Por que a Arezzo (ARZZ3) quer se unir com Hering (HGTX3)

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Divulgação

O interesse da fabricante de calçados e acessórios Arezzo (ARZZ3) pela varejista de moda Hering (HGTX3) – mesmo que rechaçado – agitou o mercado nesta quinta-feira.

Após disparar mais de 28% nesta quinta-feira (15), as ações da Hering desaceleraram um pouco os seus ganhos e, por volta das 14h, subiam 25,32%.

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Já os papéis da Arezzo avançavam 8,4%, enquanto o Ibovespa valorizava-se 0,62%, aos 121.042 pontos.

Mas por que as ações de Arrezo e Hering dispararam?

A resposta pode estar nos próximos passos em que essa negociação pode chegar. Há quem aposte que uma nova proposta possa ser coloca à mesa.

Ou ainda demonstrar que a Hering, que foi a queridinha dos investidores num passado recente, poderia estar voltando ao jogo, atraindo novamente a atenção dos investidores.

Hering ainda é opção atraente de aquisição

Analistas do Credit Suisse afirmam que a notícia pegou a maioria dos investidores de surpresa e que HGTX3 não seria uma empresa fácil de digerir.

Entretanto, eles também acreditam que a companhia se tornou um alvo de fusão e aquisição e estão negociando por baixo.

Para o Credit Suisse, existe a possibilidade de um aumento de preço na oferta. O timing ideal para a Arezzo seria enquanto as negociações estão perto das máximas históricas e a Hering se mantém abaixo do nível pré-pandemia.

“As maiores dúvidas que ficaram estão na linha de entender a disciplina de preços da Arezzo e qual o motivo da Cia Hering não ter deixado espaço para negociação.”

Já para os analistas da Guide Investimentos, a proposta demonstra que o alvo segue bastante cobiçado no mercado.

“Em todo caso, avaliamos que de fato o momento não é o mais adequado para a venda do controle da companhia, que segue em sua transformação digital”.

Enquanto isso, a Ativa reforça que as duas companhias no passado já trocaram expertises entre si. Dessa forma, não é algo tão “surpreendente essa possibilidade de fusão”.

“Do lado da Arezzo, por possuir um plano de ser uma plataforma de marcas, trazer uma marca de roupas que tem um mercado endereçavel nas classes B e C poderia ser uma boa jogada, entretanto o ativo da Hering possui uma marca mais fraca e isso deveria ser um ponto de atenção nessa possível fusão.”

Avaliação operacional

A Eleven Financial Research ressalta que a fusão das companhias traria diversos benefícios operacionais.

“A Arezzo se beneficiaria de ganhos de conhecimento do processo produtivo, principalmente de malharias, com alto grau de sinergia para alavancar a recém-adquiria operação da Reserva”.

Essa avaliação considera a experiência de longa data da Hering neste setor.

Além disso, as empresas em conjunto se beneficiariam de ganhos em escala, com melhores condições de negociações junto a fornecedores e outros stakeholders. A Eleven também afirma que diversas estruturas de backoffice poderiam ser integradas.

Mais positiva para Arezzo do que para Hering

De acordo com o J.P. Morgan, a proposta de compra ainda é mais positiva para a Arezzo do que para a Hering.

Em relatório divulgado nesta manhão, aponta que a empresa de calçados está buscando ampliar a participação no mercado de vestuário.

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“Vemos as notícias como positivas para Arezzo, enquanto nossas opiniões são misturadas para Hering. Para a Arezzo, vemos isso como uma forte indicação de que a empresa continua buscando ativamente fortalecer sua presença no segmento de vestuário após a aquisição da Reserva, o que também ressalta que a nova via de crescimento é significativa e pode gerar valor significativo para os acionistas.”

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Valor de mercado

Conforme detalhes apresentados após o declínio da oferta, a Arezzo ofereceu R$ 26,75 milhões em ações.

A relação de troca seria de 0,1686 ações ordinárias da companhia por ação da Hering. Além disso, também uma parcela em dinheiro de R$ 1,29 bilhão.

A Arezzo considerou um prêmio de 20% sobre o preço médio ponderado da Hering nos últimos 90 dias na B3. No total, a oferta ficaria em R$ 3,29 bilhões. De acordo com os comunicados divulgados, o pagamento seria 41% em dinheiro e o restante em ações, numa equivalência de 21,2% da companhia.

O valor atual de mercado da Hering é de R$ 2,78 bilhões. Entretanto, o conselho da empresa considerou que a relação de troca está distorcida por conta da pandemia.

Em sua negativa, a companhia disse que o conselho de administração, “com assessoria do BR Partners e Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados, decidiu por unanimidade (…) rejeitar a proposta, por considerar que ela não atende ao melhor interesse dos acionistas e da própria companhia”.

Por outro lado, a empresa também afirma que vai manter seu plano estratégico de combinar construção de marcas e expansão. Além de buscar crescimento orgânico e “oportunidades inorgânicas”.

(Com Rodrigo Petry)

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