Investimentos ESG: como aplicar em fundos verdes

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

Não é de hoje que as preocupações socioambientais têm recebido maior atenção também pelo mercado financeiro. Por isso, uma pergunta se torna cada vez mais recorrente entre os investidores: afinal, como investir em ESG no Brasil?

Também chamados fundos verdes, os investimentos ESG (também chamados “fundos verdes”) promovem a valorização de empresas comprometidas com a sustentabilidade. Se você tem preocupações com o meio ambiente, inclusão social e valoriza empresas com padrões éticos de gestão, continue a leitura e veja de que forma esses valores podem se refletir no mundo dos investimentos.

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Para começar, o que significa investir em ESG?

ESG vem de Environmental, Social and Governance (ambiental, social e governança). Isso significa que, para fazer parte de um portfólio ESG, as empresas devem ter práticas que atendam a esses três critérios.

Em relação ao critério ambiental, alguns aspectos considerados são a utilização de recursos naturais, tratamento de poluentes, política de CO2, entre outros.

Quanto ao social, consideram-se aspectos relacionados ao bem-estar profissional, políticas de inclusão e remuneração e comprometimento com a sociedade de forma geral.

Por fim, as práticas de governança estão relacionadas à transparência perante investidores e sociedade. Além disso, ética, diversidade no conselho representativo e qualificação da gestão também são fatores importantes.

Para que possam receber investimentos ESG, as empresas precisam atender a, pelo menos, um dos critérios acima. Logicamente, o ideal é que todos eles sejam bem desenvolvidos pela organização.

E por que investir em ESG?

O selo ESG foi criado em 2005, pelo então secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) Kofi Anan. No mesmo ano, o Brasil criou o índice nacional que representa essas empresas na bolsa, o ISE (o qual veremos na sequência).

No entanto, foi de dois anos para cá que a sigla ganhou mais destaque e importância no cenário mundial. Isso porque, em 2019, quase 200 CEOs das maiores organizações do mundo se comprometeram publicamente com a governança corporativa e sustentabilidade dos negócios.

Desde então, o mercado tem respondido de forma favorável às iniciativas ESG. Por outro lado, especialistas afirmam que empresas que negligenciarem esses critérios acabarão tendo dificuldades de imagem. Além disso, os danos poderão se estender até mesmo à retenção de talentos e à relação com investidores.

Segundo informações da Anbima (Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais), há cerca de R$ 700 milhões investidos em fundos ESG no Brasil. Apesar de representar o triplo dos investimentos ESG de 2019, esse valor corresponde a, somente, 0,13% do que é investido em fundos por aqui.

Ou seja, há um grande potencial para os investimentos ESG no país. A seguir, veremos como funciona o ISE B3, e conheceremos as opções de investimentos ESG disponíveis na bolsa brasileira.

Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3)

O ISE B3 representa as empresas listadas na bolsa que atendem determinados critérios de sustentabilidade corporativa.

A metodologia do índice foi criada por meio de uma parceria entre a B3 e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Além de estar entre as 200 ações mais negociadas na bolsa nas três carteiras anteriores, a empresa deve responder a um questionário elaborado pela FGV que contempla sete dimensões:

  • geral;
  • social;
  • ambiental;
  • governança corporativa;
  • situação econômico-financeira;
  • mudanças climáticas;
  • natureza do produto.

No ISE, os ativos serão ponderados pelo valor de mercado do free float (ativos em circulação). Em relação aos setores das empresas, nenhum deles pode representar mais de 15% do índice.

Empresas que formam o ISE

A carteira do ISE é reavaliada uma vez por ano, entre o final de novembro e início de dezembro. Nesse sentido, a atual carteira, vigente desde 4 de janeiro, terá validade até 30 de dezembro de 2021.

