Empresa de mineração arremata concessão de trecho de ferrovia na Bahia

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Reprodução / IBRAM

O governo federal leiloou hoje (8) a concessão de parte da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol), entre o porto de Ilhéus e Caetité, na Bahia. Chamado de Fiol 1, o trecho de 537 quilômetros de extensão foi arrematado pela Bahia Mineração (Bamin), do Grupo Eurasian Resources Group (ERG), a única empresa a apresentar lance no certame.

O lance de outorga ofertado pela Bamin foi de R$ 32,730 milhões. A mineradora ficará responsável pela finalização do empreendimento e operação do trecho, em uma concessão que vai durar 35 anos, com previsão de investimentos de R$ 3,3 bilhões.

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Desse total, R$ 1,6 bilhão serão usados para a conclusão das obras, que estão 80% finalizadas.

De acordo com a mineradora, todos os investimentos serão bancados com recursos próprios da companhia.

Trecho leiloado hoje deve começar a operar em 2025

Segundo o governo federal, a concessão da Fiol permitirá a criação de 55 mil empregos diretos e indiretos.

“Esse é o projeto mais transformador do estado da Bahia, um investimento que vai terminar uma obra parada há 10 anos. Vamos ver, finalmente, a obra chegando no porto. A gente vai ter um sistema integrado: mina, ferrovia e porto”, destacou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

O governo federal informou que o trecho leiloado hoje deve começar a operar em 2025, já transportando mais de 18 milhões de toneladas de carga, entre grãos e o minério de ferro produzido na região de Caetité.

O minério de ferro deverá compor a maior parte da carga transportada no trecho, mas também serão carregados alimentos processados, cimento, combustíveis, soja em grão, farelo de soja, manufaturados, petroquímicos e outros minerais.

Leilões

O governo federal realiza entre os dias 7 e 9 uma série de leilões de aeroportos, portos e ferrovia. Chamada de Infra Week, a expectativa é arrecadar R$ 10 bilhões em investimentos privados com as concessões. Estão na lista 22 aeroportos, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), na Bahia, e cinco terminais portuários.

O Ministério da Infraestrutura prevê a geração de mais de mais de 200 mil empregos, de forma direta, indireta e efeito-renda, ao longo dos contratos de arrendamento e concessões.

A CCR (CCRO3) venceu a disputa pelos lotes Sul e Central no leilão de aeroportos na B3 (B3SA3) nesta quarta-feira (7). A empresa francesa Vinci Airports arrematou o Bloco Norte. No total, o governo arrecadou R$ 3,3 bilhões na disputa. É estimado que seja gerado R$ 6,1 bilhões em investimentos nos próximos 30 anos.

Conforme a subsidiária da CCR, Companhia de Participações em Concessões, foi oferecido o pagamento de R$ 754 milhões pelo Bloco Central, ante valor mínimo de outorga de R$ 8,1 milhões.

De acordo com a empresa, a oferta de outorga foi de R$ 2,128 bilhões. O valor mínimo era de R$ 130,2 milhões. O lance da CCR pelo Bloco Sul representou um ágio de 1.534% em relação ao valor inicialmente fixado pelo edital. O resultado superou a meta do ministério da Infraestrutura.

A Vinci Airports venceu a concorrência pelo Bloco Norte, com oferta de R$ 420 milhões. O valor mínimo era de R$ 47,8 milhões.

Valores ofertados

O leilão realizado teve a disputa de 22 aeroportos federais. Pelo Bloco Sul, os outros participantes foram o consórcio Infraestrutura Brasil Holding 12 e a empresa espanhola Aena. A primeira é formada pela gestora Pátria e por um novo entrante, que opera o aeroporto de Houston. Foi oferecido R$ 300 milhões (ágio total de 130,4%). Ainda mais, a Aena ofereceu R$ 1,05 bilhão (ágio de 706,4%).

Conforme reportagem da Valor, a CCR tem que realizar investimentos estimados em R$ 2,855 bilhões no bloco, composto por nove aeroportos. A receita projetada para a concessão é de R$ 7,45 bilhões.

Além disso, com o Bloco Central, a CCR deve fazer R$ 1,8 bilhão de investimentos ao longo dos 30 anos de concessão. A receita projetada é de R$ 3,6 bilhões.

Outros participantes da concorrência foram a ACI do Brasil (Inframérica) e o Consórcio Central Airports (Socicam). Os lances foram de R$ 9,78 milhões (ágio de 20,15%) e R$ 40,3 milhões (ágio de 395%), respectivamente.

Conquista da Vinci

O grupo francês Vinci venceu a disputa pelo Bloco Norte, com um lance de R$ 420 milhões de outorga. A representação de ágio foi de 777,47% sobre o valor inicialmente fixado pelo edital.

A participação da companhia não era esperada pelo governo. O consórcio Aero Brasil também participou. Entretanto, a oferta foi de R$ 50 milhões (ágio de 4,46%). Dado a oportunidade de aumentar o lance para se manter na disputa, não houve manifestação.

O contrato de 30 anos prevê investimentos de R$ 1,48 bilhão e receitas de R$ 3,6 bilhões ao longo da concessão. O lote era apontado como o mais desafiador do leilão de hoje, e possui sete aeroportos.

Por fim, o presidente da Vinci, Nicolas Notebaert, comemorou a vitória. Por mensagem de vídeo, afirmou que o grupo acredita na recuperação econômica do país após a pandemia.

“Estamos extremamente satisfeitos. É um passo importante na consolidação da empresa e do trabalho desenvolvido no Brasil e na América Latina. Estamos quase dobrando a quantidade de aeroportos na região”, disse.

*Com Agência Brasil

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