Bolsa segue no positivo; índices em NY estão mistos

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Divulgação/B3

A bolsa de valores se firma em terreno positivo nesta quarta-feira (6), com Ibovespa registrando, às 17h, ganho de 0,65%, aos 120.149,70 pontos.

As atenções estão voltadas para os Estados Unidos, onde o dia promete uma definição quanto ao processo eleitoral.

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O Índice dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) composto do Brasil caiu para 53,5 pontos em dezembro, ante 53,8 de novembro. O de serviços avançou para 51,1, ante 50,9 da leitura anterior. Leituras acima de 50 apontam crescimento da atividade.

Repercute também a fala do presidente Bolsonaro de que “o Brasil está quebrado” e que, por isso, ele não consegue “fazer nada”. Para economistas ouvidos pelo Estadão e pelo Valor, o país não está quebrado, mas precisa de reformas e respeito ao teto de gastos.

Hoje, após reunião ministerial para discutir a compra de vacinas, Bolsonaro afirmou que não disse nada disso e que “o país está uma maravilha”.

Exterior

Os mercados de Nova York operam, agora, mistos, sinalizando que o mercado já está acomodando a novidade da “onda azul” política. Isto depois de ter uma manhã instável, com Nasdaq registrando fortes perdas.

A “onda azul” se confirma como realidade nos Estados Unidos, apesar de grande parte dos analistas ter apostado no contrário até ontem.

Com a provável vitória dos democratas nas duas vagas que restavam no Senado, o cenário é de presidência democrata e Câmara dos Representantes e Senado com maioria democrata. Com isso, o que se espera são mais estímulos fiscais, o que agrada ao mercado, mas em sentido contrário há expectativa de aumento de impostos e maior regulamentação.

Houve protestos nas ruas de Washington, com centenas de manifestantes se reunindo em torno do Congresso para protestar contra os congressistas contra o resultado da eleição que deu vitória a Biden.

A sessão do Congresso para confirmar Biden foi suspensa, após apoiadores de Trump tentarem invadir o plenário.

O Congresso chegou a ser esvaziado em razão dos manifestantes, que se postaram e aglomeraram diante do prédio gritando palavras de ordem contra o desfecho da eleição.

Maioria democrata, ainda assim, será pequena

Para os analistas da Gavekal Research, mesmo confirmada a “onda azul” no Senado, isto dificilmente significaria uma mudança muito brusca na atuação do Congresso.

Isto porque, lembra a casa de análise, a maioria democrata será pequena tanto na Câmara quanto no Senado.

“O resultado geral é mais um repúdio a Trump. Os democratas moderados terão poder de veto”, diz, em relatório. “Os democratas terão que conter seus mais liberais impulsos e redigir contas que serão aprovadas por seus centristas”, complementam.

Como consequência para o mercado, a liderança democrata no país pode significar baixo desempenho das ações americanas na comparação com o resto do mundo. Possíveis aumentos de impostos e apertos regulatórios tendem a atingir as empresas americanas, abrindo espaço para os ativos estrangeiros.

Os analistas ainda apontam um possível cenário de alta da inflação, com mais pacotes fiscais e a chegada da vacina contra o coronavírus. Além disso, indicam uma provável alta para as ações chamadas de “Covid losers”, ou seja, aquelas que foram prejudicadas pelas medidas de distanciamento social, como varejo e viagens.

Vitória de Biden deve ser confirmada no Congresso

Hoje ainda o Congresso americano se reúne para validar a vitória do democrata Joe Biden no Colégio Eleitoral, por 306 a 232 votos. Apesar da pressão de Donald Trump, a mídia americana aposta que hoje se encerra o imbróglio eleitoral dos EUA. Ainda assim, são aguardados protestos nas ruas e contestações de congressistas republicanos.

O setor privado fechou 123 mil postos de trabalho nos Estados Unidos em dezembro, frustrando a projeção de alta de 88 mil vagas, como previa o mercado. O resultado foi divulgado pela pequisa ADP/Moody’s, considerada uma prévia do payroll, folha de pagamentos oficial do país. Em novembro, foram criadas 307 mil vagas. A queda de dezembro coincide com o novo avanço da Covid-19 no país.

O dia tem também a divulgação da ata da última reunião do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), formado por dirigentes do Fed, que manteve, por unanimidade, as taxas de juros próximas a zero.

Petróleo: Arábia Saudita faz corte inesperado

Ontem (5), houve um inesperado desfecho para a reunião da Opep+, com a Arábia Saudita anunciando a decisão unilateral de cortar sua produção em 1 milhão de barris por dia entre fevereiro e março, o que fez o preço da commodity disparar – o Brent subiu quase 5% ontem e segue em alta, cotado hoje em mais de US$ 54. Rússia e Cazaquistão vão aumentar a produção em 75 mil barris ao dia. Os demais integrantes do bloco manterão a produção atual.

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Lockdowns pelo mundo

Depois da Inglaterra anunciar seis semanas de medidas restritivas mais duras, com fechamento de escolas e de toda atividade não-essencial, agora a Alemanha prorrogou até o final do mês seu lockdown. A Itália segue com restrições pelo menos até o final de semana.

PMIs de serviços e composto

Hoje também é dia de divulgação dos Índices dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) de dezembro referente ao setor de serviços.

Na China, o PMI de serviços ficou em 56,3, com recuo ante os 57,8 pontos de novembro.

No Japão, o PMI de serviços foi de 47,7, pouco abaixo dos 47,8 da leitura anterior.

Na zona do euro, o PMI de serviços foi de 46,4, ante 41,7 de novembro. No entanto, ficou abaixo da expectativa de 47,3 pontos. O PMI composto, que consolida serviços e indústria, ficou em 49,1, acima dos 45,3 anteriores, mas abaixo da projeção de 49,8.

No Reino Unido, PMI de serviços ficou em 49,4, ante leitura anteior de 47,6 e projeção de 49,9. O PMI composto ficou em 50,4, contra 49 anteriores e próximo à expectativa de 50,7.

Nos EUA, o PMI de serviços caiu de 58,4 pontos para 54,8. O composto, de 58,6 para 55,3.

Veja as cotações às 17h:

Mercados de Nova York

S&P: +0,66%
Nasdaq: -0,37%
Dow Jones: +1,35%

Mercados Europa

DAX, Alemanha: +1,87%
FTSE, Reino Unido: +3,60%
CAC, França: +1,42%
FTSE MIB, Itália: +2,57%
Stoxx 600: +1,54%

Mercados Ásia

Nikkei, Japão: -0,38%
Xangai, China: +0,63%
HSI, Hong Kong: +0,15%
ASX 200, Austrália: -1,12%
Kospi, Coreia: -0,75%

Petróleo

Brent (março 2021): US$ 54,54 (+1,75%)
WTI (fevereiro 2021): US$ 50,70 (+1,54%)

Ouro

Ouro futuro (fevereiro 2021): US$ 1.907,60 a onça-troy (-2,39%)

Minério de ferro

Bolsa de Dalian, China: US$ 160,01 (+0,29%)

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