Linx (LINX3): acionistas aprovam em AGE venda da empresa para a Stone

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Instagram Linx

A disputa entre Totvs (TOTS3) e Stone pela Linx (LLINX3) chegou ao fim nesta terça-feira (17). Os acionistas da Linx aprovaram a proposta de venda para a Stone.

Pouco antes da assembleia, a Stone aumentou sua proposta em R$ 268,5 milhões a parcela em dinheiro a ser paga pela incorporação da companhia.

A cifra corresponde a um pagamento adicional em caixa de R$ 1,50 por ação Linx, totalizando R$ 33,56 em dinheiro mais 0,0126774 ações classe A da Stone.

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A consumação da operação está sujeita à verificação de determinadas condições suspensivas, incluindo a aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica –CADE.

Será garantido o direito de retirada aos acionistas proprietários, de forma ininterrupta, desde 2 de outubro de 2020,  de ações de emissão da Linx que não votaram favoravelmente à incorporação das ações e que manifestarem expressamente sua intenção de exercer o direito de retirada, no prazo de 30 dias contados da data de publicação da assembleia.

O valor do reembolso será equivalente ao valor do patrimônio líquido da ação da Linx em 31 de dezembro de 2019,  corresponde a R$ 9,45.

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Para entender a disputa pela Linx

Tudo começou na terça-feira, dia 11 de agosto, quando a Stone, fintech de meios de pagamentos, anunciou que estava em negociação avançada para aquisição da Linx.

A oferta é de R$ 6 bilhões, sendo que 90% do pagamento seriam feitos em dinheiro e 10% em ações.

Para financiar a compra, a Stone emitiu, nos Estados Unidos, onde é listada, US$ 1 bilhão em ações.

Encarada como uma operação que uniria “o melhor dos dois mundos”, associando uma empresa de software de vendas com uma de maquininha, as ações de ambas as empresas reagiram fortemente. As ações da Linx chegaram a subir mais de 30%.

Mas a alta ligou o radar da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que investiga se houve insider trading (negociação com informação privilegiada).

Acusação de que oferta “fere a ética”

Colocando ainda mais lenha na fogueira, a Fama Investimentos publicou uma carta na quinta-feira (13), questionando a oferta da Stone. A Fama detém 3% da Linx, sendo uma de suas maiores acionistas.

Segundo Fabio Alperowitch, gestor e fundador da gestora, a transação “fere a ética”, porque os três fundadores da Linx receberiam um prêmio maior por ação do que os demais acionistas da empresa.

Pelas contas de Alperowitch, enquanto os acionistas comuns receberiam R$ 34 por ação, os três fundadores receberiam R$ 46.

Por fim, a Totvs entrou na disputa, oferecendo um valor superior aos R$ 6 bilhões da Stone –  R$ 6,045 bilhões. E mais: anunciou que trataria os acionistas de forma “igualitária e equânime”. Na oferta da Totvs, todas as ações teriam o preço de R$ 34,09.

Aprovação

As ofertas feitas por Stone e Totvs seguiram para aprovação dos acionistas.

“Essas propostas têm impacto imediato de fazer as ações subirem. Se os acionistas demorarem na decisão, as ações voltam ao patamar anterior de preço, o que não é interessante para eles próprios. Então, acredito que, em uma semana no máximo, teremos uma definição”, avalia.

No entanto, qualquer que seja a definição, a fusão teria potencial para mudar a dinâmica competitiva do setor.

Por isso, a transação deveria passar ainda pela aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). E isto pode significar meses para uma conclusão definitiva. Luis Sales, analista da Guide Investimentos, acredita que o período de avaliação será de três a seis meses, pelo menos.

Winter acredita, de toda forma, que o Cade não deve interferir negativamente no negócio.

Reprodução/Instagram Linx

“Falta de ética” pode implicar em multa

Outro ponto que pede atenção de quem está de olho na valorização das ações da Linx é quanto a possíveis processos por falta de lisura no processo de venda.

A proposta feita pela Stone vem sendo questionada do ponto de vista ético. Isto porque ela favoreceria, financeiramente, três dos cinco conselheiros da Linx (e também seus fundadores). A oferta feita pagaria mais pelas ações que pertencem a eles, o que representaria uma desvantagem para os acionistas minoritários.

Caso a denúncia seja comprovada, ela não terá, no entanto, poder de desfazer o negócio. Mas, possivelmente, implicará em pagamentos de multas.

“Acredito que, no máximo, a penalização pela CVM vai representar um custo adicional na transação”, diz Winter.

Resultado do 3TRI da Linx

A Linx (LINX3) registrou um lucro líquido de R$ 3,03 milhões no terceiro trimestre de 2020. No mesmo trimestre do ano anterior, a Companhia havia reportado lucro de R$ 19,58 milhões.

No acumulado de 2020, a Linx recuou 78,1% sobre o terceiro trimestre de 2019, passando de R$ 37,42 milhões para R$ 8,18 milhões em 2020.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 44,63 milhões, contra um Ebitda de R$ 40,11 milhões entre julho e setembro de 2019.

Linx (LINX3): aquisição da Mercadapp por R$ 10,5 milhões

A Linx (LINX3) havia informado nesta sexta-feira (13) por meio de fato relevante a aquisição da Mercadapp Soluções em Software. O valor da compra, conforme a nota, pode chegar a R$ 10,5 milhões.

A companhia pagará R$ 7 milhões em parcelas fixas. Entretanto, o valor pode chegar a R$ 10,5 milhões, uma vez que R$ 2,5 milhões estão condicionados ao atingimento de metas financeiras e operacionais entre 2020 e 2022.

Além disso, a Linx vai reter R$ 1 milhão sobre a inexistência de contingências.

A Mercadapp

A Mercadapp oferece plataformas para a compra e entrega de produtos a supermercados de pequeno e médio porte. Atende 17 estados, além do Distrito Federal, chegando a aproximadamente 170 lojas em todo o país.

As soluções de plataforma web e delivery são feitas em nuvem.

Por fim, o modelo de negócios é baseado em receita recorrente (SaaS), combinado com uma cobrança por transação.

O faturamento bruto da Mercadapp previsto para 2021 é de R$ 4,1 milhões.

Linx em disputa

A Linx detém hoje 45% do mercado de sistemas de gestão para o setor varejista. Tem como clientes grandes nomes do mercado, como Boticário, Natura (NTCO3), Centauro (CNTO3), Tok&Stok, Ipiranga e Drogaria São Paulo.

Esse portfólio de produtos e os mais de 70 mil clientes chamou atenção da Stone e da Totvs (TOTS3), que fizeram  propostas de fusão.

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