Debênture perpétua da Vale (VALE3) paga 10% de rendimento e preço dobra

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
1

Crédito: Vale/Agência Brasil

As debêntures perpétuas da Vale (VALE3) estão pagando 10% de rendimento. Não tão conhecido pelo grande público, este tipo de investimento paga rendimentos quando a produção da empresa atinge certos limites.

Estagnada por anos valendo poucos centavos, o preço do ativo disparou e hoje vale R$ 60.

Segundo reportagem da Exame, embora as notas sejam vendidas em reais, o pagamento é baseado na receita em dólares da Vale. Assim, as debêntures de uma empresa com grau de investimento pagarão um rendimento em dólares de cerca de 10% em 2021, valor considerável em um mundo onde os bancos centrais globais têm feito o possível para manter baixas as taxas de juros.

Mas uma nova oferta dessas notas da Vale está para chegar ao mercado secundário. Assim, vai aumentar a liquidez e proporcionar oportunidade para novos investidores comprarem justamente quando os preços dos metais parecem estar à beira de um novo superciclo.

Cerca de 55% do total emitido pertence ao BNDES. Ele planeja vender sua participação no mês que vem, no valor de aproximadamente R$ 12,9 bilhões a preços atuais. Essa é uma estratégia de venda de ativos do Estado defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Segundo dados da Anbima, os títulos quase dobraram de preço nos últimos 12 meses.

As debêntures perpétuas da Vale foram emitidas com preço de R$ 0,01 cada em 1997. A proposta na época era que os investidores seriam recompensados ​por uma receita futura não prevista assim que a Vale aumentasse a produção e obteriam pagamentos inesperados nos anos em que os preços dos metais estivessem altos.

Essas notas não pagam um cupom fixo. Pelo contrário: pagam um dividendo igual a 1,8% da receita líquida de algumas vendas de minério de ferro e 2,5% da receita líquida de cobre e ouro após certos limites de produção serem atingidos. A receita é calculada em dólares e depois convertida em reais para distribuição aos investidores.

Em outubro de 2020, a Vale pagou R$ 1,27 por nota em dividendos. O primeiro pagamento deste ano será de R$ 2,76 por nota em 1º de abril, valor que pode aumentar no próximo ano.

Com o aumento dos volumes de produção nas minas do norte da Vale e considerando o salto de 80% nos contratos futuros de minério de ferro no último ano, os títulos possuem um grande valor, segundo especialistas.

Vale diz que recompras não são prioridade

Em reunião com os detentores de títulos em 19 de março, o governo e o BNDES votaram, com sua fatia majoritária, a favor da alteração das cláusulas dos títulos – sem pagar qualquer valor aos detentores das debêntures – para que a Vale possa recomprá-los.

Em uma resposta por e-mail à Bloomberg, a Vale afirmou que as recompras não são uma prioridade no momento e que faria uma oferta “pública e transparente” se decidir comprar de volta as debêntures em algum momento no futuro.

De acordo com a Vale, as regras do mercado de capitais proíbem a empresa de adquirir as notas que estão sendo vendidas pelo governo e pelo BNDES no mês que vem, e também não permitem que a Vale compre os títulos lentamente no mercado secundário, negando especulações de que já estaria fazendo isso.