Gestores apostam na alta, mas com hedge para proteger a carteira

Ronaldo Araújo
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Crédito: Reprodução/QuoteInspector.com

No mundo dos investimentos em renda variável, a exposição ao risco é inevitável. No entanto, ele pode ser minimizado por ocasião de operações de hedge. Elas servem para dar proteção a uma carteira a fim de evitar grandes perdas em caso de movimento contrário.

Este artigo tem a finalidade de mostrar a você o que é e como funciona uma operação de hedge. Você saberá melhor quando deve montar uma operação desse tipo. Além disso, saberá também quais são as principais modalidades de hedge existentes.

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O que é hedge?

Entender o que significa uma estratégia de hedge pode parecer difícil à primeira vista, mas de fato não o é. Especialmente nos mercados de renda variável, as operações de hedge servem para proporcionar proteção à exposição causada pela alocação em um ativo principal. 

Em outros termos, podemos dizer que montar uma operação de hedge significa proteger o próprio capital contra movimentações bruscas de mercado em direção desfavorável ao investidor. Um exemplo pode ajudar a entender melhor o assunto.

Imagine uma empresa importadora que precisa honrar seus compromissos usando o dólar para isso. Normalmente, os valores são pagos em um futuro próximo, com intervalos de meses. 

Assim, uma alta na cotação da moeda pode afetar negativamente o caixa da organização. Como forma de se proteger dessa oscilação, a companhia pode comprar contratos futuros de dólar, amenizando as perdas de uma eventual alta nos preços.

Qual é o mecanismo de funcionamento envolvido no hedge?

Fazer uma operação de hedge pode ser algo simples, desde que os conceitos envolvidos sejam devidamente entendidos. Nesse sentido, existem basicamente duas formas de montar operações desse tipo. Veremos as duas com maiores detalhes a seguir.

A primeira maneira de fazer hedge em uma carteira pode ser “travando” o preço de venda de determinado ativo. Travar um preço significa estabelecer que a negociação ocorrerá em um determinado nível de preço e ponto final. Se o mercado subir, a alta não será aproveitada. Mas se o mercado cair, não haverá prejuízo. No final das contas, a estratégia serve para trazer previsibilidade ao caixa.

Operações desse tipo geralmente são feitas no mercado futuro com a utilização das opções. Elas são contratos com data e preço pré definidos e podem ser “lançadas” sobre uma infinidade de ativos, desde ações até o mercado de commodities. Como o preço dessas últimas são dados pelo mercado internacional, o hedge das mercadorias torna-se quase que obrigatório.

A segunda forma mais comum de fazer hedge é assumindo posições que têm correlação inversa no mercado. Assim pode-se compensar a perda de um lado com ganhos do outro, mantendo a posição estável. O caso clássico de correlação inversa é da bolsa de valores brasileira com a cotação do dólar. Historicamente, quando um sobe o outro cai.

Que tipos de hedges existem?

A forma de realizar o hedge dependerá do mercado em que a posição está montada. Sendo assim, o formato adotado deve corresponder às características do ativo. Assim, podem ser feitas operações considerando desde uma carteira de ações até mesmo a negociação de commodities, passando pelas transações em dólar. Acompanhe.

Natural

O hedge natural é aquele que ocorre por conta de fatores intrínsecos ao mercado. Logo, não existe a necessidade de intervenção por parte de quem está exposto ao risco. Esse é exatamente o caso de organizações que vendem seus produtos e compram insumos na mesmo moeda, como é o caso do setor do agronegócio.

Ao mesmo tempo que a produção é vendida no mercado internacional em dólar, os fertilizantes também são comprados nessa moeda. Portanto, uma alta na cotação da moeda encarece a aquisição dos insumos. No entanto, beneficia a geração de receita, dado que as vendas serão feitas em valores maiores.

Cambial

Esse é uma das operações de hedge mais conhecidas, pois pode ser feita até mesmo em um simples caso de viagem de férias. Caso ela esteja planejada para um futuro próximo, o viajante pode investir na moeda como forma de preservar seu poder de compra quando estiver gozando de sua viagem.

