Small caps: como investir em pequenas empresas com alto potencial de ganhos

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores
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Em busca de retornos que superem a renda fixa, é cada vez maior o número de investidores que migram para a Bolsa de Valores. Muitos procuram maiores lucros com ações, sendo elas blue chips ou small caps. Mas, em meio a um oceano de alternativas para investir, qual será a melhor opção?

Para ajudar nesta busca, a EQI Investimentos preparou o Small Caps Summit, evento totalmente online e gratuito, que ajudará você a encontrar a próxima gigante da bolsa antes dos demais investidores.

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Você já deve ter ouvido falar em blue chips. Afinal, ao pensar em investir, muitas pessoas se lembram de grandes companhias, como Petrobras e Vale. No entanto, o que muitos desconhecem é que são centenas de empresas menores com ações no mercado, distribuídas entre diversos segmentos.

Abaixo, preparamos um guia completo onde você vai entender as principais características, vantagens e riscos de uma small cap. Em resumo, são ações de pequenas companhias que estão sendo negociadas na Bolsa de Valores. Também vai descobrir como investir em uma small cap e se realmente vale a pena ter esse tipo de ação em carteira.

1. O que são small caps?

Small caps são ações de empresas que possuem baixa capitalização no mercado. Em outras palavras, significa dizer que elas possuem um valor de mercado menor na Bolsa. As ações small caps costumam ser conhecidas também como ações de segunda ou terceira linha.

Essa classificação quanto ao valor de mercado é muito utilizada pela Bolsa. As companhias são divididas em três grupos: small caps, mid caps ou large caps.

Para calcular o valor de mercado, usamos a seguinte fórmula:

Capitalização da empresa = Total de ações x preço unitário

Em geral, o mercado considera que empresas com capitalização abaixo de US$ 1 bilhões como pouco capitalizadas. Logo, elas são classificadas como small caps.

Já a large cap (empresa com alta capitalização) geralmente tem um valor de mercado acima de US$ 10 bilhões. Portanto, a classificação não necessariamente possui relação com a qualidade da companhia, e sim com o porte dela.

Diante disso, ações de empresas como Lojas Marisa, Arezzo, Centauro, Embraer, Locaweb e Marfrig – empresas bem conhecidas do consumidor – são classificadas atualmente como small caps.

Muitas delas também são de companhias iniciantes na Bolsa de Valores. Por esse motivo, esses papéis possuem baixa liquidez e volume de negociação menor.

Há ainda companhias com mais tempo de mercado, mas que se encontram em situações complexas, como recuperação judicial.

Por levar em conta o preço de mercado e o volume de ações emitidas, essa classificação é dinâmica, mudando a todo momento.

Então, se uma ação custa hoje R$ 10 e, na semana seguinte, sobe para R$ 16, isso influencia o valor de mercado da empresa e, consequentemente, sua classificação.

Diferenças entre small caps e blue chips

Small caps e blue chips apresentam diferentes potenciais de risco e retorno. Então, a estratégia utilizada por ambas também deve ser diferente.

Valor de mercado

Como visto acima, small caps são ações que possuem valor de mercado mais baixo. Por outro lado, as blue chips estão inseridas dentro do conceito de large cap. Sendo assim, correspondem às ações com maior valor e consequentemente, com mais negócios na Bolsa.

Atualmente, entre as principais blue chips brasileiras podemos citar:

  • Petrobras
  • Weg
  • Itaú
  • Engie
  • Gerdau
  • Suzano
  • Raia Drogasil

Por serem as mais negociadas no mercado, as blue chips também são as que possuem o maior peso no índice Ibovespa. Representam as ações mais líquidas do mercado.

Dividendos

Uma grande diferença entre blue chips e small caps é quanto ao pagamento de proventos, como dividendos e juros sobre o capital próprio.

As ações blue chip normalmente fornecem dividendos regulares e que crescem de forma constante. Por outro lado, as small caps, muitas vezes, não fornecem dividendos aos investidores, ou quando pagam, os valores são baixos.

E isso tem explicação. Essas empresas são construídas inicialmente para crescer de forma agressiva. Diante disso, os lucros que elas geram são reinvestidos no negócio, em vez de repassá-los aos investidores.

Então, os acionistas de empresas em crescimento optam por aceitar a falta de dividendos como uma compensação pela expectativa de ganho que a small caps lhes proporcionará à medida que a empresa se fortalece.

Já as grandes corporações tendem a crescer mais lentamente do que as de small caps. Por isso mesmo, conseguem equilibrar melhor a distribuição de dividendos.

