Eduardo Saverin: o brasileiro que ficou bilionário com o Facebook

Vitória Greve
Colaborador do Torcedores
1

Crédito: Reprodução Facebook

O paulistano Eduardo Saverin foi por algum tempo o bilionário mais jovem do Brasil. Hoje, aos 38 anos, já não ocupa mais esse posto, mas continua entre os mais ricos do País. 

De acordo com a lista da revista Forbes de julho deste ano, Saverin está atrás apenas do banqueiro Joseph Safra e do empresário Jorge Paulo Lemann, com patrimônio avaliado em US$ 8,4 bilhões.

Sua fortuna veio da sociedade (que terminou em inimizade) com o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg. Juntos, eles criaram a maior rede social do mundo.

A história do Facebook, da amizade e dos atritos entre os primeiros sócios, é longa e daria um filme (spoiler: o filme já existe e chama-se “A Rede Social”).

Faz tempo que Saverin deixou a empresa e tem apenas uma pequena participação societária no Facebook. É essa fatia que lhe garante a maior parte dos seus bilhões de dólares.

Hoje, ele é sócio da B Capital Group, um fundo de capital de risco e vive em Cingapura com a mulher, Elaine Andriejanssen (singapurense de origem chinesa),  e o filho. 

Saverin é bastante reservado, raramente dá entrevistas, e gosta de jogar xadrez e estudar fenômenos meteorológicos (furacões, tsunamis, e afins).

Cena do filme “A Rede Social” que conta a história da criação do Facebook

Eduardo Saverin nos EUA

Saverin nasceu na capital paulista em 1982, mas já faz quase 30 anos que ele não mora mais no Brasil. Aos 10,  migrou para Miami, ao lado dos pais e dos irmãos (Alexandre e Michele).

Seu pai, o empresário Roberto Saverin, tinha uma empresa exportadora de remédios. A família sempre foi empreendedora. Na década de 1950, o avô de Saverin, um judeu romeno, fundou no Brasil uma fábrica de roupas infantis, a Tip Top Têxtil. A marca foi vendida nos anos 80 para outra família.

Em 2001, Saverin começou a cursar Economia em Harvard. Foi ali, em uma das melhores universidades do mundo, que ele deu os primeiros passos para se tornar um bilionário. 

Harvard e a criação do Facebook 

Mark e Saverin se conheceram em uma fraternidade de alunos de Harvard. Zuckerberg era um desses “geninhos da programação” e o brasileiro mandava bem nas finanças –  era presidente da Harvard Investment Association, um clube dedicado a ensinar alunos a investir.

Em fevereiro de 2004, aos 20 e poucos anos, em um dormitório da faculdade, os dois amigos lançaram o site Thefacebook. A rede social só funcionava no campus e era restrita aos estudantes da universidade. 

Foi um sucesso entre os alunos, e no mês seguinte a plataforma se expandiu para Stanford, Columbia e Yale.

Saverin participou ativamente da construção do Facebook durante um ano e meio. O primeiro investimento do projeto, mil dólares, veio do bolso dele.

Além disso, o primeiro endereço comercial do negócio foi a casa de seus pais em Miami.

No começo, a ideia era que Mark, o criador e programador, tivesse uma participação de 70% e o sócio, de 30%. Mas essa negociação, com o tempo, acabou ficando para trás. 

Enquanto Zuckerberg e a equipe se mudaram para o Vale do Silício, Eduardo Saverin preferiu terminar os estudos em Harvard. O site cresceu rapidamente e recebeu bastante investimento externo.

Paralelamente, os dois (antigos) amigos começaram a se desentender.

Desentendimentos e ruptura

Em 2005, Mark Zuckerberg contratou Sean Parker – empresário e co-fundador da Napster – para executar funções que seriam de Eduardo Saverin. Foi de Parker, por exemplo, a ideia de mudar o nome de Thefacebook para apenas Facebook.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

O clima já não estava nada bom entre os sócios, até que Saverin foi induzido a assinar uma papelada que diluía sua participação. Aqui fica um aprendizado: nunca assine uma papelada sem antes ler e entender do que se trata. 

Excluído da equipe, teve que recorrer à Justiça para garantir o direito de ter uma participação minoritária na companhia. Depois da disputa, que terminou em acordo, seu nome também voltou a figurar como co-fundador.

Em 2010, graças a essa fatia do Facebook, Eduardo estreou na lista de bilionários da Forbes, entre as pessoas mais ricas dos Estados Unidos. Ele tinha cidadania americana desde 1998.

Mark Zuckerberg está na lista da Forbes como a 7ª pessoa mais rica do mundo. Seu patrimônio, segundo a lista da Forbes atualizada em 4 de julho, é avaliado em US$ 54,7 bilhões. 

Eduardo Saverin desiste dos EUA  

Em 2011, um ano antes de o Facebook abrir o capital na bolsa de valores, Saverin abriu mão de sua cidadania norte-americana. Pegou muito mal.

Recebeu críticas de todos os lados, pois parecia uma manobra para se livrar do pagamento de impostos nos EUA. Saverin nega até hoje que tenha sido esse o motivo.  

Ele  mora em Cingapura desde 2009, e é um dos homens mais ricos da Pérola da Ásia.

No país asiático não há cobrança sobre ganhos de capitais estrangeiros, e foi lá que Eduardo voltou a empreender. 

B Group Capital

Ao lado de Raj Ganguly, ex-executivo da Bain Capital e seu amigo de Harvard, criou a B Capital. O fundo já levantou US$ 1,4 bilhão até agora e investe em empresas de tecnologia em estágio avançado na Ásia, Europa e EUA.

A B Group também tem escritórios na Califórnia e em Nova York, além de uma parceria com a Boston Consulting Group, que presta consultoria para as empresas investidas.

O slogan, “inovação sem fronteiras”, reflete a ideia dos fundadores de que a inovação pode vir de qualquer lugar do mundo e não apenas do Vale do Silício.

Um dos seus primeiros investimentos foi numa startup da área da saúde, a Evidation Health. Também fez aportes em empresas como a startup de patinetes elétricos Bird, a empresa de seguros CXA, a fintech indiana Mswipe e a companhia de logística NinjaVan. 

 

Time da B Group Capital, fundo de capital de risco do qual Eduardo Saverin é co-fundador             Foto: Divulgação 

Um dos últimos negócios fechados por Saverin foi em maio deste ano. A B Capital aportou recursos na cadeia de varejo de café  Kopi Kenangan, da Indonésia. O brasileiro participará do conselho de administração da rede, que tem 324 lojas em todo o país.