O que é o PIB e o que diz sobre a economia de um país

Ana Paula Schuster
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Foto: Pixabay

Muitos ficam se perguntando o que é o PIB, pois é algo que sempre aparece nos jornais e noticiários. Mesmo que seja um índice que mostre o que está acontecendo nas suas vidas e a situação econômica do país, poucos sabem do que se trata.

Esse indicador é muito útil aos economistas para análises de aspectos do dia-a-dia. Por exemplo, se há mais empregos sendo gerados, a inflação afetando as compras do mês e também o valor de tudo isso. Por isso, vale a pena se aprofundar e saber mais sobre isso.

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O que é o PIB?

O PIB é um indicador que mede a soma de todos os bens e serviços finais de um país. Ou seja, todo o valor daquilo que chega ao consumidor final, inclusive os impostos sobre o consumo. Porém, os bens intermediários não são levados em conta no cálculo.

Por exemplo: se um país produz R$50,00 em farinha, R$100,00 em ovos e R$150,00 em bolos, o valor será de R$150,00, pois a farinha e os ovos já estão embutidos no bolo. Assim, a dupla contagem é evitada no cálculo.

Existe o PIB nominal e o PIB real. O primeiro se trata da soma do valor dos bens no ano em que foram produzidos, tendo assim uma avaliação corrente e o fator da inflação. Já o segundo é o valor dentro de um determinado período fixo, sem contar com o IPCA.

Cálculo do PIB

Tendo o cálculo feito pelo IBGE, o PIB é calculado por meio de dados da própria instituição ou de outros institutos de pesquisa, como IPEA, FGV, entre outros. Alguns exemplos do que é utilizado para determinar este indicador são:

  • Balanço de pagamentos – Banco Central;
  • IPA – Índice de preços ao produtor amplo – FGV;
  • IPCA – Índice nacional de preços ao consumidor amplo(conhecido como inflação) – IBGE;
  • POF – Pesquisa de orçamentos familiares – IBGE.

Uma série de indicadores são utilizados no cálculo do PIB. Além disso, pode ser analisado por três diferentes ópticas, cada uma com sua abordagem:

  • Oferta;
  • Despesa;
  • E por fim, pela ótica do rendimento.

Cada óptica exige uma fórmula diferente para cálculos e se baseiam em conceitos distintos pois para avaliar o crescimento econômico de um país, é necessário analisar todo o funcionamento das leis do mercado, além de medir a produtividade em geral.

Óptica da oferta

Na óptica da oferta, o PIB é calculado pelo valor total gerado pelas empresas. Esse indicador é chamado de VAB (valor acrescentado bruto), e somado à diferença entre os impostos e os subsídios forma o Produto Interno Bruto.

Óptica da despesa

Em relação a óptica da despesa, o cálculo leva em conta todas as despesas de quaisquer agentes que participam da economia. Logo, entram nesse cálculo:

  • Gastos do Estado com bens de consumo (G);
  • Consumo das famílias (C);
  • Investimentos das empresas em bens de capital e matérias-primas (i);
  • Exportações do país (X);
  • Importações do país (M).

Portanto, a fórmula fica desta forma: PIB = C + G + i + X – M. Vale considerar também que os investimentos (i) são formados pela soma entre os bens de capital e a variação de estoque.

Óptica do rendimento

A óptica do rendimento analisa o PIB como uma somatória dos fatores produtivos. Ou seja, a remuneração e força de trabalho somados ao excedente bruto de exploração resultam no produto final.

Para que serve o PIB

O Produto Interno Bruto é um reflexo do fluxo de bens e serviços em um país. Por isso, é um erro falar que este representa a riqueza de um país, pois não é simplesmente um estoque de valor em dinheiro.

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Imagem de um gráfico que apresenta números do PIB do Brasil

O Produto Interno Bruto (PIB) é um reflexo do fluxo de bens e serviços em um país.

Esse índice é usado para fazer análises como:

  • Crescimento econômico ao longo dos anos e a comparação entre os resultados, verificando quais foram os setores com maior produtividade ao longo do tempo;
  • Análise da economia externa de um país por meio de comparação com outros países;
  • Calcular o PIB per capita, que é igual ao PIB dividido pelo número de habitantes.

Esse último pode indicar se o país é rico para o número de habitantes que possui. Em outras palavras, se há muita produção mesmo com poucas pessoas. No entanto, não reflete fatores como desigualdade, padrão de vida e qualidade dos serviços sociais.

