IPCA-15: energia cara é a vilã da aceleração do índice

Matheus Gagliano
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O alto preço da energia elétrica foi o grande vilão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, IPCA. E este cenário pode se manter assim, se a crise hídrica continuar sem solução a curto prazo.

O indicador acelerou de 0,72% em julho para 0,89% em agosto, puxado principalmente pela alta da energia elétrica.

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O resultado veio acima da projeção de 0,82% e é o maior para o mês desde 2002. No ano, o indicador acumula alta de 5,81% e nos últimos 12 meses, de 9,30%.

Relatório do BTG Pactual (BPAC11) revela que para os próximos meses, os riscos inflacionários seguem elevados. O grande fator que pesa é a pressão proveniente da possível elevação adicional da bandeira tarifária. Além disso, há o aumento dos preços dos alimentos in natura, ambos reflexos do cenário climático adverso.

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que monitora as condições energéticas, mostram que reservatórios do submercado Sudeste/Centro-Oeste estão com 22,77% da capacidade total. A usina de Furnas, que tem peso de 17,21% do subsistema, opera com 18,31% de sua capacidade.

IPCA-15: no acumulado do ano, indicador já supera teto da meta

O relatório do banco de investimentos mostra também que a inflação já acumula alta de 5,81%. Ficando, portanto, acima do teto da meta, que é de 5,25%. Em 12 meses, ficou em 9,30%, acima das expectativas de mercado, que era de 9,24%. O BTG projetava 9,22%.

No mês, oito dos nove grupos apresentaram variação positiva, com os maiores impactos presentes nos preços administrados.

Desta forma, apesar de desacelerar no mês de 2,14% para 1,97%, o segmento da Habitação segue apresentando o maior impacto no índice. Ainda refletindo a alta nos preços da energia elétrica, conforme análise do BTG.

No setor de Transportes, 1,11%, a alta é reflexo de uma maior pressão de Combustíveis, que subiu 2,22%. Contudo, os preços das Passagens Aéreas, que apresentaram forte alta em julho, sofreram reversão, recuando de 35,64% para -10,90%.

Adicionalmente, o segmento de Alimentação e Bebidas volta a apresentar participações significativas no índice (de 0,49% para 1,02%). Este foi influenciado pela aceleração nos preços dos Alimentos em Domicílio (1,29%) que sofreram com o cenário climático adverso.

Melhora no quarto trimestre

Bernardo Mota, economista chefe da EQI Asset, acrescentou que é esperada uma nova elevação da bandeira vermelha para setembro. O que traz um risco para a leitura da inflação cheia.

Porém, ele aponta que há chance de que o quadro inflacionário apresente uma melhora para o quarto trimestre, uma vez que é esperado que choques como esse tenham sido superados.

Ele avaliou ainda que, na leitura do IPCA-15, dentro de preços livres a inflação em alimentação foi menor do que a esperada. Por outro lado, bens industriais registraram aceleração inflação além da esperada, ainda refletindo problemas com cadeia de produção.

Mota avaliou também que a desaceleração em serviços foi em linha com o esperado, de 0.67% em julho para 0,29% na leitura de hoje. Ainda em serviços, a leitura subjacente mostrou desaceleração de 0,49% em julho para 0.46% em agosto, mas ficando aquém do esperado. A média dos núcleos cederam de 0.61% para 0.57% na mesma comparação.