Com pacote, custo da produção nos EUA será o mais alto entre os países da OCDE, apontam críticos

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Foto: Flickr

Na quarta-feira (31), o presidente americano, Joe Biden, anunciou o seu aguardado novo pacote de infraestrutura. Estimado em mais de US$ 2 trilhões a serem gastos em oito anos, o plano visa revitalizar a infraestrutura de transporte do país, os sistemas de águas, redes elétricas, banda larga e aperfeiçoamento da indústria, dentre outras medidas, e assim gerar milhões de postos de trabalho.

Discursando em um sindicato em Pittsburgh, o presidente disse que a ideia é tornar a “a economia mais forte, mais resistente e inovadora”. E sublinhou que “milhões de empregos bem remunerados serão criados nos próximos anos”.

Para a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, o projeto pode “fazer 80 anos de história”. Ele tem o poder de consertar problemas estruturais que “afligiram a economia americana pelas últimas quatro décadas” e “estabelecer o sucesso das próximas quatro”, afirmou.

No entanto, críticos ao projeto apontam que a contrapartida, que prevê aumento de impostos, pode tornar os Estados Unidos menos competitivos no cenário global.

Segundo estimativas da Tax Foundation, instituição de centro-direita, o aumento de impostos e possíveis cortes de isenções para custear o programa farão com que as taxas às empresas nos EUA sejam as maiores entre os 37 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo do qual o Brasil não participa.

Os EUA iriam da atual 12ª posição para o primeiro lugar na lista de países com custos mais elevados (veja o gráfico).

“Um aumento na alíquota de imposto federal para 28% aumentaria o imposto total (federal mais estadual) para 32,34%, maior do que todos os países da OCDE, o G7 e todos os nossos principais parceiros comerciais e concorrentes, incluindo a China. Isso prejudicaria a competitividade econômica dos EUA e diminuiria nosso papel no mundo”, afirma a Tax Foundation.

A consequência, aponta a instituição, seria corte de pessoal, ao contrário do objetivo de Biden de gerar empregos.

A alta dos impostos promete encontrar resistência no Congresso, não apenas entre os republicanos, mas também entre os democratas moderados. Vale lembrar que ambas as casa agora têm maioria democrata, o que tende a favorecer as propostas de Biden.

O líder da minoria no Senado, Mitch McConnell, senador republicano pelo Kentucky, afirmou “não ser provável” o apoio à proposta. Os motivos envolvem os  aumentos de impostos e o aumento do endividamento do país.

A democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, porém, acredita na aprovação do plano até 4 de julho. O prazo, de acordo com a Reuters, pode aumentar porque democratas e republicanos devem discutir calorosamente detalhes do plano antes de chegarem a um consenso.