Pnad: taxa de desemprego do trimestre até agosto recua a 13,2%, melhor que a projeção

Osni Alves
Jornalista desde 2007. Passou por redações e empresas de comunicação em SC, RJ e MG. E-mail: oalvesj@gmail.com.

A taxa de desemprego do trimestre até agosto recuou a 13,2%, ante 13,7% até julho, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados integram a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), e o consenso era de queda de 13,5%. Trata-se da quarta redução seguida em desocupação.

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De acordo com o levantamento, a queda representa um recuo de 1,4 ponto percentual ante o trimestre terminado em maio (14,6%) e teve queda de 1,3 p.p. contra agosto de 2020 (14,4%).

O Instituto também destaca que a população desocupada (13,7 milhões de pessoas) caiu 7,7% (menos 1,1 milhão de pessoas) ante o trimestre terminado em maio de 2021 e ficou estável na comparação anual.

E acrescenta que a população ocupada (90,2 milhões de pessoas) cresceu 4,0% (mais 3,5 milhões de pessoas) ante o trimestre móvel encerrado em maio e subiu 10,4% (mais 8,5 milhões) no ano. O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar), estimado em 50,9%, cresceu 2 p.p. no trimestre e 4,1 p.p. no ano.

IBGE: Taxa de desemprego do trimestre

Ainda de acordo com o levantamento, a taxa composta de subutilização (27,4%) caiu 1,9 p.p. no trimestre e recuou 3,2 p.p na comparação anual. A população subutilizada (31,1 milhões de pessoas) caiu nas duas comparações: -5,5% (-1,8 milhão de pessoas) no trimestre e -6,6% (-2,2 milhões) no ano.

Já a população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas (7,7 milhões de pessoas) cresceu 4,7% (mais 343 mil pessoas) no trimestre e subiu 29,2% no ano.

E a população fora da força de trabalho (73,4 milhões) caiu em ambas as comparações: -3,2% (menos 2,4 milhões) no trimestre e -7,3% (menos 5,8 milhões de pessoas) no ano.

O levantamento mostra que a população desalentada (5,3 milhões de pessoas) caiu 6,4% ante o trimestre anterior (menos 368 mil pessoas) e recuou 8,7% (menos 508 mil pessoas) no ano. O percentual de desalentados na força de trabalho ou desalentada (4,9%) recuou -0,4 p.p. no trimestre e 0,9 p.p na comparação anual.

Taxa de desocupação das pessoas com 14 anos ou mais

Trabalhadores com carteira

Conforme o IBGE, o número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (exclusive trabalhadores domésticos) foi de 31,0 milhões de pessoas, subindo 4,2% (1,2 milhão de pessoas) frente ao trimestre anterior e 6,8% (2,0 milhões) ante o mesmo trimestre de 2020.

Já o número de empregados sem carteira assinada no setor privado (10,8 milhões) subiu 10,1% (987 mil pessoas) no trimestre e 23,3% (2,0 milhões de pessoas) no ano, as maiores variações da série histórica, em termos percentuais e absolutos, na comparação anual.

Também o número de trabalhadores por conta própria (25,4 milhões de pessoas) foi recorde da séria histórica, com altas de 4,3% (mais 1,0 milhão de pessoas) no trimestre e de 18,1% (3,9 milhões de pessoas) na comparação anual.

E o número de empregadores (3,8 milhões) ficou estável nas duas comparações.

Trabalhadores domésticos

Seguindo os dados da pesquisa, o número de trabalhadores domésticos (5,5 milhões) aumentou 9,9% (mais 497 mil pessoas) no trimestre e mais 21,2% (mais 965 mil pessoas) no ano. As variações percentuais e absolutas em ambas as comparações foram recordes.

A taxa de informalidade, por sua vez, foi de 41,1% da população ocupada, ou 37,1 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior, a taxa havia sido de 40,0% e no mesmo trimestre de 2020, de 38%.

