O que está havendo com as ações da Méliuz (CASH3)? Saiba agora se vale investir

Ronaldo Araújo
Engenheiro e Agente Autônomo de Investimentos, hoje me dedico a divulgar ensinamentos sobre como funciona a Previdência Privada. Acredito que com mais conhecimento é possível fazer melhores escolhas para a formação do patrimônio de longo prazo. Para saber mais acesse www.ronaldoaraujo.com.br
1

Crédito: Meliuz

Uma companhia com o capital recentemente aberto na bolsa de valores surpreendeu a todos pela rápida elevação na cotação de suas ações. O crescimento foi superior a 634% em pouco mais de 8 meses. No entanto, uma derrocada forte aconteceu por conta de uma reversão de grande lucro e enorme prejuízo. Estamos falando da empresa Méliuz (CASH3) e este artigo mostra em mais detalhes tudo o que vem ocorrendo com essa companhia.

Méliuz (CASH3): Histórico de cotação

As ações da empresa de cashback estrearam na bolsa de valores brasileira em 6 de novembro de 2020, data de seu IPO. Na época, foram cotadas a R$ 1,62 e durante todo o mês de estreia apresentaram comportamento tímido.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

Foi quando uma escalada surpreendente iniciou-se e já em dezembro do ano passado havia valorização 55%. O ano de 2020 encerrou-se com os papéis valendo R$ 2,51.

Mas a curva ascendente não parou por ai. O movimento continuou com uma força astronômica e no início de fevereiro o papel já acumulava mais 128% de valorização em relação ao preço de fechamento do ano anterior.

Se compararmos o crescimento com a cotação no dia do IPO, já eram mais de 254% de aumento no valor. Isso tudo em apenas três meses.

A partir daí houve uma certa estabilização, com os preços permanecendo nesse patamar até o final de abril. Foi então que o mercado alçou o preço das ações mais uma vez para cima.

Dessa vez a arrancada foi de mais 107%, formando então um novo pico, mais precisamente na data de 23 de julho de 2021. Mas a partir desse momento tudo mudou e o que se mostrava uma maravilha começou a descer morro abaixo.

Até 29 de outubro do corrente ano as perdas acumuladas já chegavam a 72% no valor do papel, quando o preço chegou ao fundo de R$ 3,31.

Mas o que aconteceu, afinal de contas, para uma promessa tão grande ir do céu ao inferno em tão pouco tempo?

Variação das ações da Méliuz no ano

Méliuz

Expectativa frustrada

Existia uma grande expectativa para os papéis da empresa até meados do ano. Os números reportados até então corroboravam isso.

Somente o volume bruto de mercadoria da companhia em 12 meses totalizava R$ 2,9 bilhões, uma alta de 90% em relação ao final do ano passado, quando da divulgação dos resultados do 1TRI21.

Para se ter ideia do bom desempenho até então, o número de clientes ativos nessa data rondava a casa dos 7 milhões. Os números eram altamente favoráveis.

No entanto, as expectativas de crescimento contínuo foram frustradas com o desempenho apresentado no mercado, principalmente com a divulgação dos resultados referentes ao 3TRI21.

3TRI21 da Méliuz

Sobre os resultados no terceiro trimestre deste ano, o problema residiu no principal indicador e que mais interessa aos investidores no final das contas: o lucro/prejuízo do período.

Houve uma reversão completa no resultado apresentado um ano antes, no 3TRI20, quando a companhia registrou um lucro líquido de R$ 4,73 milhões.

No mesmo período de 2021, houve um prejuízo de nada menos que R$ 2,95 milhões. De uma ponta a outra, o valor financeiro representa uma guinada de R$ 7,68 milhões.

No entanto, os outros dados foram positivos, por mais estranho que possa parecer: crescimento na receita líquida de 129%, e aumento do GMV de 74% quando comparado ao 3TRI20.

Esses dados podem representar que é apenas uma fase turbulenta vivida pela companhia atualmente. Até porque um bom período de vendas está logo a frente: a Black Friday. O evento já se consolidou no país e pode ser uma ótima oportunidade para a organização se recuperar e surpreender positivamente seus investidores.

Além disso, a empresa vem se mobilizando para fazer aquisições e parcerias promissoras.

Para o Bank of America, a empresa teve uma expansão rápida desde a abertura de capital e caminha para ampliar M&As (fusões e aquisições) e trazer mais talentos à equipe. “Acreditamos que o Méliuz se moveu na direção certa ao lançar seu próprio cartão, apesar da pressão de curto prazo e de algum risco maior”, afirmam os analistas do banco em relatório.

A Méliuz vai lançar em janeiro seu próprio cartão, depois da aquisição do Banco Acesso. Anteriormente, foi anunciada uma parceria com o Banco Pan, mas que não foi adiante. Para o Bank of America, esta pode ser uma “virada de jogo” para a Méliuz. A conferir.