Investidor qualificado: O que é e como ser um deles?

Regiane Medeiros
Economista formada pela UFSC. Produz conteúdo na área de mercado de capitais, finanças pessoais e atualidades.
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Crédito: Reprodução / Pixabay

O conceito de investidor qualificado corresponde a uma classificação elaborada pela CVM na instrução normativa (IN) 554/14, que divide essa figura em quatro categorias.

Nesse sentido, o artigo 9-B da IN declara o seguinte:

“São considerados investidores qualificados:

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  • investidores profissionais;
  • pessoas naturais ou jurídicas que possuam investimentos financeiros em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e que, adicionalmente, atestem por escrito sua condição de investidor qualificado mediante termo próprio, de acordo com o Anexo 9-B;
  • as pessoas naturais que tenham sido aprovadas em exames de qualificação técnica ou possuam certificações aprovadas pela CVM como requisitos para o registro de agentes autônomos de investimento, administradores de carteira, analistas e consultores de valores mobiliários, em relação a seus recursos próprios; e
  • clubes de investimento, desde que tenham a carteira gerida por um ou mais cotistas que sejam investidores qualificados.”

Em outras palavras, o investidor qualificado pode ser entendido como aquele que detém um conhecimento maior do mercado financeiro. E nesse sentido, consegue gerenciar melhor os riscos de suas aplicações.

O objetivo da CVM com essa classificação foi  garantir que a oferta de investimentos esteja alinhada com o patrimônio do investidor e com os riscos por ele assumidos.

Diante disso, o pequeno investidor, conhecido como investidor de varejo, é impedido de aplicar em opções muito arriscadas e que não condizem com o seu perfil.

Como se tornar investidor qualificado?

Como visto acima, para se enquadrar como investidor qualificado, o interessado precisa atender a pelo menos um dos requisitos da IN 554.

Nesses termos, o investidor que possui capital investido superior a R$ 1 milhão precisará atestar essa condição para virar investidor qualificado.

Para isso, é necessário solicitar à corretora o Termo de Investidor Qualificado e preencher o documento que confirma a quantia em investimentos.

Além de confirmar as condições financeiras, o investidor deverá declarar que é capaz de entender e ponderar os riscos financeiros relacionados à aplicação de seus recursos financeiros.

Vale lembrar que esse processo varia entre as corretoras, mas a maioria já o faz de forma exclusivamente online.

Para aqueles que não têm capital acima de R$ 1 milhão, outra forma de entrar para o time dos investidores qualificados é tirar uma das certificações exigidas pela CVM.

O objetivo dela é atestar o conhecimento técnico do investidor sobre o mercado financeiro, bem como sua habilidade em gerenciar os riscos inerentes ao mercado.

Atualmente, os testes aceitos pela CVM estão relacionados a qualificação de:

  • Agente Autônomo de Investimentos;
  • Analistas e Consultores de Valores Mobiliário.

Vantagens e Desvantagens do investidor qualificado

Além de pertencer a um seleto grupo do mercado financeiro, a denominação de investidor qualificado traz outras vantagens.

Em primeiro lugar, o investidor qualificado tem acesso a investimentos exclusivos, logo, não estão disponíveis ao público em geral.

Assim sendo, alguns Fundos de Investimentos, CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), só podem ser adquiridos por investidores qualificados.

Além desses, outros investimentos que oferecem taxas de rentabilidade mais atrativas estão acessíveis somente a quem se enquadra na categoria de qualificado.

Outra vantagem diz respeito aos custos operacionais. Investidores qualificados têm acesso a taxas reduzidas, de modo que é possível encontrar custo de administração menor do que o cobrado no varejo.

Em contrapartida, um leque de investimentos maior abre espaço para que os riscos também sejam maiores e, consequentemente, as perdas também sejam significativas.

Além disso, como essa categoria de investidor teoricamente possui grande conhecimento prático sobre o mercado financeiro, os investimentos costumam ter estruturas mais complexas.

Sendo assim, é necessário ter mais prudência e paciência na hora de escolher os ativos.

Qual a diferença de investidor qualificado e investidor profissional?

É muito comum haver confusão nos conceitos de investidor qualificado e investidor profissional, inclusive, há quem pense que é tudo a mesma coisa.

Mas a verdade é que o conceito de investidor qualificado é mais abrangente, ou seja, todo investidor profissional é um investidor qualificado. No entanto, o contrário não é verdadeiro.

Além disso, para ser considerado profissional, o investidor necessita ter, ao menos, R$ 10 milhões investidos, ao passo que o investidor qualificado, R$ 1 milhão.

Outras categorias de investidores profissionais englobam:

  • Instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central;
  • Investidores não residentes no país;
  • Seguradoras e sociedades de capitalização;
  • Entidades abertas e fechadas de previdência complementar;
  • Agentes autônomos de investimentos;
  • Analistas e consultores de valores mobiliários autorizados pela CVM.

Vale lembrar ainda que IN 554 da CVM não prevê que a pessoa física possa ser credenciada como investidor profissional por meio de exame de qualificação técnica, diferente do que acontece com o investidor qualificado.