Entenda como funciona o Índice Small Cap e porque você deveria ficar de olho nestas ações

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Divulgação

É muito comum ouvir no noticiário econômico que o Ibovespa caiu ou subiu em um determinado dia. Pois é, esse índice é conhecido pela maioria dos investidores. Em poucas palavras, representa o desempenho de uma carteira com as principais ações negociadas na Bolsa. No entanto, o que muitos desconhecem é que existe outro índice, tão importante quanto, que representa as companhias menores da B3, conhecido como Índice Small Cap.

Neste artigo, você vai entender o que é o Índice Small Cap, quando foi criado, ações que o compõem e muito mais.

O que é o Índice Small Cap?

O Índice Small Cap, representado pela sigla SMLL, é o resultado de uma carteira teórica de ações e units de empresas de baixa capitalização.

Ou seja, esse índice acompanha e reflete o desempenho de papéis de companhias menores.

Na prática, ele funciona como uma referência para medir o desempenho das ações que compõem seu portfólio.

Então, ele pode ser uma ferramenta muito útil para quem investe em ações small caps. Isso porque serve como termômetro para analisar a tendência do mercado.

Quando foi criado o Índice Small Cap?

Antes de mais nada, o Índice Small Cap passou a fazer parte do mercado acionário brasileiro a partir do pregão de 1º de setembro de 2008.

Assim, a carteira de ações composta por esse índice é reavaliada de quatro em quatro meses.

Dessa forma, para se manter atualizado, é interessante verificar essa informação, periodicamente, no site da B3.

Ações do Índice Small Cap

Atualmente, mais de 400 empresas estão listadas na bolsa de valores brasileira. Mas, dessas ações, em janeiro de 2021, 101 faziam parte da carteira teórica do SMLL.

No entanto, o número de ações que compõem a carteira teórica do índice não é rígido. Ou seja, pode variar a cada quadrimestre.

Além disso, nem todas as ações possuem a mesma participação na composição da carteira, que depende diretamente do valor de mercado da companhia.

Entre as ações mais representativas da carteira teórica válida para o quadrimestre de janeiro a abril de 2021 estão:

Eneva (ENEV3)

A Eneva é uma companhia integrada de energia que atua nos segmentos de geração, exploração e produção de petróleo e gás natural e comercialização de energia elétrica.

A companhia é resultado da fusão da MPX Energia e OGX Maranhão, ambas sociedades que pertenciam ao Grupo EBX, do ex-bilionário Eike Batista.

Seu lançamento no mercado de ações aconteceu em dezembro de 2007.

  • Participação no SMLL: 5,97%
  • Valor de mercado: 20,25 bilhões
  • Variação em 2020: 42%

Azul (AZUL4)

Já a Azul é uma companhia aérea brasileira fundada e homologada em 2008 por David Neeleman.

Atualmente, ela é classificada como a terceira maior companhia aérea do Brasil em número de passageiros. Além disso, é a segunda maior em frota de aeronaves e a maior em número de destinos oferecidos.

Por fim, vale lembrar: a Azul fez sua estreia na B3 em 2017.

  • Participação no SMLL: 3,758%
  • Valor de Mercado: 13,31 bilhões
  • Variação em 2020: -34%

Yduqs (YDUQ3)

A Yduqs, antiga Estácio de Sá, é uma holding com foco no ensino superior, fundada em 1970 no Rio de Janeiro.

Em 2018, a Yduqs era a segunda maior empresa de educação superior no país. Isso considerando o número de alunos e receita. Ficava atrás apenas da Kroton Educacional.

Em 2007 a companhia realizou seu IPO, no segmento Novo Mercado da Bolsa.

  • Participação no SMLL: 2,956%
  • Valor de mercado: 10,3 bilhões
  • Variação em 2020: -36%

PetroRio (PRIO3)

A PetroRio é uma companhia com foco na produção de petróleo e gás, no investimento e na recuperação de ativos em produção.

