Economista norte-americana Deirdre McCloskey participa da Money Week Cenários 2022

Karin Barros
Jornalista com atuação nos dois principais jornais impressos da Grande Florianópolis por quase 10 anos. Costumo dizer que sou viciada em informação, por isso me encantei com a economia, que une tudo de alguma forma sempre. Atualmente também vivo intensamente o mundo da assessoria de imprensa e do PR.

Crédito: Gage Skidmore/Flickr

Deirdre McCloskey, de 78 anos, é uma das convidadas internacionais da Money Week Cenário 2022, evento online e gratuito da EQI Investimentos, que discutirá as incertezas do futuro entre os dias 11 a 14 de janeiro de 2022. Vamos conhecer mais sobre ela?

Quem é Deirdre McCloskey?

A norte-americana Deirdre McCloskey é PhD em economia pela Universidade de Harvard e  professora universitária.

Indicada várias vezes ao Prêmio Nobel de Economia, Deirdre é uma das principais expoentes de um liberalismo mais social, vertente que enxerga que a liberdade só faz sentido porque e quando melhora a situação dos mais vulneráveis.

Define-se como feminista aristotélica episcopal quantitativa, a favor do livre mercado e pós-moderna.

“Eu não sou democrata. Sou liberal. Não acredito que aumentar o salário mínimo para US$ 15 dólares a hora fará com que haja menos pobres, é quase certo que acontecerá o contrário: não haverá trabalho”, resume.

O livro em que relata sua transição de homem a mulher, “Crossing”, integrou a lista dos mais destacados do jornal The New York Times.

Também escreveu o epílogo do volume El Manual Liberal (Deusto), com textos de Mario Vargas Llosa, María Blanco e Carlos Alberto Montaner, entre outros autores.

Um marco em sua história

Aos 53 anos, Deirdre deixou de ser chamada de Donald após uma mudança de gênero.

A discriminação por ser agora mulher, mesmo branca, veio rápido. Apenas um mês após a cirurgia, já pode sentir na pele a indiferença em um círculo de homens que falavam sobre economia, segundo relato ao El País em maio deste ano.

“Fazia apenas um mês que era mulher quando vivi a discriminação. Estava conversando com um grupo de economistas sobre o que os economistas falam: de economia. Todos sabiam que eu havia sido um homem antes. Fiz um comentário e passou despercebido. Momentos depois, George disse exatamente a mesma coisa. ‘George, é brilhante!’, ‘George, deveriam te dar o Nobel!’. Foi a primeira vez que me senti discriminada e a última vez que desfrutei disso. Pensei: Sim, sou mulher, e como tal me trataram! Consegui!”, conta, com ironia.

Visão sobre EUA e América Latina

Ainda na entrevista ao El País, Deirdre afirmou que “o populismo que vemos crescer a cada dia é de fazer com que as pessoas tenham medo”, apesar de não se considerar uma pessimista.

Para ela, a grande ameaça atual é fascista. “Trump foi uma praga, não só para os EUA. Acredito que usamos pouco essa palavra que começa com ‘f’, fascismo, e deveríamos usá-la mais, porque essa gente é fascista, como foram Franco ou Mussolini, e agora está em muitos lugares”.

“Donald Trump deveria estar na prisão. Mas não nos enganemos, Trump não está acabado. Tenho uma prima que mora no Arizona e tem cavalos. Até aí tudo normal, não é? Bem, ela quer comprar uma arma para se defender dessas ‘hordas de imigrantes que vão tirar nossos empregos’. Ela votou em Trump e reverencia o líder, não há maior prova de fascismo do que isso”, afirmou Deirdre.

Questionada sobre se os EUA, apesar disso, ainda podem ser o “farol liberal no mundo”, ela afirma que sim, isso é possível. 

Sobre a América Latina, ela afirma que o continente está cheio de “adultos infantis”, que querem liberdade, mas aceitam ser governados por ditadores, ao invés de assumirem as rédeas da própria vida e as próprias responsabilidades, sendo a Argentina o melhor exemplo e a Venezuela uma “catástrofe absoluta”. “Hoje as pessoas exigem homens montados em cavalos brancos para salvá-las: mais Mussolinis, mais Peróns, mais Putins, que imponham um estatismo antiliberal”, lamenta.

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