Liquidez

Outra diferença é que, normalmente, blue chips são companhias estáveis e consolidadas, com forte geração de caixa e boa governança corporativa. Sendo assim, essas companhias costumam apresentar resultados operacionais mais consistentes e boas distribuições de lucros.

Como a demanda por esse tipo de ação é maior, elas costumam ter liquidez mais alta. É diferente do que acontece com uma small cap, cujo mercado não tem tanta procura.

Desse modo, a falta de liquidez pode ser um problema para as ações de small caps. O investidor pode levar mais tempo para comprar ou vender determinada ação.

Então, por oferecer mais segurança, o preço das ações blue chips tendem a oscilar menos que o de ações small caps.

Afinal, durante períodos difíceis do mercado, é natural que os investidores se tornem mais avessos ao risco e migrem para ações que ofereçam mais qualidade e estabilidade. Ou seja, é natural que aumente a demanda por blue chips em detrimento das small caps.

Transparência

Outro ponto que precisa ser considerado diz respeito à transparência. Grandes companhias são tipicamente transparentes, facilitando com que os investidores encontrem e analisem informações públicas sobre elas.

Em sentido contrário, pequenas corporações nem sempre conseguem oferecer a mesma qualidade de informação.

Por fim, o mercado de small cap é um lugar onde o investidor individual tem vantagem sobre  investidores institucionais.

Como compram grandes blocos de ações, os investidores institucionais não se envolvem com tanta frequência em ofertas de companhias pequenas.

2. Como investir em small caps

Investir em small caps é uma dúvida que ronda muitos investidores que estão em busca de opções mais lucrativas para diversificar sua carteira de investimentos.

Existem diversas formas de investir dinheiro em small caps. Comprar ações, esperando pela sua valorização, é apenas uma delas.

Você pode investir, basicamente, por três caminhos distintos:

1. Ações

Em primeiro lugar, antes de investir em uma small cap – ou em qualquer outro tipo de ação – é necessário ter uma conta com saldo em uma corretora. A partir disso, a compra das ações é feita por meio da plataforma da corretora escolhida diretamente ligada ao pregão da Bolsa.

Levando em conta os objetivos do investidor, o passo seguinte é estabelecer uma estratégia alinhada com a aquisição de small caps.

Uma dica aqui é conferir se os analistas da sua corretora acompanham as ações de empresas desse segmento.

Isso é especialmente importante no caso de small caps, pois, muitas vezes, essas companhias não estão sob os holofotes. Então, ter uma fonte de informação segura e confiável pode ser um diferencial.

2. ETFs

Outra forma simples de se expor em ações small caps é por meio da compra de fundos de índices, também conhecidos como ETFs. Esse tipo de fundo tem como característica predominante replicar a carteira de índices, como o Ibovespa e o Ifix.

No que se refere às small caps, a B3 oferece atualmente dois tipos de fundos ETFs: o SMAL11 (iShares BM&FBovespa Small Cap Fundo de Índice) e o SMAC11 (It Now Small Fundo de Índice).

Ambos replicam o desempenho de uma carteira teórica de small caps da B3, representado pelo índice SMLL.

A diferença é que o SMALL11, negociado desde de 2008, é um ETF oferecido pela gestora americana BlackRock. Já o SMAC11 foi criado em 2020 pelo Itaú como mais uma alternativa para quem deseja investir em companhias com ações small caps.

Entre as vantagens desse ETF está a possibilidade de investir em uma carteira diversificada e assim diluir os riscos do investimento.

Ao mesmo tempo, o custo de aquisição do ativo é baixo. Isso porque a taxa de administração cobrada é de 0,50% ao ano, uma das mais baixas quando comparadas com a média dos fundos de ações.

3. Fundos

Para quem ainda não domina muito bem o processo de investir ou não dispõe de muito tempo para garimpar bons ativos, outra opção interessante é investir em small caps por meio de fundos de investimentos.

Os fundos de investimento compostos por essas ações podem ser uma boa alternativa para quem deseja investir nesses papéis sem se arriscar tanto.

Outra vantagem que essa classe de ativos oferece é ser administrado por um gestor que conhece bem o mercado financeiro, isso livra o investidor de se preocupar com uma série de burocracias e análises complexas.

Entre elas, os gestores buscam por companhias com valor intrínseco acima do valor de mercado. Em outras palavras, significa dizer que o gestor rastreia boas empresas que ainda não foram reconhecidas como tal pelo mercado.

Para adquirir esse tipo de fundo, basta ter conta em uma corretora de valores. Vale lembrar, no entanto, que as cotas são negociadas fora do ambiente de home broker (plataforma de compra e venda de ações), ou seja, não estão na Bolsa.

