Money Week: gestores revelam como se protegem de perdas na bolsa

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Money Week

Proteger a carteira de grandes perdas é uma regra básica no mercado financeiro. Sobre isso, há uma frase famosa do megainvestidor Warren Buffett:  “você só descobre quem está nadando pelado, quando a maré baixa“. Isso ficou bem claro este ano quando a pandemia derrubou os mercados em março: tem muita gente, até hoje, amargando os prejuízos.

Em situações assim, qual a estratégia de grandes gestores para proteger seus investimentos? José Rocha, sócio e CIO da Dahlia Capital, e Fernando Lovisotto, sócio e CIO da Vinci Partners, falaram sobre isso nesta terça-feira (24) durante a Money Week, maior evento online de investimentos da América Latina, que vai até sexta-feira. A programação é totalmente online e gratuita.

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Para Rocha e Lovisotto, o assunto proteção (ou hedge) é ainda mais importante em países como o Brasil, uma economia emergente e mais frágil em períodos conturbados.

Temos uma economia mais frágil, uma situação fiscal mais frágil. Se pegarmos como exemplo os EUA, todo mundo estava esperando um desastre na bolsa com a eleição do Biden. E, ao  contrário, as bolsas subiram muito. A diferença entre eles e nós está nas instituições fortes. A diferença que um cara faz, mesmo sendo o presidente, é muito menos relevante nos EUA do que no Brasil”, disse José Rocha.

Novos investidores na bolsa e a necessidade de hedge

Com a chegada de novos investidores na bolsa, grande parte sendo pessoas físicas com pouco conhecimento de mercado, a proteção se faz ainda mais necessária.

Os gestores ensinam que é preciso diversificar o tipo de ativo e também diversificar investimentos geograficamente. Entre as opções de diversificação sugeridas estão ouro, dólar, ativos dolarizados e até mesmo cobre, bastante demandado com as evoluções tecnológicas.

Rocha revela que, na Dahlia, o cobre é considerado um “coringa”. “Ele serve tanto para atacar quanto para defender”, diz.

Lovisotto alerta, no entanto, que investir em ativos dolarizados pensando apenas câmbio não é o correto. Isto porque diversificar para se proteger não é “comprar ou vender dólar”, mas sim uma estratégia. Dito isso, ele acredita que o dólar deve ficar perto dos R$ 5 no ano que vem, apesar de admitir que fazer qualquer projeção para o câmbio é extremamente difícil.

Acreditamos que vai haver uma valorização do real, mas o problema é falar isso e não queimar a boca amanhã”, brinca.

Rocha aponta também que não é mais verdadeira a relação direta entre alta da bolsa e baixa do dólar. “Muitas vezes a gente acaba pensando que quando dólar cai, bolsa sobe. Até 2016 era assim. Mas essa relação começou a se perder porque mudou a política econômica e o governo ficou menos gastador”, afirma.

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Fernando Lovisotto, sócio e CIO da Vinci Partners, e Juliano Custódio – Reprodução/Money Week

Antes do hedge

Antes de mais nada, dizem Rocha e Lovisotto, é preciso não se deixar levar por ruídos diários do mercado, que contaminam o ambiente e fazem o investidor tomar decisões erradas.

É preciso acreditar e não desmontar a carteira no primeiro susto, como aconteceu com muita gente na crise do coronavírus. Teve gente que zerou a carteira e perdeu um dinheiro que vai levar 20 anos para ter de volta”, diz Lovisotto.

Se entrei no jogo de renda variável, eu tenho que aceitar alguma perda. Entrar na renda variável e só ganhar não existe. Se alguém te prometeu isso, te enganaram. Mas é preciso saber que o retorno vai compensar o risco”, complementa.

Por fim, mais um alerta: mercado de opções só quando tiver muita experiência. “Mercado de opções é ‘aula 2’, precisa de muita parcimônia e tempo”, afirma Rocha.

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