Atualmente, a carteira do ISE reúne companhias de 15 setores, que, somadas, possuem valor de mercado de R$ 1,8 trilhão. São elas:

  • AES Tiete
  • Banco do Brasil
  • B2W
  • Bradesco
  • BRF
  • BTG Pactual
  • Cemig
  • Cielo
  • CPFL Energia
  • Copel
  • Cosan
  • Duratex
  • Ecorodovias
  • Energias BR (EDP)
  • Eletrobras
  • Engie
  • Fleury
  • Grupo CCR
  • Grupo Pão de Açúcar (GPA)
  • Itaú Unibanco
  • Klabin
  • Light
  • Lojas Americanas
  • Lojas Renner
  • M. Dias Branco
  • Marfrig
  • Minerva
  • Movida
  • MRV Engenharia
  • Natura
  • Neoenergia
  • Petrobras
  • Santander
  • Suzano
  • Telefônica
  • TIM
  • Weg

(Fonte: B3)

Valorização do ISE

Segundo dados da B3, desde sua criação, em 2005, O ISE teve maior valorização e menor volatilidade do que o Ibovespa. Nesse sentido, a rentabilidade acumulada do índice foi de 294,73%, contra 245% do Ibovespa.

Por sua vez, a volatilidade do indicador de sustentabilidade no período foi de 25,62%, face 28,10% do principal índice da bolsa brasileira. Para esses dados, a B3 considerou a base de fechamento do ISE no final de novembro de 2020.

Investimentos ESG disponíveis no mercado brasileiro

Veja agora alguns investimentos ESG disponíveis no mercado brasileiro:

COE MS ESG ISXE50D

Trata-se de um Certificado de Operações Estruturadas (COE) com capital protegido. Ou seja, não há possibilidade de perda do valor investido na data do vencimento.

O ativo subjacente a esse investimento é o EURO iSTOXX Environmental 50 Equal Wieght NR Decrement 5% EUR Price Index. O indicador acompanha as empresas ESG pioneiras da Zona do Euro, cujas iniciativas são comprometidas com as metas de sustentabilidade da ONU.

Esse COE possui alavancagem de 4,4 vezes. O investimento inicial é de R$ 5 mil, e o prazo da operação é de cinco anos, sem a possibilidade de resgate antecipado.

O prazo de reserva do COE termina em 22 de julho de 2021.

JGP ESG FIC FIA

Esse fundo busca investir em ações de empresas brasileiras que adotam rigorosos critérios ESG. Para isso, o fundo utiliza um questionário com mais de 100 perguntas a fim de entender detalhadamente as ações das companhias.

A aplicação mínima inicial é de R$ 100 mil. Quanto aos custos, o fundo possui taxa de administração de 2% e taxa de performance de 20% sobre o que exceder o benchmark. A gestão do fundo é da JGP Asset Management.

Equitas Selection Mão Amiga FIC FIA

Esse fundo, gerido pela Equitas Investimentos, replica a carteira do Equitas Selection. Porém possui um espaço para alocar parte do patrimônio em posições vendidas de ações e ativos internacionais.

Em relação aos custos, há taxa de administração de 1,6% e taxa de performance de 20% sobre o que exceder o IBOV. A aplicação mínima é de R$ 5 mil, com resgate em D+30.

SulAmérica Total Impacto FIA

Para participar dos ativos do fundo, as empresas precisam participar de, pelo menos, dois índices de sustentabilidade da B3. Depois disso, ainda passam pela análise de indicadores financeiros.

Segundo a gestora, o objetivo do fundo é aliar liquidez à rentabilidade e baixo risco. O aporte mínimo inicial é de R$ 100 e o resgate o ocorre em D+3. Por fim, a taxa de performance é 1,2% e não há cobrança de taxa de performance.

Constellation Compounders ESG FC FIA ACS

A gestora do fundo é a Utor Asset Management. Da mesma forma, a seleção das empresas que compõem o patrimônio do fundo está baseada no seu crescimento sustentável, seguindo as práticas ESG.

Quanto aos custos, a taxa de administração é de 0,50% e a taxa de performance é de 15% sobre o que exceder o IPCA + yield IMAB5+. Esse fundo é destinado a investidores qualificados.

MAG Global Sustainable FIC FIM IE

Esse FIC investe no fundo offshore Aegon Global Sustainable Equity Fund. Nesse sentido, a alocação atual do portfólio é de mais de 30% no setor de tecnologia, 20% em saúde e 20% na indústria.

A gestora do fundo é a Mongeral Aegon Investimentos. Para investir no FIC, o aporte mínimo inicial é de R$ 1.000, a taxa de administração é de 0,7% e não há cobrança de taxa de performance.

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