IPCA-15 acelera 0,89%, acima da projeção, puxado por energia elétrica

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
1

Crédito: Andrew Martin / Pixabay

O IBGE divulgou nesta quarta-feira (25) o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, IPCA. Ele acelerou de 0,72% em julho para 0,89% em agosto, puxado principalmente pela alta da energia elétrica.

O resultado veio acima da projeção de 0,82% e é o maior para o mês desde 2002. No ano, o indicador acumula alta de 5,81% e nos últimos 12 meses, de 9,30%.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

IPCA-15

Reprodução/IBGE

Energia elétrica puxa alta da inflação

Com aumento de 5%, a energia elétrica exerceu o maior impacto individual no resultado, sendo responsável por 0,23 ponto percentual no índice do mês.

No contexto da crise hídrica, a bandeira tarifária vermelha patamar 2 vigorou nos meses de julho e agosto. Além disso, a partir de 1º de julho, houve reajuste de 52% no valor adicional da bandeira, que passou a cobrar R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos (frente a R$ 6,243 em junho).

Reajustes tarifários em São Paulo, Porto Alegre, Curitiba e Belém também explicam o resultado em agosto.

Com isso, o grupo habitação ficou com a maior alta no mês: 1,97%, equivalente a 0,31 ponto percentual do índice geral.

Além da energia elétrica, o grupo habitação foi influenciado pelos aumentos nos preços do gás de botijão (3,79%) e do gás encanado (0,73%).

A segunda maior contribuição para o IPCA-15 de agosto veio dos transportes, com aumento de 1,11%, seguida por alimentação e bebidas (1,02%). A única queda foi em saúde e cuidados pessoais (-0,29%).

IPCa-15: preços dos combustíveis também aceleram

No grupo dos transportes, os preços dos combustíveis (2,02%) aceleraram em relação a julho (0,38%). A principal contribuição (0,12 p.p.) veio da gasolina (2,05%), cuja variação acumulada nos últimos 12 meses foi de 39,52%. Também subiram os preços do etanol (2,19%) e do óleo diesel (1,37%), enquanto o gás veicular registrou queda de 0,51%.

Por outro lado, houve deflação no grupo saúde e cuidados pessoais (-0,29%), que contribuiu com -0,04 p.p. no índice geral. Isso se deve sobretudo à queda nos preços dos itens de higiene pessoal (-0,67%), produtos farmacêuticos (-0,48%) e plano de saúde (-0,11%).

IPCA-15: maior variação é registrada em Goiânia

Todas as áreas pesquisadas apresentaram inflação em agosto. O menor resultado ocorreu em Belo Horizonte (0,40%), influenciado pela queda das passagens aéreas (-20,05%) e taxa de água e esgoto (-6,40%). Já a maior variação foi registrada em Goiânia (1,34%), onde pesaram as altas da gasolina (6,31%) e da energia elétrica (3,60%).

Diferença entre IPCA-15 e IPCA

O IPCA-15 difere do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apenas no período de coleta que abrange, em geral, do dia 16 do mês anterior ao 15 do mês de referência e na abrangência geográfica.

Mais projeções para inflação

Ainda sobre inflação, o Ipea divulgou ontem (24) a revisão da projeção para a inflação neste ano, a 7,1%. Anteriormente, a previsão era de 5,9%, bem acima do teto da meta do Banco Central (5,25%).

Na segunda, o Boletim Focus elevou a projeção da inflação para 7,11%, frente a 7,05% da semana passada. Há quatro semanas a projeção era de 6,56%.