Fundos de Crédito

Fundo de Crédito Privado

Como funciona, riscos, rentabilidade e muito mais!

Fundo de Crédito Privado
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Um Breve Resumo

Fundo de Crédito Privado é um tipo de fundo em que você pode investir, que possui parte relevante de seu patrimônio aplicado em títulos de renda fixa de emissores (empresas) privados.

Segundo as regras da CVM, se um fundo possui mais de 50% do seu Patrimônio Líquido alocado nesse tipo de emissor, deve levar em seu nome a expressão “Crédito Privado”.
Fundo de crédito privado

Ao longo do artigo, explicarei em detalhes o que é, os riscos, a rentabilidade e os pontos que devemos observar para montarmos uma boa alocação em fundo de crédito privado.

Fundo de Crédito Privado serve para meu perfil?

Fundos de Crédito Privado-Qual o seu perfil?


Antes de começarmos, vale lembrar que cada investidor tem um perfil diferente, e para cada perfil e necessidade de investidor há uma forma mais indicada, ou seja, um “melhor investimento”.

Neste artigo eu falo o que penso para o meu perfil e para os meus investimentos.
Para conhecer o seu perfil e receber uma sugestão mais adequada, sugiro que você faça um teste de Perfil antes de continuar a leitura.

Teste de Perfil

Visão Geral

Hoje no Brasil, a grande variedade de fundos de investimentos pode deixar o investidor confuso.

Para o investidor mais leigo, saber separar o que é um fundo de renda fixa de um fundo de ações (cambial ou imobiliário) já é o suficiente.

Porém, para o investidor que deseja cuidar de sua carteira de investimentos com maior proximidade, essas classificações genéricas não bastam.

Além dos já citados, existem fundos multimercados, de investimento no exterior, Referenciados, de Direitos Creditórios, etc.

Somente dentro da classificação “Multimercados” existem várias outras classificações como Macro, Long Short, Juros e Moeda, Quantitativo, Crédito Privado, entre outros.
Fundos de Crédito Privado

De modo a organizar esse universo e possibilitar ao investidor a comparação de fundos de mesma espécie, a CVM (Comissão e Valores Mobiliários) e a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) criaram classificações, de modo a agrupar fundos iguais ou muito semelhantes, dentro de classes próprias.

Para acessar a classificação da CVM e o conjunto de normas que regulam a classificação dos fundos de investimentos, clique aqui

Para acessar a nova classificação da ANBIMA, clique aqui

O chamado fundo de Crédito Privado é uma dessas classificações largamente utilizada no mercado de capitais e de fundos de investimentos.

Afinal, o que é um Fundo de Crédito Privado?

Segundo a CVM, um fundo que aplique mais de 50% do seu patrimônio em ativos de renda fixa, emitidos por emissores privados, deve conter as palavras “Credito Privado” junto ao nome do fundo.

Sendo mais recorrentes em fundos de Renda Fixa e Multimercados.

Fundos de Crédito Privado-Investimentos

E o que é Crédito Privado?

Bom, primeiramente, quando falamos em crédito, estamos dizendo que alguém emprestou dinheiro para outrem.
Algum investidor “deu crédito”, “confiou”, “emprestou” recursos para outra pessoa.

O investidor abriu mão de seu capital por um tempo e em troca recebeu a promessa de pagamento, devidamente descrita em um título (o chamado título de renda fixa).

No mundo dos investimentos, sempre quando falarmos em renda fixa, estaremos nos referindo a uma relação devedor-credor.
Renda fixa é assim denominada porque as condições de rendimento já estão predeterminadas em uma relação contratual.

Diferentemente da renda variável, onde não há rendimentos pré-acordados e garantidos por ninguém.

Fundos de Crédito Privado

Já a palavra privado se refere ao emissor, também denominado ‘devedor’.
Os emissores de títulos podem ser públicos (governo Federal, Estadual) ou privados (empresa ou uma pessoa física).

Neste artigo, quando nos referirmos a emissor privado, estaremos tratando necessariamente de empresas.

Sendo assim, um fundo de crédito privado é um fundo de investimento que contém mais de 50% de seu patrimônio investido em títulos de renda fixa emitidos por emissores privados.

Quais os riscos?

Fundos de Crédito Privado-Riscos no investimento

Naturalmente, um fundo de crédito privado possui risco de crédito.
Por risco de crédito podemos entender como o risco do calote, de inadimplência.
Esse risco pode ser reduzido por meio da diversificação dos emissores e da análise de crédito.


Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

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Um bom fundo de crédito possui um grande número de emissores em carteira.
Para entendermos esse aspecto, considere os dois fundos hipotéticos abaixo:

Fundos de Crédito Privado-Fundo 1

Fundos de Crédito Privado-Fundo 2

Qual é o fundo com maior risco de crédito?

Sem levarmos em consideração a probabilidade de calote (medida pela análise da qualidade do crédito dos emissores), logicamente que o fundo 1 apresenta maior risco, tendo em vista que o patrimônio líquido dele é concentrado em apenas 4 emissores.

Já o fundo 2, por dedução, possui mais de 40 emissores, pois 89% do patrimônio está distribuído em emissores que individualmente não somam mais de 2% da carteira do fundo, cada um.

O fundo 1, de uma hora para outra, pode amanhecer com uma perda patrimonial de 40% (se o Emissor A quebrar).
O fundo 2, de uma hora para outra, pode amanhecer com uma perda patrimonial muito menor, de “apenas” 7%.

Veja como um fundo com maior diluição entre mais emissores é mais seguro.

Agora, para ilustrar esse problema de concentração com um fundo real, observe as cotas do fundo “Banrisul Flex Credito Privado”:

Fundos de Crédito Privado-gráfico 1

Formulário de Contato

Durante o artigo, você também pode me enviar perguntas, através de um formulário como este:

Em janeiro de 2015 a empresa de engenharia OAS, envolvida na Operação Lava Jato e até então considerada de baixo risco pelo mercado, deixou de realizar o pagamento de suas debêntures.

Vários fundos de crédito privado de grandes e renomadas gestoras tiveram suas cotas afetadas por esse acontecimento, inclusive o fundo Banrisul Flex Credito Privado.

Bom, a perda do fundo felizmente não foi tão grande.
De um dia para o outro, o fundo perdeu aproximadamente 0,6% do seu patrimônio, justamente o tamanho da sua exposição nesse único emissor.

Fundos de Crédito Privado-perda

Observe, caro leitor, como a não-concentração foi particularmente importante nesse caso.

Existem fundos no mercado que possuem mais de 100 emissores.
Procure fundos pouco concentrados para diminuir o risco de um grande impacto decorrente de um único calote.

Outra forma de diminuir o risco de um fundo de crédito é a compra de papéis de renda fixa de emissores bons e confiáveis.

Essa escolha pode ser determinada pelos gestores dos fundos ou pelo próprio regulamento do fundo ao determinar a qualidade do crédito a que o fundo se propõe a comprar.

A qualidade do crédito, ou, em outras palavras, o risco do emissor, pode ser medido com o auxilio das agências classificadoras de risco.
Isso é chamado de Rating.

Podemos citar a Standard and Poors, a Fitch e a Moody´s.

Fundos de Crédito Privado-Standard and Poors, a Fitch e a Moody´s

Essas agências são pagas (pelos emissores, pelos compradores de títulos, entre outros) para emitirem suas opiniões sobre a confiabilidade e o risco de calote de determinado emissor.
Quando maior é a qualidade de crédito de um emissor, menos ele irá render, e vice-versa.

Por que isso? Porque se a empresa é classificada como mais confiável, oferecerá menor perigo de inadimplência e então os juros oferecidos pelo risco menor, são também menores.

O risco de um fundo de crédito é unicamente o risco de crédito?

Não. Os fundos de crédito privado podem estar expostos a outros tipos de risco, como de liquidez e de mercado.

Risco de liquidez:

Os fundos de crédito privado podem ter foco no curto prazo, com a possibilidade de resgates fáceis e rápidos.
Por outro lado, podem ter foco de longo prazo com pedidos de resgates demorando mais dias para serem processados.
Fundos de Crédito Privado-Liquidez

No caso de fundos com foco no curto prazo, o regulamento do fundo determina e o próprio gestor faz a seleção de ativos líquidos, facilmente vendáveis no mercado financeiro.

Para estes fundos, um pedido de resgate é atendido prontamente.
Se grande parte do patrimônio do fundo for sacado, este fato não se constitui em um problema pois os ativos da carteira são líquidos (vendáveis) e na hora da venda não sofrerão deságio.

Já no caso de fundos com foco no longo prazo, os ativos que compõem a carteira são menos líquidos.
Para serem vendidos, o gestor precisa de tempo, de modo a evitar a venda do ativo com deságio.

Quando um grande volume de saques ocorre ao mesmo tempo, o gestor é obrigado a liquidar à mercado (no preço do melhor comprador).