Além disso, só pode ser classificado como fundo de small caps quando pelo menos 85% das ações da sua carteira não estiverem entre os 25 principais papéis do IBrX (índice formado por ações com maior liquidez e valor de mercado da Bolsa).

Via de regra, a taxa de administração de um fundo de small cap costuma ser mais alta do que as de ETFs.

3. Vantagens de se investir em small caps

Investir em ações small caps pode ser uma boa estratégia para quem busca alto potencial de valorização. Isso porque é mais fácil para uma empresa pequena ter um forte crescimento do que isso ser visto em uma empresa grande.

Imagine uma pequena empresa de capital aberto que fature anualmente R$ 500 milhões. É mis provável ela dobrar suas vendas do que ocorrer isto em uma grande corporação que fature R$ 10 bilhões ao ano.

Além disso, muitas dessas companhias pequenas são inovadoras ou atuam em setores ainda não consolidados. Isso aumenta ainda mais a expectativa de crescimento.

Vale destacar que muitas das empresas que hoje estão na Bolsa, com o título de grande companhia, um dia já foram small caps.

Prova disso, são as ações da varejista Magazine Luiza. Quando começaram a ser negociadas, em 2011, os papéis da companhia não passavam de alguns centavos. Muitos anos e desdobramentos depois, a Magazine fechou 2020 com um preço em torno de R$ 25 por ação.

Assim como a varejista, outras empresas também são esquecidas pelos investidores até despontarem no mercado. A distorção no preço desta ação pode ser vista como uma vantagem. Isso porque, em virtude das incertezas relacionadas às small caps, é comum elas ficarem com o preço abaixo do seu valor patrimonial.

Isso significa que as small caps podem ser ações mais baratas. Assim, em um caso de perspectiva positivas, elas têm um espaço grande de alta.

Além disso, como empresas menores possuem uma equipe proporcionalmente menor, elas conseguem se adaptar mais rapidamente às mudanças de mercado.

Outro ponto positivo é o preço. Normalmente, a ação small cap é mais barata do que a blue chip. Ou seja, você pode começar a investir com menos dinheiro.

4. Riscos de investir em small caps

Apesar de oferecer vantagens consideráveis, investir em small caps será sempre mais arriscado do que apostar as fichas em uma large cap. Dessa forma, é essencial que você analise todos os pontos positivos e negativos para tomar uma decisão.

Entre as desvantagens mais significativas podemos citar as seguintes:

  • Forte oscilação: do mesmo modo que se valorizam em um percentual maior, esses papéis apresentam riscos de maior oscilação negativa.
  • Baixa liquidez: essas ações costumam ser menos negociadas na Bolsa, com isso, o investidor pode encontrar maior dificuldade em vender os papéis e encerrar seu investimento.
  • Crescimento incerto: geralmente empresas small caps costumam ser iniciantes na Bolsa, ou que estão passando por dificuldades, como recuperação judicial ou operação comprometida.
  • Incerteza: uma empresa muito nova na Bolsa de Valores não possui dados o suficiente para uma análise mais aprofundada. Com isso, o investidor pode ter dificuldade em precificar a ação e avaliar seu potencial. Além disso, por não possuir a solidez de uma large cap, o risco de que algo possa dar errado ao longo dos anos é muito maior.

5. Como escolher uma small cap

Agora que você já sabe o que é uma small cap, como investir, suas vantagens e riscos, descubra como fazer a melhor escolha.

Em primeiro lugar, antes de escolher qualquer qualquer ação para investir é preciso ativar a paciência para encontrar uma boa oportunidade.

Isso porque o investidor precisa analisar mais detalhadamente as características de cada empresa e o seu potencial de valorização.

Ou seja, ainda que você tenha descoberto uma small cap com boa oportunidade, mas o mercado ainda não enxergou essa chance de lucro, a tendência é que a ação demore para decolar e valorizar.

Além disso, antes de escolher qual a melhor small cap para investir, leve em conta as seguintes dicas:

  • Conheça a empresa na qual deseja investir

Atualmente, muitas empresas negociam suas ações na Bolsa de Valores. Então, ao mesmo tempo em que é possível encontrar boas oportunidades, não faltam opções ruins.

Entre elas, algumas são conhecidas no mercado com a denominação de “mico”. Estas empresas carregam consigo graves crises financeiras ou de governança. Então, se quiser evitar problemas, fuja delas!

Desse modo, é essencial conhecer a companhia antes de investir em ações.