Atua ainda na gestão eficiente de reservatórios e no desenvolvimento de campos maduros e produção, exploração, comercialização e transporte de petróleo e gás natural. Atualmente, ela é a maior petroleira privada do Brasil.

Em 2010, a PetroRio abriu seu capital na Bolsa de Valores.

  • Participação no SMLL: 2,872%
  • Valor de mercado: 10,5 bilhões
  • Variação em 2020: %

Locaweb (LWSA3)

Já a Locaweb é uma empresa de hospedagem de sites, serviços de internet e computação em nuvem, líder no Brasil e na América Latina.

Em janeiro de 2020, a Locaweb realizou um IPO para entrar na Bolsa.

  • Participação no SMLL: 2,8%
  • Valor de mercado: 14,48 bilhões
  • Variação em 2020: %

Por fim, no site da B3 é possível encontrar todas as ações que compõem o Índice Small Cap, bem como outras informações. Para acessá-las, clique aqui.

Quais ações podem compor o Índice Small Cap?

Para regulamentar a composição da carteira do SMLL, usa-se uma metodologia estabelecida pela B3.

Sendo assim, para entrar no Índice Small Cap, o ativo precisa se encaixar nos seguintes critérios:

  • Estar entre os ativos que, em ordem decrescente, estejam classificados fora da lista dos que representam 85% do valor de mercado de todas as empresas listadas na B3;
  • Ter presença em 95% dos pregões, no período de vigência das 3 carteiras anteriores;
  • Não ser classificado como “Penny Stock”, ou seja, não pode ter uma cotação abaixo de R$ 1;
  • A ação precisa estar entre as 99% mais negociadas na Bolsa de Valores.

Não estão incluídos nesse universo BDRs e ativos de companhias em recuperação judicial ou extrajudicial, regime especial de administração temporária, intervenção ou que sejam negociados em qualquer outra situação especial de listagem.

Por fim, vale destacar ainda que a B3 realiza, de tempos em tempos, uma avaliação dos papéis a fim de verificar quais empresas continuam atendendo aos critérios acima.

Desempenho do índice

Qual o desempenho histórico do SMLL?

Em 2020, pouco antes do isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus, o Índice Small Cap atingiu sua máxima histórica, próximo aos 3.200 pontos.

Contudo, somente no mês de março do mesmo ano, o índice desabou quase 35% em meio a uma crise financeira e sanitária que atingiu o mundo inteiro.

Mesmo com a forte queda do período, o SMLL conseguiu recuperar praticamente todo o prejuízo. Assim, retomou ao patamar do início do ano, fechando 2020 praticamente no zero a zero.

Fonte:B3

Dessa forma, como é possível observar no gráfico acima, o índice Small Cap funciona como um termômetro. Mede tanto o otimismo quanto o pessimismo dos investidores e do mercado financeiro.

Dito de outro modo, ele reflete bem as expectativas dos investidores quanto ao desempenho futuro de uma economia.

Prova disso, foi a forte queda provocada no índice em meados de 2020.

Comparação entre o Índice Small Cap e o Ibovespa

O Índice Small Cap pode ser usado também para fazer um comparativo com outros índices de referência na Bolsa de valores, como o Ibovespa.

O Ibovespa é o mais importante indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa.

Esse índice é formado pelas ações com maior volume negociado nos últimos meses e que correspondem a cerca de 80% do número de negócios na B3.

Dessa forma, o Ibovespa serve de termômetro para as ações de grandes companhias do mercado. Por outro lado, o Índice Small Cap avalia o desempenho das ações small cap. Ou seja, de empresas com menor capitalização e consequentemente, menor porte.

O gráfico abaixo traça um paralelo entre o SMLL e o IBOV nos últimos cinco anos e mostra a rentabilidade auferida pelos dois índices no período.

Fonte:B3

Entendendo o gráfico

A linha azul reproduz o desempenho do índice SMLL desde fevereiro, enquanto a linha vermelha reflete o IBOV para o mesmo período.

Pelo gráfico é possível concluir que o histórico de desempenho dos dois índices caminha no mesmo sentido, de forma muito próxima.

