Oleoplan aposta em IPO para crescer no segmento de energias renováveis

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação/Oleoplan

Uma das maiores companhias de energia renovável da América Latina quer entrar na Bolsa de Valores. A Oleoplan, com raízes no Rio Grande do Sul, quer aproveitar a onda de descarbonização no país para impulsionar seu negócio, focado principalmente no processamento de soja e produção de biodiesel.

Com mais de 40 anos de história, o grupo Oleoplan pretende abrir capital para adquirir empresas, construir novas indústrias, plantas e acumular capital de giro para suas operações.

Vamos conhecer melhor essa empresa do setor de energia?

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Da soja ao biocombustível: a história da Oleoplan

Era 1979 quando Irineu Boff decidiu criar uma empresa do ramo de esmagamento de soja no Rio Grande do Sul. Mas a história da família com a soja começou bem antes.

Alcides Merlin (que depois se tornaria sogro de Irineu) foi um dos pioneiros da industrialização da soja no Estado gaúcho. Na década de 1960 ele montou a Merlin S.A., uma tradicional indústria do ramo no RS.

Irineu foi trabalhar com Alcides na construção da segunda fábrica da Merlin e aí começou a entender do ramo. Logo nasceu a Oleoplan, em 1979, na cidade de Veranópolis, com a aquisição de uma indústria nativa de processamento de soja.

Por muito tempo o negócio foi focado na soja, atendendo o mercado interno e externo com produtos derivados da soja, como o óleo, o farelo e a lecitina. Em 1996 o filho de Irineu, o economista Marcos Merlin Boff, começou a trabalhar na empresa. Hoje, ele é o CEO da companhia.

Em 2007, a empresa começou a operar com biodiesel. Irineu Boff já ouvia falar em biocombustível desde a última grande crise do petróleo, em 1973. Mas foi só em 2007, no contexto do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), que a Oleoplan ingressou no setor de biocombustíveis com a construção de uma usina de biodiesel junto à sua indústria de processamento de soja em Veranópolis (RS).

O biodiesel, pelo seu alto potencial de contribuição para a descarbonização do setor de combustíveis, está contemplado na Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), instituída por lei, que reflete os compromissos ambientais assumidos pelo Brasil na COP21 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015).

Detalhes do negócio

A Oleoplan acredita ser uma das maiores e mais diversificadas companhias de energia renovável da América Latina, com ampla atuação na cadeia produtiva da soja.

Em 2019, a empresa figurou como líder em volume vendido de biodiesel no mercado nacional, tendo contratada a venda de 608 milhões de litros, o que lhe garantiu uma participação de mercado de 10,1%, conforme dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A empresa é a segunda maior companhia do país em capacidade instalada de produção de biodiesel, segundo dados da ANP, totalizando 936 milhões de litros/ano, e conta com duas unidades industriais de esmagamento de soja capazes de processar 4.500 toneladas de soja/dia.

Desde 2014 a Oleoplan está posicionada entre os dois maiores produtores do país. Consolidou-se como um dos principais players do setor do Brasil por meio de crescimento orgânico e aquisições estratégicas.

A empresa opera de forma integrada e verticalizada na cadeia de processamento da soja e produção de biodiesel. Atua na prospecção, na armazenagem e no transporte dos grãos, no processamento da soja para a produção do óleo, do farelo e da lecitina. A partir dos óleos e gorduras de produção própria e/ou adquiridos de terceiros, produz o biodiesel e a glicerina.

Os principais segmentos de negócio da companhia são o biodiesel e a extração, os quais juntos representaram R$ 2.585,998 milhões (96,4%) e R$ 2.564,215 milhões (96,3%) da sua receita líquida no período de nove meses findo em 30 de setembro de 2020 e no exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2019, respectivamente.

O biodiesel, no período de nove meses até 30 de setembro de 2020, representou 62,2% da receita líquida da companhia.

As três empresas da Oleoplan

O grupo é formado por três empresas.

A Oleoplan atua no processamento de soja e na produção de biodiesel. Hoje é um dos principais produtores nacionais, com 10% de participação no mercado.

A Enerplan é a empresa do grupo dedicada à produção de energia eólica. São dois complexos eólicos (no Ceará e no Rio Grande do Sul) em operação que juntos são capazes de atender a demanda por energia elétrica de cerca de 750 mil pessoas.

A Palmaplan investe no cultivo de palma de óleo. São aproximadamente 2,5 mil hectares de palma plantados em terras próprias. Também atua junto a agricultores familiares com quem desenvolvem um trabalho contínuo de capacitação e assistência técnica que vai do plantio até colheita.

O IPO da Oleoplan

O pedido de IPO foi registrado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em 21 de outubro. Ainda não há detalhes sobre prazos e valores da operação.

A oferta contará oferta primária e secundária de ações. Ou seja, os recursos irão tanto para o caixa da empresa (primária) quanto para o bolso dos acionistas (secundária).

Com a verba da oferta primária, os recursos serão usados para:

  • Aquisição de participação na Fasa América Latina Participações Societárias;
  • Construção de duas novas indústrias produtoras de biodiesel que estarão localizadas nos estados de Rondônia e do Pará;
  • Construção de novos armazéns de recebimento de matéria prima; construção de duas plantas de refino de glicerina;
  • Aumento de capacidade das plantas atuais;
  • Capital de giro para as operações atuais da companhia.

Na tranche secundária o acionista vendedor é Irineu Boff.

A oferta será coordenada por Itaú BBA, XP Investimentos, BTG Pactual, Bradesco BBI, UBS-BB, Citi e Banco ABC Brasil.

Números da empresa

O lucro líquido da Oleoplan foi crescente nos últimos três anos. Assim, saiu de R$ 52,3 milhões (2017) para R$ 174,3 milhões (2018) e R$ 205,8 milhões (2019).

Até setembro de 2020, o lucro líquido da empresa foi de R$ 229,1 milhões contra R$ 123,2 milhões no mesmo período de 2019.

Ebitda da empresa somou R$ 222,909 milhões em 2019. O indicador foi de R$ 259,549 milhões do ano anterior e de R$ 130,7 milhões em 2017. Até setembro deste ano o Ebitda estava em R$ 309,9 milhões (contra R$ 156,3 milhões do mesmo período de 2019).

Já a margem Ebitda ficou em 8,4% no ano passado, ante 10,2% de 2018 e 6,7% em 2017.

Por fim, a receita líquida da Oleoplan somou R$ 2,661 bilhões no ano passado, contra R$ 2,548 bilhões de 2018. Em 2017 a receita líquida atingiu R$ 1,96 bilhão.

Principais estratégias da Oleoplan

  • Crescer organicamente por meio de um plano de expansão bem estruturado para o médio e longo prazo;
  • Aproveitar oportunidades atrativas de crescimento por meio de aquisições estratégicas selecionadas;
  • Compromisso de entregar produtos sustentáveis alinhados às melhores práticas sociais e ambientais;
  • Assegurar flexibilidade e o uso eficiente das matérias-primas.