil funcionários e 15 mil parceiros de negócios espalhados pelo país.

Aquisição da Biosev

Em 8 de fevereiro de 2021, o Grupo Raízen celebrou contrato de aquisição com a Biosev e a Hédera Investimentos e Participações S.A., na qualidade de acionista controladora da Biosev, por meio do qual o Grupo Raízen concordou em adquirir até 100% das ações de emissão da Biosev.

A aquisição envolve troca de ações, com emissão de 3,5000% de ações preferenciais não-resgatáveis e sem direito de voto, 1,4999% de ações preferenciais resgatáveis a valor simbólico e sem direito de voto, todas de emissão das companhias do Grupo Raízen, e um valor pago em dinheiro no montante de R$ 3,6 bilhões.

Em março de 2021, o Cade aprovou em definitivo, sem restrições a transação do Grupo Raízen com a Biosev.

A aquisição permanece sujeita à satisfação de determinadas condições estabelecidas no contrato de aquisição. Entre outras, a principal condição ainda não satisfeita refere-se à reestruturação, pela Biosev, da sua estrutura corporativa e seu endividamento financeiro atual. A estrutura da transação em troca de ações reflete a visão dividida por ambas as partes do valor potencial em torno da cana-de-açúcar, atualmente sendo explorado pioneiramente pelo Grupo Raízen.

“A transação, tendo sido uma oportunidade singular devido às condições comerciais e escala, tem um encaixe estratégico de longo-prazo para o Grupo Raízen, fortalecendo ainda mais nossa posição de liderança na transição energética global”, diz a empresa.

Com a aquisição, o número de parques de Bioenergia da Raízen vai subir de 26 para 35. A capacidade de moagem subirá de 73 Mln ton para 105. Assim como o volume de produção de etanol, que vai crescer de 2.519 m³ para 3.583 m³.

Dados econômico-financeiros

O plantio de cana-de-açúcar requer um período de 12 a 18 meses para maturação e o período de colheita inicia-se geralmente entre os meses de abril e maio de cada ano. Ela termina, em geral, entre novembro e dezembro, período em que também ocorre a produção de açúcar e etanol.

Assim, a comercialização da produção ocorre durante todo o ano e não sofre variações decorrentes de sazonalidade, somente de oferta e demanda normais do mercado. Em função de seu ciclo de produção, o exercício social da Raizen Energia, bem como o da companhia e, consequentemente, do Grupo Raízen, tem início em 1º de abril e término em 31 de março de cada ano.

O lucro líquido da Raízen apresentou uma queda de 32,3% no comparativo entre o 4T21 (encerrado em 31 de março de 2021) e o 4T20 (encerrado em 31 de março de 2020). O indicador caiu de R$ 2,2 bilhões para R$ 1,5 bilhão entre os períodos do ano-safra 2020/2021.

Já o Ebitda ajustado apresentado queda de 3,6%. Assim, passou de R$ 6,8 bilhões para R$ 6,5 bilhões.

Já a receita operacional líquida da Raízen teve queda de 5% no comparativo entre os períodos. Caiu de R$ 120,5 bilhões para R$ 114,6 bilhões.

A dívida líquida da empresa teve alta de 9,3%. Passou de R$ 12,9 milhões para R$ 14,1 milhões.

Raízen

Sobre o IPO

O prospecto preliminar do IPO da Raízen foi protocolado na CVM em 7 de junho.

A operação, que envolve a venda de ações preferenciais, será coordenada por um consórcio de 12 bancos.

Ou seja, os sócios não venderão sua participação na oferta, que envolverá a venda apenas de ações preferenciais.

A empresa solicitou registrou no Nível 2 da B3.

Pontos fracos da empresa

No prospecto preliminar enviado à CVM a empresa destacou os pontos fracos, obstáculos e ameaças à companhia que merecem atenção.

  • Os negócios, operações e resultados podem ser afetados adversamente pelo surto do coronavírus e reduções de demanda em escala global;
  • O aumento do preço de combustíveis, em especial o diesel, pode majorar os custos das operações;
  • A empresa pode realizar operações de hedge que envolvem riscos que poderão prejudicar o desempenho financeiro;
  • Os processos de privatização das refinarias de produtos combustíveis no Brasil podem afetar adversamente os negócios.

Objetivos da Raízen

A estratégia de crescimento da Raízen inclui:

  • Expandir a produção de produtos renováveis e capacidade de comercialização (E2G, biogás, pellets bioeletricidade, geração e distribuição de energia solar);
  • Maximizar a produtividade, eficiência, margens e retornos;
  • Expansão das lojas de conveniência;
  • Aumento no engajamento digital de clientes;
  • Expansão pela cadeia de valor dos produtos.

Os recursos líquidos provenientes do IPO serão destinados para três fins:

  • Construção de novas plantas para expandir a produção de produtos renováveis e capacidade de comercialização;
  • Investimentos em eficiência e produtividade dos parques de bioenergia;
  • Investimentos em infraestrutura de armazenagem e logística para suportar o crescimento de volume comercializado de renováveis e açúcar.

Por Felipe Alves e Claúdia Zucare