Dólar: estaria na hora de o Fed começar a retirar os estímulos da economia?

Alexandre Viotto
Colaborador do Torcedores
1

Crédito: Reprodução/Unsplash

Bem-vindo a mais uma semana com Super-quarta! E o mercado, sem poder ser diferente, segue aguardando os comunicados do Banco Central e do Federal Reserve, que tem impacto no dólar.

Teremos alteração na taxa de juros? E a política monetária como fica? Pois bem… Parte dessas dúvidas serão respondidas na quarta-feira (16). Horário? Às 15h de Brasília pelo banco central americano e um pouco depois das 18h pelo seu par aqui no Brasil.

A hora do Tapering

A inflação segue batendo recordes e pelo menos por aqui, a Selic já começou a subir há alguns meses… E isto não é novidade para ninguém.

Parte da valorização recente do nosso real tem muita relação com este fato. Por outro lado, o Fed continua dizendo que esta alta de preços é temporária e que estaria cedo para iniciar um ciclo de alta de juros. Mas se engana quem pensa que ele só teria esta maneira de esfriar um pouco a economia. A solução? Tapering… Como é que é???

Relaxamento quantitativo

Desde a crise de 2009, o banco central americano tem expandido o seu balanço. A forma de fazer isso é comprando títulos do governo e das empresas, aumentando a liquidez no sistema. O nome deste processo é “quantitative easing” (peço desculpas aos críticos por mais um termo em inglês, mas não teve jeito).

O inverso disso é vender os títulos hoje no mesmo balanço e “enxugar” o mercado, trazendo os dólares de volta. E isto, minha amiga, meu amigo, é o Tapering

Um movimento nada fácil de ser realizado…

Um pouco antes da crise do Covid, foi tentado algo parecido. E os efeitos foram redução das expectativas de crescimento, alta de juros futuros… E nada menos que problemas para bancos (bem grandes vale dizer) na zeragem posições diárias. Sim, risco sistêmico

Talvez tema para um próximo texto, o chamado “Repo Market” foi muito afetado por esta iniciativa.  A ponto da taxa interbancária em dólar bater os 10% em um único dia no mês de outubro de 2019.

E o dólar?

O que acontece na prática é que a economia fica “viciada” com este excesso todo de moeda…. E ao tentar tratar o doente tirando estes estímulos, corre-se o risco de matar o paciente.

Ah claro, esqueci de falar… Outro efeito colateral, o dólar se valoriza frente às outras moedas. Motivo mais do que óbvio, dado que a moeda americana fica mais escassa neste processo todo.

Dólar: o que fazer a partir da decisão do Fed

Ao sair o comunicado com a decisão, você já sabe… Nem dê muita bola para o que estiver escrito lá, salvo se “os membros do comitê estiverem analisando a possibilidade de reduzir o ritmo de compras dos títulos”.

Indo um pouco mais além, se comentam também a respeito do tal do Tapering. Já tem gente dizendo que chegou a hora…

Barbas de molho

E sem querer assustar os importadores, a Selic pode até subir para além de 10%… Com os EUA reduzindo a liquidez, o dólar não tem outro caminho senão para o alto e avante.

Então, se por hora continuamos com a expectativa de moedas emergentes mais fortes, de uma hora para outra isso pode mudar.  Basta o Banco Central inverter o sinal das operações diárias com o mercado de bonds. A conferir.

Por Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior da  EQI Investimentos