Qual a diferença entre dividendos e JCP?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Quem investe em ações vê seu patrimônio aumentar de duas maneiras. A primeira é pela valorização das ações. A segunda, por meio da distribuição de parte do lucro das empresas de capital aberto.

Esses lucros são distribuídos de acordo com a quantidade de ações que cada investidor possui. Ou seja, de acordo com a parcela da empresa que pertence a ele. E podem vir por meio de dividendos ou de juros sobre capital próprio (também conhecidos pelas siglas JCP ou JSCP).

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Você vai entender a diferença e as vantagens e desvantagens de cada um.

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Para começar: por que as empresas dividem os lucros?

No Brasil, as empresas são obrigadas por lei a dividir seus lucros com os acionistas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a companhia pode optar por não distribuir lucros para reaplicar os recursos na própria empresa. O que também não deixa de ser vantajoso para o investidor. Isso porque, se bem aplicado, este dinheiro resultará em ações mais valorizadas no longo prazo. Amazon, Facebook e Google são exemplos de empresas que não compartilham os lucros com os acionistas e nem por isso deixam de ser excelentes opções de investimento.

Mas, no Brasil, de acordo com a Lei de Sociedades por Ações (6.4040/76), toda empresa de capital aberto, ou seja, que tenha ações na bolsa de valores, deve distribuir aos seus acionistas no mínimo 25% de seu lucro líquido por meio de dividendos ou juros sobre capital próprio.

Na prática, isso quer dizer que, ao comprar uma ação, o investidor está se tornando proprietário de uma parte da empresa e, como tal, tem direito a participar dos lucros.

Então, paralelamente à valorização da ação, o investidor também recebe este percentual. Ele é depositado em conta e pode ser utilizado para comprar mais ações, seja da mesma empresa ou não. E pode também ser usado como complementação à renda.

Os pagamentos podem acontecer de maneira mensal, trimestral, semestral ou anual, dependendo do que estabelece o estatuto da empresa.

O que são dividendos?

Os dividendos são, justamente, o pagamento dessa parte do lucro.

Essa remuneração é feita em dinheiro e é anunciada pelo Conselho de Administração, com data estabelecida para o pagamento.

Obviamente, a participação no lucro é proporcional à quantidade de ações que cada um possui: recebe mais quem tem mais participação na empresa.

Portanto, o investidor que tem interesse em receber uma quantia periódica decorrente de suas ações, deve investir com estratégia focada nas melhores pagadoras de dividendos. Falaremos mais adiante como fazer essa análise.

O que são juros sobre capital próprio?

Os juros sobre capital próprio são uma forma de dividendos que surgiu nos anos 1990. Eles são usados pelas empresas de capital aberto como artifício contábil para pagar menos impostos.

Resumidamente, os dividendos são lançados na contabilidade da empresa como lucro, portanto, a companhia é quem arca com os impostos incidentes. Já nos juros sobre capital próprio, o dinheiro destinado aos acionistas entra na contabilidade como despesa, portanto livre de impostos.

E quem paga o imposto, no final, é o investidor. Ele é tributado em 15% sobre o valor dos juros sobre capital próprio no imposto de renda.

Outra diferença é que os JCP não podem ultrapassar 50% do lucro líquido do período contábil em questão.

Qual dos dois é melhor?

Em uma análise rápida, não pagar impostos é sempre mais vantajoso, certo? No entanto, tudo depende da empresa que o investidor escolhe participar como acionista.

Alguns juros sobre capital são mais robustos do que os dividendos. E algumas empresas optam pelas duas modalidades de distribuição de lucro.

Para o investidor interessado na estratégia de dividendos, o fundamental é estudar bem pelo menos o período de um ano dos pagamentos de lucros de cada empresa antes de fazer a sua escolha. Isso porque algumas empresas são mais sujeitas a sazonalidades, caso das empresas turísticas, por exemplo. E uma análise superficial poderia conduzir o investidor ao erro.

Por que investir focado em dividendos ou JCP é vantajoso?

Compor uma carteira de ações focada em dividendos oferece uma série de vantagens ao investidor.

Para quem está na fase de acumulação, a estratégia confere a possibilidade de recomprar cada vez mais ações, utilizando os pagamentos dos dividendos.

Para quem já tem o patrimônio formado, dividendos e JCP viabilizam uma renda recorrente que ajuda a pagar as contas ou permitir alguns pequenos luxos.

Além disso, quem investe com foco nos proventos tende a formar uma carteira de ações mais segura, menos volátil aos humores do mercado, e de empresas com gestão bastante sólida.

Para quem tem foco e paciência, tal estratégia de investimento pode até ser, a longo prazo, a realização da meta de “viver de renda”. Sem que isso comprometa o patrimônio.

Dividend yield

A estratégia de investimento com foco nos dividendos ou juros sobre capital próprio consiste em avaliar as empresas listadas na bolsa que possuam o maior índice de pagamento de dividendos.

Para isso, é preciso analisar o dividend yield (rendimento de dividendo) de cada uma delas. O dividend yield é um cálculo que mostra o quanto do valor pago em dividendos corresponde ao preço da ação. Quanto maior o dividend yield de uma empresa, mais atraente ela se torna frente às outras companhias.

O cálculo deste indicador não é tão complexo. Basta dividir o valor dos dividendos pagos em determinado espaço de tempo pelo preço individual da ação no início do período avaliado. Depois, é preciso multiplicar o resultado por 100 para saber a porcentagem.

Um exemplo prático. Se uma empresa pagou dividendos de R$ 5 por ação e a ação estava cotada a R$ 50, o cálculo deve ser 5 dividido por 50, vezes 100. O resultado é que o dividend yield da suposta empresa é de 10%.

Vale observar que, geralmente, as boas pagadoras de proventos não são necessariamente as empresas que têm as ações mais valorizadas.

Ao contrário, na maioria das vezes as boas pagadoras de dividendos são as empresas mais sólidas, que não necessitam reinvestir tanto de seu lucro no negócio.

Companhias mais estáveis e consolidadas, como é o caso das empresas do setor elétrico e de saneamento básico, costumam ser boas pagadoras de dividendos.

Ajuda na carteira

Além de fazer esta análise, o investidor também pode contar com a ajuda de um assessor de investimento. Ele poderá orientar na busca pela melhor estratégia de investimento. Saiba aqui as vantagens de contar com esse auxílio.

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