Muitas vezes, os ativos estão sem liquidez e para atrair compradores precisa aceitar um deságio no papel.

Infelizmente, a perda com o deságio é repassada ao valor da cota e o cotista que não solicitou o resgate também será punido.

Fundos de Crédito Privado-Longo prazo para resgate

Para ilustrar o problema de liquidez de um fundo de longo prazo, observemos a rentabilidade do fundo BTG Pactual Credito Corporativo I FIC de FIM CP.

No final de novembro de 2015 o principal CEO do banco foi preso pela operação lava-jato.
Logo em seguida, muitos cotistas solicitaram o resgate do fundo.

Esse fundo é um D+60, o que significa que os resgates pedidos hoje serão pagos em 60 dias.

Observem como a rentabilidade dos meses de janeiro e de fevereiro foi bem prejudicada, fazendo o fundo rodar a menos de 100% do CDI.

É o impacto negativo que a cota do fundo sofreu em função da venda à mercado de um grande volume de ativos com pouca liquidez.
Fundos de Crédito Privado-gráfico 2

Risco de mercado:

O risco de mercado se refere à oscilação (para cima ou para baixo) dos preços de mercado dos ativos que compõem a carteira do fundo.

Em um fundo de ações, por exemplo, podemos dizer que o principal risco é o risco de mercado, pois o preço das ações oscila a todo o momento.

Pouca gente sabe mas o preço dos títulos de renda fixa também oscila diariamente (logicamente, com volatilidade menor se comparado ao mercado de ações).

Em geral, quando a taxa de juros da economia sobe, os títulos de renda fixa se desvalorizam; quando a taxa de juros cai, os títulos se valorizam.
Fundos de Crédito Privado-Oscilações

Os títulos chamados pós-fixados, geralmente atrelados ao CDI, sofrem pouca oscilação de preço frente à oscilação dos juros.

Já os títulos prefixados e híbridos (IPCA+) podem sofrer grandes variações de preços frente à oscilação dos juros.

Quanto maior é o prazo para o vencimento dos títulos que compõem a carteira de um fundo, maior é o impacto (positivo ou negativo) na cota do fundo.

Para ilustrar um fundo com risco de mercado bem reduzido (pós-fixado) podemos pegar o fundo Exodus 180 FIC FIM Credito Privado.

Observe a evolução gráfica do preço da cota do fundo:
Fundos de Crédito Privado

Há oscilação da cota (sobe e desce) no decorrer do tempo?
Praticamente nenhuma.
Isso indica um risco de mercado muito reduzido, quase inexistente.

Agora, peguemos o exemplo do fundo XP DEBENTURES INCENTIVADAS CP FIC FIM:
Fundos de Crédito Privado-gráfico


Observem que, nesse segundo caso, há oscilação, o sobe e desce do preço da cota do fundo.

Nesse caso, é bem mais evidente o risco de mercado.
Aqui em específico, as cotas reagem positivamente à queda dos juros e negativamente à alta dos juros.

Qual a rentabilidade?

É fato que um fundo de crédito privado, justamente por possuir risco de crédito, deve render mais do que fundos de renda fixa sem risco de crédito.
Fundos de Crédito Privado-Qual a Rentabilidade

Mas, quais seriam rentabilidades justas para esses fundos?

Em geral, os fundos diferem suas rentabilidades de acordo com a liquidez.
Fundos de resgates mais rápidos normalmente renderão menos se comparados aos fundos de resgates mais demorados.

Outro fator que influencia na rentabilidade é a qualidade dos ativos em carteira.

Fundos que trabalham com ativos bem classificados pelas agências de rating terão rentabilidades menores se comparados a fundos que trabalham com ativos de classificação pior.

Podemos nos guiar, pela experiência de quem vos escreve, pela tabela abaixo, do que seria bom em termos de rentabilidade e liquidez:

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Denys Wiese

Denys Wiese, bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Santa Catarina (ESAG-UDESC) iniciou suas atividades profissionais no mercado financeiro em 2009 como operador de bolsa de valores. Já atuou como operador, assessor, professor e escritor, sempre em atividades ligadas às finanças. Entre 2014 e 2017, atuou também com consultoria tributária. Hoje é sócio fundador do site EuQueroInvestir, assessor de Investimentos da XP Investimentos (pelo AAI Indice Investimentos). Atua no segmento de alta renda, no aconselhamento e assessoramento em investimentos no mercado financeiro.
Contato: denys.wiese@euqueroinvestir.com

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