Novo boom das commodities traz oportunidades para mercado acionário

Ronaldo Araújo
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Crédito: Crédito da imagem: Reprodução/Internet

A busca por mercadorias do setor primário vem se intensificando nos últimos meses. Por conta da retomada econômica pós pandemia, o mercado global aumentou seu apetite pelas commodities. O Brasil sempre foi um grande fornecedor desse tipo de material ao mundo. Em outras palavras, isso pode significar uma grande oportunidade de ganhos ao acionista brasileiro.

É disso que trataremos neste artigo. A leitura do texto trará importantes informações a você sobre a atual movimentação no preço das commodities. Você verá que existem mercadorias que já se valorização mais de 80% somente em 2021. Isso pode ser um sinal para que as empresas brasileiras apresentem forte valorização.

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O que significa o termo commodities?

Quando são buscadas as informações a respeito do mercado financeiro, é comum esbarrar no termo commodities. Mas o que essa expressão significa de fato?

Entende-se por commodities todo produto comercializado em seu estado bruto (ou com pouco beneficiamento) e que tem uma demanda global. Até mesmo por essa razão, seus preços são controlados internacionalmente. Assim, os produtores dessas mercadorias ficam expostos à variação de preços do mercado mundial.

O Brasil se destaca na comercialização desses produtos. É possível citar uma série deles, como soja, milho, café arábica, petróleo e minério de ferro. Sendo assim, a nação acaba sendo fortemente influenciada por qualquer alteração nos preços. E essa é a razão pela qual o país pode tirar grande proveito do movimento crescente pela busca desses produtos por parte da comunidade internacional.

A importância dessas mercadorias é justificada pelo fato de se tratarem de matéria-prima para grande parte da indústria de transformação. Sem o insumo básico, não há o que essas empresas produzirem. Além disso, várias commodities são alimentos e a demanda por comida é permanente. Tudo isso torna esses produtos alvo de necessidade constante.

Qual é o histórico de preços das commodities?

Os preços das commodities são reguladas pelo mercado mundial, estando à mercê dessa flutuação. Assim, uma das únicas ferramentas para amortizar parte da flutuação de preços é o mercado futuro, por meio da negociação dos instrumentos derivativos.

No entanto, quando olhamos o retrospecto de cotações vemos fatos interessantes. Um deles é a escalada de preços ocorridos na década 2000, quando chegamos a patamares históricos de negociação. 

Entre 2002 e 2008, o mundo experimentou uma demanda crescente por esses insumos. Essa característica é intrínseca a países que passam por um forte movimento de urbanização, com a população migrando do campo para as cidades em um curto espaço de tempo.

Foi o que aconteceu com alguns países do Oriente como a China. Com uma urbanização tardia, o país passou por profundas transformações que começaram apenas no início do século passado. Devido ao alto número de habitantes, esse movimento acabou por demandar grande quantidade de commodities.

Um dos produtos de maior demanda nessa época (e que o Brasil exporta de forma significativa) certamente foi o minério de ferro. Ele é essencial para o setor de construção civil pesada. Em um processo de urbanização, é complemente compreensível que grandes compras do produto sejam necessárias. 

Foi assim que a escalada de preço do produto iniciou-se em janeiro de 2003 partindo de U$ 30 a tonelada para alcançar seu pico em janeiro de 2008. Nessa data, a cotação foi de nada menos que U$ 197. Percentualmente, estamos falando de uma que uma valorização de 750% em apenas cinco anos.

O preço do barril de petróleo não ficou atrás. Sendo cotado a U$ 31 em janeiro de 2004, o barril alcançou seu pico histórico em julho de 2008 (U$ 132). Sendo assim, a alta de preços foi de 540% no período.

Quais são os indícios da chegada de um novo superciclo de commodities?

Os sinais de que um novo período de crescimento para as commodities chegou podem ser interpretados de várias maneiras. Uma delas (e a mais direta de todas) é sua própria cotação. Quando observamos o avanço dos preços nos mercados mundiais, fica a impressão de que um novo ciclo realmente pode ter chegado.

No primeiro trimestre de 2021, tivemos uma alta de 20% no preço do barril de petróleo. É pouco tempo para muito avanço, especialmente quando analisamos a cotação do minério de ferro: no mesmo período, o crescimento foi de 88%!

Historicamente o preço dessas commodities nunca esteve tão baixo antes de apresentar todo esse crescimento. A relação entre o mercado global de ações e o valor das commodities era a menor desde 1970. Com isso, o movimento de alta recente já supera uma resistência que durava nada menos que 12 anos. 

Quando olhamos o preço recente do minério de ferro, podemos constatar que novos recordes estão sendo alcançados. A cotação de U$ 230 por cada tonelada do produto é um marco histórico e a alta acumulada apenas nos dez primeiros dias de abril de 2021 já é de 22%.

Além da observação sobre os preços, o mercado global também emite fortes sinais para que se dê a confirmação do movimento. Devido à pandemia, houve uma retração econômica mundial, mas a retomada após o processo de vacinação já coloca as projeções de crescimento do mundo em torno de 6% para 2021.

