Inflação pelo mundo e como isso afeta seus investimentos?

Ronaldo Araújo
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O mundo passou recentemente por uma das maiores crises econômicas já enfrentadas. Isso significou a escalada de preços em todas as economias mundiais. Ou seja, a inflação vem aumentando, dada a escassez de produtos em todas as nações.

Para entender melhor o cenário global, este artigo esmiúça em maiores detalhes os efeitos causados por uma inflação em crescimento. Ao ler o texto, você terá uma visão da atual situação inflacionária dos maiores parceiros comerciais brasileiros.

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Quais são os efeitos da alta da inflação em um país?

Dentre todos os indicadores econômicos de uma nação, certamente a inflação é um dos mais importantes. Ela merece especial atenção porque um descontrole em sua variação pode acarretar grandes prejuízos, os quais somente podem ser recuperados após anos de esforço. Em alguns casos pode nem haver perspectiva de recuperação, como acontece atualmente com a Venezuela.

Esses argumentos são suficientes para um Governo se preocupar em manter a inflação dentro de suas metas. Caso o teto seja perfurado e seus níveis tornem-se crescentes, a população passa a comprar menos itens com o mesmo dinheiro. De tabela, a produção industrial do país diminui (pois não há quem compre) e o desemprego se torna uma ameaça real.

Caso uma situação dessas aconteça, é comum que Governos aumentem sua taxa de juros como forma de conter a escalada. É quando outro fenômeno se acentua, que é a fuga de capitais de investimentos do país em busca de ambientes de negócio mais favoráveis. Enfim, ter uma inflação em descontrole resulta em um efeito dominó dos mais drásticos possíveis.

Quais são os cenários de inflação mais relevantes para a economia brasileira?

Nenhum país permanece isolado do restante do mundo. Dessa forma, diversas economias importam ao Brasil, dada a relevância na balança comercial. Acompanhe a seguir o cenário inflacionário de nossos principais parceiros comerciais.

China

Sendo o maior parceiro comercial do Brasil atualmente, a economia chinesa merece atenção em seu estudo inflacionário. Nesse sentido, percebe-se uma elevação gradual no Índice de Preços ao Produtor ― PPI, principal indicador do aumento de preços no país oriental. Parte desse aumento se deve à retomada dos preços das commodities, movimento muito expressivo desde o ano passado.

Ainda assim, há espaço para um avanço ainda maior da inflação na China. Isso pode ser constatado pela rápida retomada da manufatura naquele país. No entanto, a recuperação do consumo ainda encontra-se abaixo do ideal, não acompanhando a produção necessariamente. Vem daí a possibilidade de uma escalada crescente nos preços.

União Europeia

O principal índice de inflação da União Europeia (CPI) vem apresentando consecutivas altas desde que a recuperação econômica da pandemia iniciou seu curso. Impulsionado pelo aumento do custo a energia e pelo desemprego que ainda está por volta de 8%, a inflação não está mais abaixo da meta após ter passado mais de dez anos nesse patamar.

No entanto, a atividade industrial da Zona do Euro tem apresentado forte destaque, sobretudo por conta da recuperação econômica pós pandemia. Analistas afirmam que o movimento poderia ter sido ainda maior, mas foi freado de certa forma pelo aumento no custo dos insumos, também ocasionado pela crise recente que tornou mais escassos alguns itens básicos da indústria mundial.

Estados Unidos

A economia norte-americana deve enfrentar uma alta nas taxas de inflação ao longo de 2021. Parte dessa alta de deve à forte recuperação do preço do barril de petróleo após sofrer grande queda no início da pandemia. Outro grande fator contribuinte para essa alta se deve ao modelo de consumo americano, que dependem muito das cadeias produtivas globais.

Para os próximos meses, no entanto, pode ser esperada que o índice inflacionário não se eleve tanto devido ao processo de vacinação em curso. Isso promoverá abertura acelerada dos negócios, o que favorece a economia. 

No entanto, ainda há mais de 9 milhões de americanos fora do mercado de trabalho, fato que pressiona para que a taxa de juros permaneça baixa. Tudo isso vem colaborando para que a inflação nos EUA fique acima de 2% ao ano, valor não visto por mais de uma década na nação norte-americana.

Argentina

O país vizinho já vivia uma grave crise econômica que se agravou com a chegada da pandemia. Sendo historicamente um grande parceiro comercial do Brasil, sua situação importa bastante. E é exatamente por isso que a inflação atual de 46% ao ano é muito mal vista pelo mercado brasileiro, que prevê uma situação cada vez pior no país dos hermanos.

Recentemente, uma medida que fracassou no passado foi tomada novamente para tentar conter a alta dos preços. Ela é referente à proibição na exportação de carnes. A Argentina ocupa posições de liderança global nesse ramo e a intenção de proibir a remessa ao exterior do produto é para conter os preços no mercado doméstico.

Ainda que a intenção seja boa, seus resultados não o são. Sozinha, a carne já avançou 65% seu valor. No passado, a medida governamental acabou deteriorando o setor, ao passo que pecuaristas abandonaram o país e o desemprego aumentou. Nesse momento, resta rezar pelo país vizinho para que encontre o caminho da prosperidade novamente.

Quais são as expectativas para a inflação no Brasil?

O Brasil é um dos poucos países que tem se destacado na retomada econômica pós pandemia. Prova disso é a sua recuperação em “V”, anunciada pelo Ministro da Economia Paulo Guedes. Logo que a recessão de 2020 se apresentou, essa afirmação foi feita por ele. Isso levou muitas pessoas a levantarem dúvidas, mas o Ministro estava certo!

Agora em meados de 2021, o desempenho da economia brasileira já tem o mesmo nível do período pré crise. Só que nem tudo foi um mar de rosas, pois os preços foram pressionados na deflagração do momento ruim. Grande parte do aumento foi justificado pela alta dos alimentos e o ano passado encerrou com a inflação em 4,52%.

No entanto, o momento é muito favorável para o Brasil. Várias commodities de grande peso na economia do país estão em preço recorde, como a soja, o minério de ferro e petróleo. Isso ajuda a alavancar a economia e a distribuir renda, fatores positivos para a manutenção da inflação em patamares baixos. 

A julgar pelo atual desempenho econômico, o Brasil pode contar com ventos favoráveis logo mais a frente, com a previsão de crescimento do PIB na casa dos 5% até o encerramento do ano de 2021.