Desafio aos Deuses: como encarar os riscos como oportunidade

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Esqueça os “achismos” na hora de fazer uma escolha. Com conceitos esclarecedores de probabilidade, regressão à média, amostragem, teoria dos jogos e tomada de decisões racional x irracional, o livro “Desafio aos Deuses: a Fascinante História do Risco” é essencial para a administração de negócios.

As ferramentas de gerenciamento dos riscos de uma empresa são o foco da obra do historiador e economista Peter L. Bernstein, um conhecedor do mercado financeiro de Wall Street.

Não temer os riscos à frente, explorar as ferramentas de administração e transformar os riscos em oportunidades são algumas das ideias de Desafio aos Deuses com narrativa semelhante a um romance.

Tio Huli, EconoMirna, Natalia Dalat e outros tubarões dos Investimentos.

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O papel do risco em Desafio aos Deuses

A obra de Peter L. Bernstein faz uma profunda reflexão sobre o papel do risco em nossa sociedade e como lidamos com ele.

Para o autor, quando se está comprando ações no mercado financeiro, quando um médico está realizando uma cirurgia ou mesmo quando empresários abrem novos negócios, o risco é um parceiro inevitável.

Por isso, é preciso saber administrar esse risco e transformá-lo em desafio e oportunidade.

A concepção do controle do risco é uma das ideias centrais que distinguem os dias de hoje dos tempos passado. Segundo Peter, foi essa percepção, com o uso de ferramentas da administração, que livrou a humanidade dos oráculos e adivinhos.

Assim, o autor divide “Desafio aos Deuses” em cinco longos períodos. Inicia desde os primórdios e vai até 1200, 1200–1700, 1700–1900, 1900–1960, e a época contemporânea.

Histórias do passado que ajudam a pensar o hoje

Para balizar suas argumentações, o autor usa de filósofos gregos a matemáticos árabes, de cientistas a amadores obscuros, de mercadores a intelectuais, que auxiliaram a descobrir os métodos modernos de pôr o futuro a serviço do presente, substituindo a impotência diante do destino pela escolha e decisão.

Estão em “Desafio aos Deuses”, por exemplo, as ideias de Daniel Bernouli, que forneceram a base da lei da oferta e da procura. Os jogos de azar, que inspiraram os matemáticos Pascal e Fermat a criar a Lei das Probabilidades. O matemático e filósofo Pascal, que criou a Inferência Estatística e o Triângulo de Pascal. E Jacob (tio de Daniel Bernoulli), que foi o primeiro a estudar ligações entre probabilidades e qualidade das informações.

O médico e matemático nas horas vagas Girolamo Cardano, por exemplo, adorava jogar. Assim, veio dele o primeiro livro do Renascimento a se concentrar em álgebra, além de introduzir o lado estatístico das probabilidades.

Com Poincaré e Arroz, o autor aborda a incerteza e o acaso. Aborda o risco assumido pelos gestores de fundo e seus desafios e compara o desempenho dos maiores e mais antigos fundos mútuos dos EUA com o desempenho do SP500. “Tratou-se de uma onda de azar ou os gestores do fundo foram incapazes de superar o SP500?”, questiona Peter L. Bernstein.

Por fim, questões sobre o papel do computador, a relação entre fatos e crenças subjetivas, o impacto da teoria do caos, o papel dos mercados de derivativos em franco desenvolvimento e a total predominância dos números também são abordadas em “Desafio aos Deuses”.