O Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu nesta quinta-feira (24) a meta de inflação para 2024 em 3%. O anúncio foi feito pelo Ministério da Economia.
A tolerância é de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, pode variar de 1,5% até 4,5%.
A meta de inflação é o norte do Banco Central em suas decisões sobre os rumos dos juros no Brasil.
As metas de inflação para 2022 e 2023 foram mantidas, respectivamente, em 3,5% e 3,25%. Também com intervalo de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.
Esse é o valor que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderá alcançar nos próximos anos.
Neste ano, a meta para a inflação também permanece em 3,75%, com o mesmo intervalo de tolerância de 1,5 ponto.
Em nota, o Ministério da Economia destacou que o anúncio reduz incertezas e aumenta a capacidade de planejamento dos agentes econômicos (famílias, empresas e setor financeiro).
De acordo com a pasta, a busca pelo equilíbrio nas contas públicas cria um ambiente favorável para a redução estrutural da inflação e dos juros.
O governo afirma que a reforma da Previdência e a fixação do teto de gastos produziram expectativas de queda nos gastos no médio prazo.
O texto também cita a Emenda Constitucional Emergencial, que estabeleceu gatilhos de ajustes de despesas para União, estados e municípios, caso as despesas obrigatórias sujeitas ao teto de gastos ultrapasse determinado nível.
Mas mesmo diante da pandemia e a alta das commodities (bens agrícolas com cotação internacional), que elevaram a inflação em 2021, o governo afirma que a manutenção do teto de gastos e o compromisso com o equilíbrio fiscal no médio e no longo prazo mantêm o ambiente favorável à estabilidade macroeconômica.
Histórico recente da inflação
O objetivo fixado pelo governo é mais ambicioso do que nos anos anteriores e dá sequência ao processo de redução gradual da meta de inflação, iniciado em 2017.
Até 2016, a meta de inflação era fixada com dois anos de antecedência. Mas um decreto publicado no Diário Oficial da União em junho de 2017 determinou que a definição passasse a ser feita três anos antes. De acordo com o Banco Central (BC), a mudança teve como objetivo reduzir as incertezas e melhorar a capacidade de planejamento das famílias, empresas e governo.
Desde 2005, o centro da meta de inflação estava em 4,5%, com 2,5 pontos de margem de tolerância. Mas em 2006 esse intervalo caiu para 2 pontos e permaneceu assim nos anos seguintes até ser reduzido para 1,5 ponto para 2017 e 2018.
A meta de inflação deve ser perseguida pelo BC ao definir a taxa básica de juros, a Selic. Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) aumenta a Selic, pretende conter a demanda aquecida e segurar os preços ao encarecer o crédito e estimular a poupança. Assim, ao diminuir os juros básicos, o Copom barateia o crédito, incentivando a produção e o consumo.






