Money Week: qual a influência do câmbio nos seus investimentos?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Money Week

Para falar sobre a influência do câmbio nos seus investimentos, a quinta edição da Money Week recebeu Alexandre Viotto, head de Comércio Exterior daEQI Investimentos.

Na conversa, Alexandre falou sobre como funciona esse mercado e quais as principais dúvidas que os clientes costumam ter quando se fala em câmbio. A seguir, confira alguns dos principais pontos desse bate papo com o gestor.

A influência do câmbio nos seus investimentos: quais são as moedas mais “seguras”?

Essa é uma das perguntas mais frequentes entre os investidores em relação a moedas estrangeiras.

Como o dólar é a moeda mais transacionada e utilizada como reserva na maioria dos países, muitos pensam que ele é a moeda mais forte do mundo. No entanto, isso não é verdade.

De acordo com o gestor, as cinco moedas mais fortes do mundo respeitam a seguinte ordem:

  • 1° lugar: yen (Japão)
  • 2° lugar: franco suíço
  • 3° lugar: dólar americano
  • 4° lugar: libra (Reino Unido)
  • 5° lugar: euro

Em relação ao euro, Alexandre ressalta que o que garante a sua força é o respaldo da economia alemã. Isso porque é na Alemanha que estão as principais empresas do continente europeu.

Outro ponto importante a observar é como as cotações das moedas se relacionam entre si. Nesse sentido, Alexandre explica que “quando o dólar começa a ser ameaçado, por exemplo, o yen e o franco suíço costumam subir de valor, pois são portos mais seguros do que a moeda norte-americana”. Ou seja, ao sentir algum risco quanto ao dólar, o investidor aumenta a procura pelas moedas mais fortes.

Comparação entre oferta e demanda de dólar

Para entendermos o motivo da dependência do mundo em relação ao dólar, Alexandre traz alguns dados atualizados do Banco Mundial e da Bloomberg.

De acordo com esses dados, a quantidade de dólares em circulação nos EUA é de, aproximadamente, US$ 2,1 trilhões. Por sua vez, o PIB do país é de US$ 21 trilhões, ao passo que a dívida pública é de US$ 28 trilhões (US$ 7 trilhões acima do PIB).

Já a quantidade de dólares disponíveis no planeta (considerando a moeda física e as transações entre contas e comércio exterior) gira em torno de US$ 40 trilhões.

O PIB mundial é de, aproximadamente, US$ 90 trilhões. Segundo Alexandre, a partir dos próximos dados, dá para entender a demanda mundial pela moeda.

Nesse sentido, a estimativa da dívida mundial (divida externa dos países + empresas + pessoas físicas) é de US$ 230 trilhões. Ou seja, existe um descasamento entre a dívida mundial e a quantidade de dólares disponíveis (US$ 40 trilhões).

Porém, existe um dado que poucos conhecem e que gera preocupações que é a quantidade de contratos de derivativos em aberto no mundo. Segundo Alexandre, o volume desses contratos é de US$ 1,4 quatrilhão atualmente.

“Utilizando um termo de finanças, o mundo é short em dólar. Ou seja, o sistema financeiro é descoberto em relação à moeda e, por isso, sempre precisaremos dela”, analisa o gestor. “Enquanto tivermos todos esses contratos negociados em dólar e uma dívida na moeda maior do que a sua disponibilidade, existirá essa dependência”.

Índices para acompanhar a moeda

Nesse sentido, Viotto relaciona dois índices importantes para quem deseja acompanhar as projeções de evolução do dólar: o DXY e o VIX. A seguir, confira como funcionam.

DXY (Dollar Index)

Basicamente, o DXY é uma cesta de moedas que contempla euro, libra, franco suíço, dólar canadense e outras moedas fortes. O objetivo desse índice é medir a força do dólar norte-americano em relação a outras moedas.

VIX (Índice do Medo)

Já o VIX mede o preço das opções das ações que compõe o índice S&P 500 pelos próximos 30 dias. “Quando o mercado está mais tranquilo, o preço das opções cai e, consequentemente, o VIX também”, diz Alexandre.

Quanto mais o VIX oscilar, maior a volatilidade da ação. Logo, mais risco ela carregará.

O real depende das commodities

Sobre isso, Alexandre comenta que o Brasil possui forte dependência de commodities na pauta de exportação. Nesse sentido, destaca quatro principais: soja (a líder), minério de ferro, petróleo e açúcares. Somadas, essas commodities representam 40% da pauta de exportações brasileira.

“Se esses produtos estão mais caros, isso significa que entra mais dinheiro no país. Logo, se entra mais dólares, o real tende a se valorizar. Por outro lado, a recíproca é verdadeira. Ou seja, quando há uma queda nos preços das commodities, a nossa moeda se desvaloriza frente a outras”, diz o gestor.

Commodities em baixa é sinônimo de maior risco

Outra análise importante é sobre a relação entre o risco e o preço das commodities no mundo. Isso porque, quando temos um cenário de preços de commodities em queda, isso é sinal de maior risco. Em outras palavras, nesses momentos o investidor está buscando mais segurança e, normalmente, commodities estão associadas a risco.