Juros em alta = renda fixa? O que o investidor precisa saber para se preparar para 2022?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

A menos de três meses para 2022 e com os juros em alta, existem muitas dúvidas em relação às perspectivas para os investimentos no próximo ano.

Fatores como eleições, inflação, risco fiscal e alta do câmbio dificultam as projeções de analistas e de quem deseja planejar os investimentos. Isso sem falar nos insumos para a indústria, cujo impacto da alta do dólar prejudica a previsibilidade da produção industrial, o que afeta ainda mais a economia brasileira.

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Em meio a tudo isso, como se preparar financeiramente para o próximo ano? De que forma o investidor pode montar uma estratégia eficiente para o seu patrimônio? A seguir, confira algumas projeções macroeconômicas do BTG Pactual. Logo após, veja a opinião da assessoria de investimentos da EQI sobre o assunto.

Aliás, BTG e EQI vão debater exatamente este tema na quinta edição da Money Week, evento online e gratuito da EQI Investimentos, que acontece entre 25 e 29 de outubro. Não perca! Clique aqui para fazer já sua inscrição!

Juros em alta: o que mostram as projeções macroeconômicas?

As projeções a seguir são do mês de outubro e contemplam Selic, PIB, IPCA, câmbio e orçamento público para 2022. Acompanhe.

Selic

Para o final de 2021, a projeção do BTG Pactual para a Selic é de 8,25%, em linha com as últimas projeções captadas pelo Boletim Focus, do Banco Central. Porém, para o final de 2022, o banco mantém a expectativa da taxa em 9,5%, superior à previsão do Focus, que é de 8,75%.

PIB

Em relação ao PIB, a expectativa do banco é de crescimento de 5,3% para o final de 2021. Nesse sentido, os analistas entendem que os riscos de racionamento de energia até o final do ano foram reduzidos, devido à antecipação da oferta adicional no sistema e da melhora do cenário hídrico para outubro e novembro. Já para 2022, a projeção de crescimento do PIB é de 1,2%, por causa da Selic mais alta e das incertezas sobre a economia mundial.

IPCA

Por sua vez, as expectativas para o IPCA seguem pouco otimistas. Isso por causa da persistência da alta inflação de serviços, bens industriais e itens básicos como alimentos, energia e combustíveis. Dessa forma, a projeção do banco para o IPCA de 2021 é de 8,8% e para 2022, 4,3%, devido à persistência de restrições de oferta e custos elevados.

Câmbio

Devido à incerteza fiscal e ao cenário externo mais adverso, a projeção é de que o câmbio fique ainda mais depreciado no próximo ano. Por isso, o BTG projeta a taxa de câmbio em R$ 5,30 para o final de 2021 e R$ 5,40 para o fim do próximo ano. O banco ainda alerta para o risco de deterioração do quadro fiscal. Isso pode trazer graves consequências para o Brasil em relação ao câmbio.

Orçamento de 2022

De acordo com o banco, ainda não há uma direção clara para o orçamento do próximo ano. Por um lado, o parcelamento proposto pela PEC dos Precatórios daria uma folga fiscal. Isso ajudaria a acomodar o novo Auxílio Brasil. No entanto, poderia não ser suficiente para cobrir gastos públicos crescentes, desoneração da folha ou extensão do Auxílio Emergencial para 2022, por exemplo.

Perspectivas para os investimentos com os juros em alta

Quanto às perspectivas para os investimentos, Elias Wiggers, assessor daEQI Investimentos, ressalta alguns pontos de atenção para o próximo ano. A seguir, confira quais são eles.

Inflação

Segundo Elias, a pressão inflacionária continuará latente, não só no Brasil, mas no mundo todo. Por isso, a tendência é que os bancos centrais atuem de forma mais incisiva para controlar a alta dos preços.

De forma geral, a expectativa é de que as políticas monetárias ao redor do mundo deverão manter os juros altos. Nesse sentido, o Brasil já começou a escalada de juros, mas as grandes economias globais ainda não o fizeram. Segundo Elias, isso deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2022.

“A alta dos juros nas economias mais fortes obrigará os emergentes a fazerem mais ajustes em suas taxas, de forma a conter a migração dos recursos. Ou seja, mesmo com os juros já mais altos atualmente, os emergentes deverão pagar um prêmio de risco ainda maior”, afirma Wiggers.

Por isso, há uma expectativa geral do mercado de uma Selic ainda alta, possivelmente mais próxima de 10% ao longo de 2022. Para o assessor, isso acabará competindo diretamente com a renda variável.

Em relação à alta dos juros, o tapering nos Estados Unidos promete ser uma das grandes preocupações para 2022. No link abaixo, saiba mais sobre o assunto.

Eleições

Além dos juros em alta por causa da inflação, há ainda o ano eleitoral. Segundo Elias, “é inegável que, mesmo que não ocorram grandes movimentos de juros no exterior, o Brasil terá que manter a Selic um pouco mais alta. Isso porque será necessário gerar atratividade para o capital internacional se manter por aqui.”

Para o assessor, o estresse eleitoral deve se acentuar no segundo semestre de 2022. Porém, a precificação dos ativos começará a ser feita à medida que as pesquisas começarem a ser divulgadas, já no início do ano.

“Para 2022 se espera um ano com uma renda fixa mais pujante, pois as pessoas estarão mais comedidas para tomar risco. Por isso, o crescimento da renda variável deve ser mais moderado. Não que a bolsa vá despencar, mas haverá muita volatilidade, e muitos não têm tolerância a frequentes oscilações. Por sua vez, a renda fixa é o dinheiro da garantia”, conclui Elias.

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