No entanto, no último ano o Índice Small Cap descolou do Índice Bovespa, ganhando vantagem no acumulado dos últimos 5 anos.

O SMLL valorizou 165,57% desde fevereiro de 2016. Já o Ibovespa, para o mesmo período, avançou 144,54%.

Já em 2020, o índice SMLL queda de 1%, perdendo de leve para o Ibovespa, que fechou o ano em alta de 3%.

Apesar do bom desempenho no acumulado dos 5 anos, precisamos alertar que o SMLL sofre uma oscilação maior quando comparado ao Ibovespa.

Além disso, é importante ressaltar que o SMLL é um índice de ações de retorno total.

Ou seja, o índice não reflete apenas as variações nos preços dos ativos que fazem parte do índice. Também reflete os impactos trazidos a partir da distribuição de proventos das empresas.

Dito de outra forma, por ter a característica de retorno total, no Índice Small Cap o investidor também recebe, na forma de reinvestimento, juros sobre o capital e dividendos.

Como investir no Índice Small Cap?

Como visto antes, o SMLL é um indicador de desempenho do mercado. Logo, ele não é um ativo que pode ser negociado diretamente na B3.

No entanto, muitos investidores buscam comprar ativos de empresas menores atraídos pela possibilidade de crescimento e lucros acima da média. O que muitos esquecem é que as small caps oferecem também maiores riscos e oscilações.

Para diluir os riscos nesse tipo de investimento, uma forma de aplicar em small caps é por meio da compra de fundos de índice de ações. Este investimento é conhecido como ETF (Exchange Traded Fund), cujo objetivo é replicar a rentabilidade da carteira do SMLL.

Outra opção ainda seria investir por meio de fundos de investimentos que aplicam em small caps.

ETFs

Atualmente, é possível encontrar na B3 dois tipos de fundos ETFs que replicam o índice de Small Caps. Além do SMAL11 (iShares BM&FBovespa Small Cap Fundo de índice), há o SMAC11 (It Now Small Fundo de índice).

Entre as principais diferenças entre eles, o SMALL11, negociado desde de 2008, é um ETF oferecido pela gestora americana BlackRock.

Por outro lado, o SMAC11 foi criado em 2020 pelo Itaú como mais uma alternativa..

Para investir no SMALL11, o investidor vai precisar pagar uma taxa de administração de 0,69% ao ano. Enquanto isso, investir no SMAC11 custará uma taxa de administração de 0,5% ao ano. Portanto, é uma das mais baixas quando comparadas com a média dos fundos de ações.

No entanto, independentemente da escolha pelo SMAC11 ou SMALL11, investir em ETF de Small Cap é uma forma eficaz de aplicar em uma cesta de ações sem a necessidade de comprar cada uma das ações que compõem o SMALL.

Quanto aos riscos, ambos os ETFs podem apresentar fortes oscilações, assim como as ações. Além disso, precisa ser considerado ainda o risco de liquidez, sobretudo em momentos onde o mercado não está favorável.

Vale lembrar que, por ser um fundo de gestão passiva, o portfólio desse tipo de índice sempre vai buscar espelhar de maneira o mais fiel possível o índice small cap.

Logo, se uma determinada ação da carteira do SMLL, de grande peso no índice, tiver um desempenho excepcionalmente bom ou ruim, o ETF provavelmente vai refletir esse movimento.

Fundo de investimentos em Small Caps

Outra alternativa de investimento indireto que merece atenção são os fundos de investimentos em small caps.

Em outras palavras, eles nada mais são do que fundos de investimentos que têm as empresas de menor capitalização em seu portfólio.

Desse modo, ao adquirir cotas desse tipo de fundo o investidor consegue se posicionar de forma a aumentar sua rentabilidade. Ao mesmo tempo, conta com o apoio de uma equipe especializada em garimpar bons ativos subavaliados.

No que se refere aos riscos dos fundos small caps, pode haver demora para a obtenção de rentabilidade.

Em síntese, uma vez que as empresas estão em crescimento é comum que as ações permaneçam mal precificadas por muito tempo.