Todo esse avanço pode ser justificado pelas altas taxas de reaquecimento econômico de grandes mercados como os EUA e a China. Ambos são grandes compradores de commodities e sua demanda por esse tipo de produto aumenta na medida em que a retomada de suas economias vêm se materializando.

Quanto tempo pode durar o novo ciclo, caso se confirme?

Essa é uma pergunta que dificilmente consegue-se responder com exatidão. Como diz um antigo ditado, “o futuro a Deus pertence”. No entanto, é perfeitamente possível fazer projeções profissionais baseados em dados de consumo e expansão da atividade econômica. Outra coisa que pode ajudar bastante é buscar entender o comportamento passado do mercado.

Nesse sentido, observamos que o ciclo da década de 2000 foi relativamente extenso e durou aproximadamente 6 anos, com a existência de vários picos ao longo do caminho. É claro que não se pode afirmar que a situação se repetirá, mas fatos como o início da escalada de preços já podem ser apontados com relativa margem de segurança como fator impulsionador do movimento.

Caso o movimento se confirme, é razoável esperar por um ciclo que dure de três a cinco anos, pelo menos. Se essa afirmação pudesse ter um cunho matemático, seguramente poderíamos apontar que já estamos com algo em torno de 6 meses de movimentação. Ou seja, a largada já foi dada e quem estiver atento aos mercados pode aproveitar a disparada agora mesmo.

No entanto, é preciso ficar atento aos sinais de confirmação. Um deles é que ainda é necessário um aumento no volume negociado. Existe uma demanda reprimida que precisa ser atendida, mas ela ainda não foi deflagrada. O aumento recente nos preços pode indicar que o cenário está se formando, mas a troca das mercadorias entre as nações ainda precisa se intensificar bastante para que entremos de fato em um novo ciclo virtuoso.

Vale a pena entrar em ações de empresas de commodities agora?

Quem decide entrar no mercado de risco adquirindo ações de empresas de capital aberto precisa estar munido de boas informações para que se possa fazer análises mais assertivas. Nesse sentido, é necessário observar o atual patamar de preços das empresas do setor de commodities que são negociadas em bolsa.

Algumas dessas ações já apresentam ganhos expressivos. Isso pode ser um alerta para quem adentra o mercado agora, pois pode haver uma correção em um curto espaço de tempo. Investidores mais conservadores dificilmente suportariam uma queda brusca nos preços e poderiam realizar prejuízos. 

Essa situação pode ser constatada ao verificar o aumento de valor das empresas relacionadas às commodities. É o caso de companhias como a Vale, que somente em 2021 já acumula 30% de alta no preço de suas ações. Empresas correlacionadas ao setor como Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5) estão no mesmo ritmo, com 25% e 20% de valorização, respectivamente.

Uma boa recomendação para quem deseja entrar no mercado é fazer entradas parceladas. Como o gráfico de cotações indica que alguns preços podem estar “esticados”, essa estratégia ajuda a minimizar o risco de correções de curto prazo. Caso uma queda se concretize, pode ser o momento ideal para uma entrada com aportes maiores.

Quais são as empresas mais recomendadas na bolsa e porque?

Tomando por base a evolução dos preços, certamente as empresas de mineração são ótimas candidatas para fazer parte de uma carteira de ações. Um ponto que jogo muito a favor desse tipo de companhia são as altas margens, o que dá espaço para grandes valorizações e distribuições de proventos mais polpudas. Empresas como Vale e CSN são boas representantes do setor.

Contudo, outras nuances de mercado devem ser observadas. É o caso da indústria de transformação, que não explora diretamente nenhum tipo de commodities mas as têm como insumo principal de sua produção. Nesse aspecto, podemos citar a cadeia produtiva de beneficiamento de minério de ferro.

Companhias como Gerdau e Usiminas são antigas conhecidas do mercado. Normalmente, o preço de suas ações acompanha a escalada do valor das commodities com as quais elas trabalham. Portanto, podem ser opções interessantes para o portfólio.

Por fim, temos representantes nacionais no setor petrolífero. A estatal Petrobrás (PETR3, PETR4), responsável pela extração de petróleo submarino, ajuda a reforçar a alocação. Empresas privadas como a Petro Rio (PRIO3) também podem ser consideradas para diversificação.

Quem ficar em dúvida sobre qual delas investir precisa considerar o fator privatização. Constantemente, braços de negócios da estatal brasileira vêm sendo privatizados. Isso eleva os preços do ativo principal e pode constituir uma boa oportunidade de negócios. No entanto, para aproveitar movimentos dessa natureza, é preciso estar posicionado no ativo de antemão.

Aproveitar um possível novo ciclo de alta das commodities requer atenção ao momento atual do mercado. Como ocorreu na década de 2000, os preços podem apresentar forte escalada por conta de uma nova demanda mundial muito forte em busca das mercadorias. Quem faz parte do mercado de risco por meio de uma carteira de ações deve considerar participar do movimento, pois grandes retornos podem ser conseguidos!