Investidor brasileiro evolui, mas menos da metade investe

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Unsplash

Os investidores são diferentes em vários aspectos, como no objetivos, no horizonte de investimento e no perfil de risco. Enquanto alguns investem para a aposentadoria, outros estão planejando uma viagem, construindo a reserva de emergências, ou programando a aquisição da casa própria.

Além disso, um valor pode representar muito para um investidor, mas pouco para outros. Certos investidores são mais arrojados e aceitam tomar mais risco em busca de um retorno mais alto, ao passo que outros simplesmente se recusam a correr riscos.

De modo geral, o investidor brasileiro é conservador na escolha de seus investimentos. No entanto, o perfil do investidor brasileiro vem mudando e a cultura de investimentos também.

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Além disso, o Brasil está vivendo um movimento de desmistificação da renda variável. A quantidade de pessoas que têm investimentos na Bolsa quase quadruplicou nos últimos 18 meses ( passou de 700 mil para 2,64 milhões).

Ou seja, aproximadamente 1% da população brasileira possui investimentos em Bolsa. Embora o número tenha aumentado, ainda está aquém de economias maduras, como os Estados Unidos, onde mais da metade da população investe em Bolsa.

Recentemente, a Anbima divulgou um perfil detalhado do perfil brasileiro em números. Confira os destaques:

Investidor brasileiro

De acordo com dados da Anbima, menos da metade dos brasileiros (44%) tinha algum saldo de investimento em 2019. Ou seja, 42 milhões de pessoas tinham aplicações no ano passado.

O percentual representa um crescimento 2 pontos percentuais na comparação com os dois anos anteriores da pesquisa.

A maioria dos investidores é do gênero masculino (53%), casado, pertencente à classe C e com renda média mensal de R$ 5,6 mil.

A poupança segue como a queridinha dos investidores, mas vem perdendo participação. Em 2019, a poupança deteve 84% dos recursos investidos, uma queda de 4 pontos percentuais na comparação com 2018.

Seguida de fundos de investimento (6%), títulos privados (5%), previdência privada (5%), títulos públicos (4%) e ações (3%).

Quando olhamos os investidores que aplicam em outros que não a poupança o perfil muda bastante. A maioria são homens (63%) das classes A ou B (72%), tem ensino superior completo (60%) e renda familiar mensal de cerca de R$ 9,4 mil.

Analógicos

O investidor brasileiro é muito tradicional. Cerca de 71%, vai até o banco para fazer suas aplicações. Ao mesmo tempo, 49% optam pelo ambiente virtual.

Os mais tradicionais, chamados de analógicos, têm em média 47 anos, são da Classe  C, com renda familiar mensal de R$ 4,4 mil. Os aposentados representam 22% deste grupo.

Enquanto isso, aqueles que usam a internet são os investidores digitais. Eles são mais jovens – em média 38 anos – e têm melhor poder aquisitivo: pertencem à classe B e têm renda média mensal de R$ 7,4 mil.

Bolsa de valores

Os homens ainda predominam na B3, com 75% da participação. Já a fatia das mulheres fica entre 23% a 25% do total.

Mas vale frisar que a participação das mulheres saiu de 17,63% para aproximadamente 25%.

No geral, o investidor na B3 está mais jovem e com visão de longo prazo.

Em março de 2020, cerca de 49% dos investidores tinha entre 25 a 39 anos.