De modo resumido, o Produto Interno Bruto reflete o crescimento econômico e está associado à geração de empregos, pois indica o aumento da produção. Ao mesmo tempo, é importante ressaltar que é diretamente proporcional ao número de habitantes.

Assim, esse índice não mostra todos os aspectos da qualidade de vida de um indivíduo.

Pontos negativos e limitações do uso do PIB para análises econômicas

Atualmente o PIB é o indicador mais utilizado por economistas para analisar a situação de um país. Contudo, é importante lembrar que quando este está em crescimento, não significa que a vida da população melhorou e nem que a renda passou a ser maior.

De modo geral, as críticas mais feitas a esse indicador são:

  • Não levar em conta a desigualdade de renda: o PIB per capita não mostra a distribuição desigual de riquezas;
  • Qualidade dos bens e serviços: como só o valor final do produto é levado em conta, um com qualidade boa e outro ruim terão o mesmo impacto no PIB;
  • Transações não comerciais: trabalho voluntário e produtos de livre acesso não são contabilizados;
  • Mercado clandestino: circulação de produtos ilegais não entram na conta, mesmo que hajam outros métodos de cálculo envolvendo a produção dessas mercadorias;
  • Fatores sociais: por exemplo, se um país desmatar toda a floresta e vender a madeira, todo o valor de venda será contabilizado, ignorando assim os impactos ambientais a longo prazo;
  • Longo prazo: como é definido por trimestre ou por ano, o PIB não leva em conta as oscilações do mercado dentro do período.

Por esses motivos, há diversos outros indicadores que complementam a análise econômica, que envolve diversos fatores dentro da sociedade.

A metodologia usada para o cálculo do PIB

A metodologia se baseia na apresentação dos dados da Contas Nacionais Trimestrais (CNT), que possui valores correntes e valores constantes (a preço de 1995). Além de contar também com taxas de variações e séries encadeadas de índices de volume.

O PIB é medido em valores correntes trimestrais e é ajustado para o Sistema de Contas Nacionais Anuais (SCN) por meio do método estatístico de benchmarking.

Todas as séries da CNT são divididas entre: agropecuária, indústria e serviços. Nos dois últimos, há subdivisões, que são definidas da seguinte forma:

  • Indústria: transformação, extrativista, construção e eletricidade, gás, água/esgoto e gestão de resíduos;
  • Serviços: comércio, transporte, armazenamento e correio; informação e comunicação; finanças; setor imobiliário; serviços públicos.

Os dados da demanda final são divulgados separados do consumo privado, consumo público, formação bruta de capital fixo, importações e exportações.

Histórico da metodologia de cálculo do PIB

O SCN calculava o PIB por meio do Sistema de Contas Nacionais Consolidadas, desenvolvido pela FGV até o ano de 1986. No mês de dezembro do ano citado, o IBGE passou a assumir essa responsabilidade.

Até os dias de hoje o responsável por calcular esse índice anualmente é o IBGE. Alguns anos importantes foram:

  • 1997: começou a divulgar as Tabelas de Recursos e Usos anuais;
  • 2001: adoção do modelo atual, envolvendo consumo público e privado, investimentos, importações e exportações, com divulgação em valores correntes;
  • 2002: criação das Contas Econômicas Integradas, tendo a conta financeira trimestral sendo divulgada no ano seguinte;
  • 2007: divulgação da nova série das Contas Nacionais Trimestrais, passando a ser publicada 4 vezes por ano em uma única publicação referente ao trimestre;
  • 2015: passou a publicar a Tabela de Recursos e Usos (12×12) em valores correntes para o ano.

Esses foram os anos mais importantes em relação à metodologia, que passou por diversas transformações ao longo do tempo. Atualmente, há aqueles que criticam, mas também há elogios sobre o uso do PIB para análises socioeconômicas.

O PIB e o seu uso nos dias de hoje

Hoje em dia é um indicador importante, mas está longe de definir toda a realidade de um país. Por um lado, reflete a atividade econômica e pode indicar uma geração de empregos e a queda da inflação devido ao aumento da oferta.

Mas também é importante lembrar que fatores sociais como desigualdade, qualidade dos serviços públicos e padrão de vida geral não são levados em conta. Portanto, é um indicador complementar aos outros estudos da economia.

(Por Diego Dias)