ESG: 72% das empresas admitem que estão pouco ou nada familiarizados com o tema

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Reprodução/Internet

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizou uma pesquisa com o Instituto FSB para avaliar qual a visão das empresas brasileiras e quais ações adotaram em relação à sustentabilidade e questões ESG (Environmental, Social and Governance).

De acordo com o estudo, feito com executivos de 500 médias e grandes empresas industriais, práticas de gestão de resíduos e ações para reduzirem o desperdício de água e energia já são adotadas por nove de cada 10 empresas pesquisadas. A grande maioria (91%) adota pelo menos uma entre as oito ações de sustentabilidade listadas no questionário.

A maior preocupação dos executivos ouvidos é com o descarte de resíduos sólidos. Um em cada quatro afirmou que este é o seu primeiro ou segundo principal ponto de atenção.

Pesquisa CNI sobre ESG

ESG: indústria ainda pode ampliar compreensão

Apesar dos indicadores positivos, 72% dos executivos ouvidos na pesquisa admitem que estão pouco ou nada familiarizados com a sigla ESG.

Pesquisa CNI

Mesmo assim, 81% dos líderes empresariais dizem que o ESG é importante ou muito importante. Dos três pilares, a governança é vista como o mais relevante por eles, com 39% das respostas, contra 29% que citaram o social e 23%, o ambiental.

Pesquisa CNI

A maioria (55%) dos executivos de médias e grandes acredita que as próprias empresas estão mais avançadas ou no mesmo patamar que a indústria mundial no quesito sustentabilidade e 42% dos empresários admitem que a empresa que comandam está atrasada.

Em termos de estrutura organizacional, apenas 34% das empresas têm uma área formal para lidar com o tema sustentabilidade. Dessas, pouco mais da metade dá autonomia financeira a essa área. Outro ponto de atenção diz respeito a metas de sustentabilidade: apenas uma em cada três empresas escutadas afirma ter metas.

Oportunidades nas medidas de sustentabilidade

Considerando o estágio atual do ambiente de negócios no Brasil, 94% dos executivos enxergam oportunidades nas ações de sustentabilidade.

Outro dado da pesquisa que mostra o interesse das companhias pelo tema é a intenção de investimento. Duas em cada três (63%) empresas entrevistadas dizem que vão ampliar os investimentos em sustentabilidade nos próximos dois anos.

Mesmo durante a pandemia, em meio à crise econômica, 28% afirmaram ter ampliado esse tipo de investimento nos últimos 18 meses.

Reputação e exigências regulatórias alavancam agenda sustentável

Os dois principais motivos que levam as empresas a investirem em sustentabilidade são a reputação junto à sociedade e aos consumidores (41%) e o atendimento às exigências regulatórias (40%).

Pesquisa CNI sobre ESG

A redução de custos, com 32%, e o aumento da competitividade, com 29%, completam a lista de itens que mais estimulam os executivos a adotarem a agenda sustentável.

Por outro lado, a falta de cultura voltada para o tema (48%) e a falta de incentivos do governo (47%) são os principais entraves.

Mesmo com essas dificuldades, em 40% das indústrias existe uma estratégia e agenda de sustentabilidade validada pela alta gestão. Nas grandes indústrias, o indicador cresce seis pontos percentuais, chegando a 46%.

Os líderes do setor produtivo reconhecem o papel do governo para incentivar e catalisar o processo de ações sustentáveis na iniciativa privada. Para 71% dos entrevistados, o Estado deve controlar e estimular que as empresas sigam regras ambientalmente sustentáveis.

Exigências impostas pela cadeia produtiva

A pesquisa aponta ainda que a maioria das médias e grandes indústrias brasileiras (52%) já teve, como fornecedor, alguma exigência de certificado ou ação ambientalmente sustentável como critério de contratação por parte dos clientes. A reprodução desta política de relacionamento, no entanto, ainda não está disseminada.

Só uma em cada três empresas ouvidas replica as mesmas exigências para os seus fornecedores. Apesar de ainda não imporem esta condição à própria cadeia produtiva, a grande maioria (84%) dos executivos acredita que a os critérios de sustentabilidade têm algum peso para os clientes e consumidores. Para 24%, este peso é alto ou muito alto.

Na hora da adoção de práticas sustentáveis a gestão de resíduos sólidos aparece com uma das duas prioridades para 42% dos entrevistados.

Ações para evitar o desperdício de água aparecem em segundo lugar, com 38% das respostas, seguida de perto pela utilização de fontes renováveis de energia com 36%. Por fim, em quarto lugar figuram as iniciativas para evitar o desperdício de energia, com 32%.