Isso pode ser feito buscando o maior número de informações sobre ela, como histórico de cotações, segmento do negócio, principais acionistas, histórico de pagamento de proventos, entre outros.

  • Acompanhar o desempenho das empresas

Todas as companhias com capital aberto precisam, obrigatoriamente, publicar suas demonstrações financeiras a cada três meses.

Essas informações podem ser obtidas no site da empresa, na parte de relações com investidores, onde é possível analisar os balanços e demais fatos relevantes sobre a companhia.

Essa é uma ação importante para quem deseja investir em uma determinada empresa, tendo em vista que ela permite entender quais são os fundamentos da companhia.

Por meio das demonstrações contábeis, o investidor vai descobrir ainda se a empresa possui uma boa saúde financeira, a qualidade de sua gestão e a perspectiva para o longo prazo.

  • Buscar informação periódica

Todo bom investidor precisa de informações confiáveis à mão para tomar suas decisões financeiras.

Com as small caps isso se torna ainda mais primordial, pois as empresas são menores. Por isso, as informações não são tão propagadas como nas grandes empresas. Desse modo, acompanhar a empresa por meio de jornais especializados, podcasts e vídeos no Youtube pode ser uma boa ideia.

Além disso, analisar o segmento dentro de um contexto macroeconômico também pode ajudar a tomar boas decisões na hora de investir.

6. Small caps da Bolsa

É muito comum ouvirmos falar sobre o Ibovespa, índice que representa o desempenho de uma carteira com as principais ações negociadas na Bolsa. Mas você sabia que existe outro índice que representa as companhias menores da B3. É o Índice Small Cap, representado pela sigla SMLL.

Ele é o resultado de uma carteira teórica de ações e units de empresas de baixa capitalização. É uma ferramenta  útil para quem investe em ações small caps, pois serve como termômetro para analisar a tendência do mercado.

O SMLL foi criado em 1º de setembro de 2008 e é reavaliado de quatro em quatro meses.

Atualmente, mais de 400 empresas estão listadas na bolsa. Mas atualmente o SMLL reúne 111 companhias, empresas como Eneva, PetroRio, Azul, entre outras.

Para regulamentar a composição da carteira do SMLL, usa-se uma metodologia estabelecida pela B3.

Para entrar no índice, o ativo deve se encaixar em alguns critérios:

  • Estar entre os ativos que, em ordem decrescente, estejam classificados fora da lista dos que representam 85% do valor de mercado de todas as empresas listadas na B3;
  • Ter presença em 95% dos pregões, no período de vigência das 3 carteiras anteriores;
  • Não ser classificado como “Penny Stock”, ou seja, não pode ter uma cotação abaixo de R$ 1;
  • A ação precisa estar entre as 99% mais negociadas na Bolsa de Valores.

Não entram na carteira os BDRs e ativos de companhias em recuperação judicial ou extrajudicial, regime especial de administração temporária, intervenção ou que sejam negociados em qualquer outra situação especial de listagem.

7. Vale a pena investir em small caps?

Como visto antes, as small caps se referem a ativos de companhias com liquidez e capitalização menores. Como frequentemente esses ativos estão subavaliados devido à escassez de dados ou pelo fato de a empresa ser nova no mercado, o espaço para potencial ganho costuma ser muito grande.

No entanto, antes de investir em ações, independentemente do tipo, você precisa descobrir qual o seu perfil de investidor e quais são seus objetivos.

A partir daí, é possível traçar uma trajetória que alinhe o seu perfil à sua estratégia de investimentos.

Um investidor com perfil mais arrojado consegue tolerar melhor as oscilações de uma small cap. Ele conhece melhor o mercado e sabe lidar bem com as oscilações do papel.

Mas e se eu não tiver um perfil tão arrojado e ainda assim desejar investir em small caps? Uma boa opção pode ser a diversificação por meio de fundos de investimentos e ETFs.

Por outro lado, se o que você busca é uma empresa boa pagadora de dividendos, pense bem. Pagadoras de bons dividendos geralmente estão associadas a grandes corporações. Desse modo, companhias estáveis e estabelecidas são muitas vezes as empresas que os investidores escolhem nesta situação.

Assim, se o seu foco é exclusivamente o pagamento de dividendos, em geral não vale a pena investir em small caps.

Por fim, as small caps podem ter um futuro brilhante pela frente. Ao mesmo tempo, podem não corresponder às expectativas e o investidor corre o risco de perder muito dinheiro com isso.

Então, ressaltamos que independentemente de serem classificadas como blue chips, mid caps ou small caps, qualquer investimento em ações requer estratégia, disciplina e conhecimento do mercado.

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