Fluxo cambial teve melhor janeiro dos últimos três anos, segundo BC

Paulo Amaral
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Crédito: lucrar com dólar

O Brasil registrou a entrada líquida de US$ 2,8 bilhões em janeiro, somatória que configurou o melhor fluxo cambial para um primeiro mês desde 2018.

A entrada total de dólares foi de US$ 3,622 bilhões, contabilizados investimentos em portólio e empréstimos.

A conta comercial, por sua vez, mostrou déficit de US$ 825 milhões no período.

Além de ter registrado o melhor fluxo cambial para um mês de janeiro nos últimos três anos, o Brasil também foi o melhor desde maio (US$ 3,080 bilhões).

A conta dos últimos 12 meses segue negativa, com o Brasil perdendo US$ 24,743 bilhões.

O número vem melhorando, no entanto, já que, em agosto, o saldo negativo batia em US$ 53,5 bilhões, fruto de uma debandada de capital impulsionada pela pandemia.

A saída líquida de 2020 fechou em quase US$ 28 bilhões pelo câmbio contratado, segundo pior resultado da história. Além disso, configurou o terceiro ano consecutivo de perda de recursos.

A posição cambial líquida do BC caiu a US$ 287,956 bilhões em janeiro, de US$ 299,450 bilhões no mês anterior, configurando o menor patamar desde pelo menos janeiro de 2018.

Quem se deu bem com a alta do dólar?

A alta do dólar e do euro foi expressiva em 2020. Após a queda causada pelo momento inicial da pandemia por conta do surgimento do novo coronavírus, ambas as moedas se recuperaram bem e rapidamente.

O euro valorizou 40% no ano passado e o dólar fechou o ano com alta de 29,17%. Isso aconteceu porque, em momentos de crise, as pessoas tendem a buscar por ativos chamados de “risk off” (livres de risco).

Esses ativos são os mais consolidados e sofrem menos risco de percas. Geralmente, eles estão nos EUA e na Europa. Por isso, ocorreu a valorização de ambas as moedas.

Fundos cambiais que mais se valorizaram

Segundo levantamento da consultoria Economática, os fundos que entregaram melhor retorno no último ano foram os com foco em euro, a moeda que mais sofreu valorização.

O fundo BB Top Euro ficou em primeiro lugar, com 35,90% de retorno. E BB Cambial Euro em segundo, com 34,53%. Logo em seguida, temos uma série de fundos de dólar.

Fabian Fávero, assessor EQI, lembra ainda que não foram só os fundos cambiais que se deram bem com a alta do dólar e do euro.

“Foram duas modalidades, os fundos cambiais e os fundos atrelados a ativos estrangeiros, como os fundos de BDRs (exemplo: Arbor Global Equities e Western Asset BDR)”, explicou.

No entanto, os fundos cambiais dependem mais diretamente da flutuação da moeda. Já os fundos atrelados a ativos estrangeiros dependem também das especificidades do mercado e das empresas em questão. No entanto, de qualquer forma, na hora de se vender esses ativos, o dólar ou euro mais altos beneficiam o investidor.