IPCA volta a subir e avança 0,83%, maior alta para maio em 25 anos

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medida oficial de inflação do país, avançou 0,83% em maio, ante projeção de 0,71%. Esta é a maior alta para o mês em 25 anos.

Na comparação com maio de 2020, a alta é de 8,06%, quando o consenso era alta de 7,93%. Com isto, o resultado fica bem acima da meta do Banco Central para a inflação no ano, que é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

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No ano, o acumulado é de 3,22%. Na passagem de março para abril, o IPCA havia registrado desaceleração, indo de 0,93% para 0,31%.

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IPCA

Reprodução/IBGE

IPCA: todos os grupos pesquisados registram aumento de preços

Os 9 grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IPCA apresentaram alta em maio. As maiores altas vieram de habitação e transportes.

  • Alimentação e bebidas: 0,44%
  • Habitação: 1,78%
  • Artigos de residência: 1,25%
  • Vestuário: 0,92%
  • Transportes: 1,15%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,76%
  • Despesas pessoais: 0,21%
  • Educação: 0,06%
  • Comunicação: 0,21%

Segundo o IBGE, o maior impacto individual veio da alta da energia elétrica (5,37%), que respondeu por 0,23 ponto percentual do IPCA. A alta se deu porque, no mês de maio, passou a vigorar a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,169 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Além disso, no final de abril, ocorreram reajustes em diversas regiões do país.

O grupo Transportes (1,15%) também foi impulsionado pela pressão nos preços dos combustíveis. A gasolina subiu 2,87%, sendo que os preços haviam recuado 0,44% em abril. “Houve esse recuo, em abril, porque no fim de março houve duas reduções no preço da gasolina nas refinarias, mas depois houve outros reajustes, que acabam chegando ao consumidor final”, diz o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov. Outros produtos do grupo também tiveram seus preços aumentados, como o gás veicular (23,75%), o etanol (12,92%) e o óleo diesel (4,61%).

Segundo o BTG Pactual (BPAC11), a alta do IPCA já era aguardada e revela a retomada da pressão dos preços nos combustíveis e a continuidade da aceleração dos preços dos bens indústrias, refletindo disfunções na cadeia produtiva.

Em contraponto, aponta o banco, o segmento de Alimentos e Bebidas teve uma leitura mais benigna, por efeitos sazonais. Este fator baixista pode ser temporário e pode voltar a impactar as leituras do indicador no segundo semestre.

IPCA

Reprodução/IBGE

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Reprodução/IBGE

Aumento da Selic no radar

A alta do IPCA reforça as apostas de nova alta da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na semana que vem.

O Copom se reúne dias 15 e 16 para definir a taxa básica de juros, após duas altas de 0,75 pontos porcentuais sequenciais.

Na ata da última reunião, o comitê apontou que uma nova subida de igual dimensão já era cogitada se não houvesse mudança brusca na inflação e nas questões fiscais.

Portanto, a expectativa é que a Selic chegue a 4,25% no mínimo na semana que vem.

IPCA: projeção do mercado para 2021

De acordo com o Boletim Focus, do Banco Central, que levanta as estimativas do mercado, a projeção é que o IPCA alcance 5,44% até dezembro. Há nove semanas a projeção vem sendo aumentada, sendo que há um mês, a estimativa era de 5,06% ao ano.