O crescimento recorde da dívida dos governos por conta dos gastos para tentar conter o avanço da pandemia de Covid-19 terá um efeito maior sobre os países emergentes, de acordo com a Fitch.
A agência de classificação de risco divulgou nesta quarta-feira uma análise sobre o atual momento econômico global e apontou que esses mercados, do qual o Brasil faz parte, serão atingidos de maneira desproporcional.
Segundo a Fitch Ratings, a dívida global saltou de US$ 10 trilhões para US$ 77,8 trilhões durante a pandemia, número que equivale a 94% do PIB mundial. Segundo James McCormack, responsável pelo relatório da Fitch, tanto o salto quanto os níveis da dívida são recordes.
“Para a dívida soberana de mercados emergentes, não houve ‘almoço grátis’ associado a juros mais baixos”, escreveu ele, em um recado que, se não foi direto, ao menos pareceu endereçado a países como o Brasil, que conseguiram segurar a taxa de juros no menor índice da História.
Segundo o relatório da empresa, a taxa média de juros sobre o estoque da dívida caiu de 4% para 2% na última década nos mercados desenvolvidos, mas, nos emergentes, subiu de 4,3% para 5,1% no período.
Fitch e o tamanho dos juros para emergentes e desenvolvidos
De acordo com o relatório da Fitch, os pagamentos de juros, tanto de países desenvolvidos quanto de emergentes, deverá beirar os US$ 860 bilhões até meados de 2022.
“O resultado é que, embora os governos de mercados desenvolvidos e emergentes agora tenham proporções semelhantes de dívida/PIB, eles têm custos de serviço de dívida muito diferentes”, analisou McCormack.
“Com o rápido aumento da dívida governamental de mercados emergentes, isso deve ser motivo de preocupação e tem sido um fator que contribuiu para o excesso de endividamento em vários mercados emergentes em 2020”, concluiu.
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