Já o rendimento real habitual (R$ 2.489) caiu em ambas as comparações: -4,3% frente ao trimestre anterior e -10,2% frente a igual período de 2020. Foram as maiores quedas percentuais da série histórica, em ambas as comparações. A massa de rendimento real habitual (R$ 219,2 bilhões) ficou estável em ambas as comparações.

Trimestre móvel

A PNAD destaca ainda que no trimestre móvel de junho a agosto de 2021, a força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas), estimada em 103,8 milhões, aumentou 2,3% (mais 2,3 milhões de pessoas) ante o trimestre anterior e 8,8% (mais 8,4 milhões) frente ao mesmo trimestre de 2021.

E o número de empregadores (3,8 milhões) mostrou estabilidade nas duas comparações.

Já o número de empregados no setor público (11,6 milhões de pessoas), que inclui estatutários e militares, apresentou queda de 3,1% frente ao trimestre anterior e manteve-se estável contra o mesmo trimestre do ano anterior.

Também mostra que entre os grupamentos de atividades, ante o trimestre anterior, houve altas em: Indústria Geral (5,3%, ou mais 578 mil pessoas), Construção (10,0%, ou mais 620 mil pessoas), Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (7,8%, ou mais 1,2 milhão de pessoas), Transporte, armazenagem e correio (4,9%, ou mais 215 mil pessoas), Alojamento e alimentação (10,2%, ou mais 424 mil pessoas) e Serviços domésticos (9,7%, ou mais 495 mil pessoas).

“Houve redução no grupamento de Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,2%, ou menos 367 mil pessoas)”, ressalta.

Taxa composta de subutilização

Em relação à taxa composta de subutilização, ante o mesmo trimestre móvel de 2020 houve altas na ocupação dos grupamentos: Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (9,2%, ou mais 759 mil pessoas), Indústria Geral (9,4%, ou mais 991 mil pessoas), Construção (24,7%, ou mais 1,3 milhão de pessoas), Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (11,1%, ou mais 1,7 milhão de pessoas), Transporte, armazenagem e correio (12,9%, ou mais 522 mil pessoas), Alojamento e alimentação (23,9%, ou mais 886 mil pessoas), Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (8,9%, ou mais 881 mil pessoas), Outros serviços (7,8%, ou mais 306 mil pessoas) e Serviços domésticos (21,3%, ou mais 981 mil pessoas). Os demais grupamentos não apresentaram variação significativa.

Quanto ao rendimento médio real habitual, ante o trimestre móvel anterior, não houve alta em qualquer categoria. Houve redução nos seguintes grupamentos: Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (6,3%, ou menos R$ 248) e Serviços domésticos (2,8%, ou menos R$ 27).

Também destaca que, frente ao mesmo trimestre de 2020, não houve crescimento em qualquer categoria. Houve redução nos seguintes grupamentos: Indústria (13,8%, ou menos R$ 396); Construção (9,2%, ou menos R$ 187); Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (9,6%, ou menos R$ 207); Alojamento e alimentação (11,6%, ou menos R$ 196); Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (8,4%, ou menos R$ 324); Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (7,2%, ou menos R$ 288); Outros serviços (10,1%, ou menos R$ 201) e Serviços domésticos (7,5%, ou menos R$ 76).

Por fim, entre as posições de ocupação, ante o trimestre móvel anterior, não houve crescimento em qualquer categoria. Houve redução nas seguintes categorias: Trabalhador doméstico (2,8%, ou menos R$ 27) e empregado no setor público (inclusive servidor estatutário e militar) (4,4%, ou menos R$ 184). Na comparação com o trimestre de junho a agosto de 2020, todas as posições apresentaram redução.

Mais dados de emprego: Caged apontou mais de 300 mil vagas

Ontem, o Caged apontou a criação de 313.902 vagas formais de trabalho em setembro. O Caged é um indicador que complementa os dados da Pnad, mas só contabiliza empregos com carteira assinada. 

No acumulado do ano, foi registrado saldo positivo de 2.512.937 postos de trabalho. O desempenho é o mais forte para o período na série disponibilizada pelo ministério, com início em 2010.

emprego

Reprodução/Caged