Outra característica do hedge cambial é que há uma grande variedade nas formas de fazê-lo, algumas mais complexas e outras nem tanto. Podem ser utilizados os contratos futuros da moeda, opções em dólar, fundos cambiais ou a simples compra da moeda em casas de câmbio destinadas a esse fim.

Commodities

A realização de hedge para quem trabalha com commodities é simplesmente imprescindível. As operações são feitas no mercado futuro (que foi criado exatamente para isso) por meio de contratos derivativos. Eles têm esse nome porque derivam do ativo principal e servem para proteger seu preço no mercado à vista.

No Brasil, o principal expoente desse tipo de hedge é o agronegócio. Os produtos rurais podem proteger sua safra “travando” o valor da venda em um determinado preço. Isso traz previsibilidade ao caixa, porque mesmo que a cotação mude entre o período de colheita e venda, pode-se ter um valor de venda garantido independente de uma variação negativa.

Hedge com ações

Como bem se sabe, o mercado de ações apresenta uma volatilidade que pode alcançar elevados níveis a depender do cenário apresentado. No entanto, também é possível adotar posições de hedge a fim de proteger a carteira alocada nesses ativos. E de fato isso é feito pela maioria dos gestores de fundos com posições abertas em bolsa.

Essa é uma das formas de amenizar eventuais perdas. Os instrumentos utilizados para esse fim são diversos e contemplam desde operações puramente com opções ou mesmo de contratos futuros lançados sobre os índices de ações. O cuidado nesse último tipo de estratégia deve ser grande, pois a volatilidade desse instrumento financeiro é altíssima e recomendado apenas aos profissionais de mercado.

Qual é o posicionamento atual dos gestores em relação ao hedge praticado?

Um ótimo balizador de mercado para orientar eventuais posições de hedge é saber justamente o que os gestores de fundos têm feito em relação a proteção que praticam em suas carteiras. Nesse sentido, dois gestores expuseram suas estratégias atuais na 4ª edição da Money Week, ocorrida entre os dias 24 e 28 de maio de 2021.

Márcio Fontes, diretor e gestor do ASA Hedge, tem como principal posicionamento a aposta na alta das taxas de juros, particularmente nos Estados Unidos. Sua visão se justifica pela análise da curva de juros futuros, que indica um aumento do nível exercido entre o início de 2023 até o ano de 2026. 

Ainda segundo Márcio, existe uma forte possibilidade de fechamento de hiato apresentado pela curva, motivado pela interferência governamental sobre os gastos fiscais. O nível de juros praticado precisaria ser inevitavelmente elevado para segurar o fenômeno inflacionário em curso atualmente. A ideia é aproveitar esse movimento para proteger a carteira do fundo.

Hedge no mesmo mercado

Já Carlos Eduardo Rocha, CEO da gestora de recursos Occam Brasil, salienta que sua equipe busca sempre posições de hedge com a menor simetria de risco possível. Isso significa nunca montar uma posição de proteção hedgeando um mercado contra outro. A razão disso é que pode ocorrer perda de correlação entre eles e acarretar prejuízos.

Assim, as posições de hedge da gestora coordenada por Carlos Eduardo são sempre dentro de um mesmo mercado. Caso a posição seja em bolsa, a proteção é buscada na própria bolsa. Dessa forma, as vendas são diversificadas entre diferentes setores, sempre buscando empresas líderes. Carlos aponta o setor norte-americano de saúde e entretenimento como exemplos presentes em seu portfólio.

Além disso, também fazem parte da carteira de ativos da Occam Brasil empresas com forte geração de caixa, algo em torno de 15%. Além disso, o retorno sobre o capital investido também é avaliado, persistindo o percentual de 15% nessa variável. A ideia com isso é buscar retornos de pelo menos o percentual informado em um prazo de 12 meses.

As operações de hedge podem ser aplicadas de forma simples ou complexa, tudo depende da posição montada e dos objetivos do investidor. O certo é que todos aqueles que estejam expostos a algum tipo de risco busquem o hedge como forma de proteger seu patrimônio. Assim, é possível atuar no mercado de risco de forma controlada, evitando grandes perdas e auferindo mais lucro quanto possível.

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