Money Week desmistifica o ESG: “se não tem retorno, é filantropia”

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
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Um dos painéis mais interessantes da 5ª edição da Money Week abordou um tema que, para muitos, ainda é visto como tabu: o ESG. A sigla, que em português significa Governança Ambiental, Social e Corporativa, é envolta em várias místicas. Uma delas é que é impossível investir em ESG e obter retorno financeiro.

Fábio Alperowitch, portfolio manager da Fama Investimentos, Roberto Leuzinger, sócio e responsável pela área de ESG da Vinci Partners, e Luciana Ribeiro, co-fundadora e managing director da eB Capital, foram os convidados. Eles explicaram, didaticamente, o porquê essa confusão ainda acontece.

Eles afirmaram que o tão falado ESG não é algo tão novo assim no mercado financeiro. “Temos que desmistificar que ESG é algo novo. Não existia o acrônimo, mas os conceitos são muito antigos”, avisou Alperovich. “Hoje há muita gente falando isso, mas é uma forma nova de falar algo que existe há muito tempo no mundo dos negócios”, emendou Leuzinger.

Acompanhe os principais pontos desse painel. Faça sua inscrição e acompanhe o restante do evento de forma 100% online e gratuita. Ele termina na próxima sexta-feira (29).

“Olhar ESG”: Ponto comum no trio da Money Week

Entre os vários pontos em comum que foram levantados pelo trio que compôs o painel da Money Week, o mais visível foi o chamado “olhar ESG”. Fábio Alperovich revelou, em uma rápida síntese, como a Fama Investimentos surgiu e decretou que a sigla, até então desconhecida, nasceu junto da sua empresa.

“No momento da fundação da Fama, em 1993, tomamos a decisão de só investir em empresas que estivessem alinhadas com os nossos valores. Não queríamos ser sócios de más práticas, de empresas que sonegam impostos, sejam racistas, poluem o meio-ambiente. A gente escolhe as companhias por critérios fundamentalistas de qualidade e também ESG. Cultura corporativa focada em parâmetros ESG toma menos risco e pensa mais a longo prazo”, ensinou.

Luciana Ribeiro praticamente assinou embaixo de tudo o que foi dito por Alperovich, e também compartilhou a experiência que aplicou na eB Capital desde o marco zero da empresa. “Aqui na eB, tinha um racional de investir sempre juntando retorno e propósito. Como parecia um pouco genérico, descemos mais um degrau”, diz.

E completamenta: “Focamos em empresas de tamanho médio, dispostas a resolver lacunas estruturais do brasileiro. Na nossa visão, se fossemos capazes de solucionar essas lacunas, estaríamos ajudando o país. Para mim não existe a possibilidade de a temática ESG estar presente em todos os setores. Temos que ver como estratégia do negócio, e não como um check list”, avalia.

O último a se posicionar foi o representante da Vinci Partners, e sua colocação também mostrou o quanto o ESG sempre fez parte de seu escopo de trabalho na empresa. “O nosso olhar para ESG começou muito na oportunidade de geração de valor dentro das empresas de private equity. Mitigação de risco. Identificar oportunidades de resolver risco. A partir daí, começamos a evoluir nossa gênese de ESG. Investimento responsável”.

ESG não é produto, é processo

Outra confusão que foi desmistificada no painel da Money Week sobre o que efetivamente faz uma empresa ter viés ESG. “Brasileiro associa ESG a produto, mas, quando pergunta a empresa-símbolo, falam Natura. A superficialidade é tão grande que não percebem o erro ao associar esses dois fatos”, comentou Alperovich. Na sequência, ele emendou outro exemplo ainda mais claro a respeito da confusão.

“ESG não tem nada a ver com produto, e sim com processo. A maneira com a qual a empresa produz, oferta e se relaciona. É sobre isso. A Tesla foi condenada a pagar 137 milhões de dólares por prática de racismo. Não é o primeiro escândalo que a Tesla tem. Uma empresa que faz um bom produto para o planeta, mas de um jeito errado, não segue boas políticas ESG”, resume.

Sustentável x Rentável: mistério do ESG resolvido na Money Week

Chegamos, enfim, ao ponto principal do painel: afinal de contas, investir no ESG, ou em empresas com pegada sustentável, é rentável?

Com a palavra, o trio de especialistas que deu brilho a mais uma edição da Money Week. O primeiro a dar o aviso, direto e reto, foi Roberto Leuzinger. “Se as duas coisas não andarem juntas, não é sustentável. No longo prazo não para de pé. Se não tem retorno, é filantropia”.

Alperovich endossou o ponto de vista do companheiro de painel. “A gente tem a falsa impressão de que existe uma dicotomia entre rentabilidade e responsabilidade. Não é verdade. Tem uma série de bons exemplos de empresas vencedoras que acordam todo dia pensando em ser maiores e melhores”.

Luciana Ribeiro complementou o pensamento: “A discussão está mudando. Eu diria para o investidor ter convicção de que um bom negócio pode ser também um negócio bom. Existe muito espaço para investir tendo rentabilidade e adequando a essa visão de um mundo melhor. Precisamos que cada um de nós faça nossa parte para que essa transformação seja possível”, concluiu.