Daniel Kahneman: conheça o psicólogo ganhador do Nobel de Economia

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Wikipedia

Daniel Kahneman, assim como Richard Thaler, ganhou o Prêmio Nobel de Economia por seus estudos sobre Economia Comportamental. A sua premiação foi em 2002, e o estudo abordava o quanto aspectos emocionais e tendências de comportamento influenciam na tomada de decisões financeiras.

Assim como outros estudiosos da Economia Comportamental, Kahneman propôs um olhar menos racional sobre os eventos econômicos. Segundo ele, o ser humano é muito mais suscetível a ser programado a agir instintivamente do que se imagina. E isso não depende da capacidade técnica, pois todos somos vulneráveis a estímulos aparentemente imperceptíveis.

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A seguir, conheça mais sobre Daniel Kahneman e sua contribuição para a Economia e para o mercado financeiro.

Quem é Daniel Kahneman?

Nascido em Tel Aviv, Israel, em 1934, Daniel Kahneman graduou-se em Psicologia e Matemática na Universidade Hebraica, em Jerusalém. Posteriormente, fez doutorado em Psicologia na Universidade da Califórnia. Além da universidade na qual concluiu as duas graduações, Kahneman deu aulas também em Harward e atuou como pesquisador na Universidade de Michigan.

Em relação aos estudos sobre Economia Comportamental, Daniel Kahneman contou com o suporte de outro grande pesquisador. Nesse sentido, Amos Tversky, matemático e psicólogo cognitivo, foi o seu maior parceiro. No entanto, viria a falecer em 1996, seis anos antes do Nobel de Kahneman.

A Teoria da Perspectiva e o Nobel de Economia

A Teoria da Perspectiva (também conhecida como Teoria do Prospecto) foi o trabalho que rendeu a Daniel Kahneman o Nobel de Economia em 2002. Basicamente, essa teoria diz que as possibilidades de perdas influenciam mais do que as chances de ganhos nas decisões.

Entre outros aspectos, essa teoria justifica o fenômeno da aversão ao risco. Ou seja, na maioria das vezes, o ser humano prefere evitar perdas em vez de arriscar possibilidades de ganhos.

Para desenvolver a Teoria da Perspectiva, Daniel Kahneman analisou vários eventos e, também, outras teorias já existentes. A seguir, conheceremos duas delas: a regressão à média e o viés de confirmação.

Regressão à média

Segundo Daniel Kahneman, um dos experimentos que deu suporte à teoria foi um evento que ele próprio presenciou. Em uma palestra para paraquedistas do exército israelense, afirmou que recompensas motivavam mais do que punições. No entanto, foi questionado por um instrutor de paraquedismo, que defendia justamente o contrário. Na sua opinião, a performance dos soldados melhorava justamente quando eram punidos, e não recompensados.

Dessa forma, Daniel Kahneman percebeu um fenômeno para o qual daria mais atenção nos próximos tempos: a regressão à média. Segundo esse fenômeno, há grandes probabilidades de um evento aparentemente excepcional ser seguido de outro completamente ordinário. Era justamente a isso que se referia o instrutor de paraquedismo. Isso porque, quando seus alunos faziam alguma manobra acima da média, normalmente a próxima execução era bem inferior. Dessa forma, quando as manobras eram boas e o instrutor elogiava, parecia que o incentivo não tinha valor, já que as próximas não tinham a mesma qualidade.

No entanto, se algum dos paraquedistas tivesse desempenho muito ruim , depois da repreensão ele voltava ao desempenho médio. Ou seja, a punição de fato parecia ter muito mais efeito do que o elogio. Porém, não faziam diferença, pois o que havia era uma curva de aprendizagem no treinamento dos paraquedistas, que tinha eventuais picos bons e ruins.

Viés de confirmação

O viés de confirmação diz respeito à tendência que temos de lembrar e interpretar eventos que confirmem as nossas visões de mundo. Basicamente, é um tipo de “memória seletiva” que adotamos para validar as nossas crenças e refutar os pensamentos com os quais não concordamos.

Em outras palavras, é como se a mente armazenasse somente os eventos que julgamos favoráveis. Por outro lado, memórias que nos causem desconforto ou contrariem as nossas convicções são “apagadas” do cérebro.

À primeira vista, isso parece típico de pessoas que se acham donas da razão, não é mesmo? Porém, saiba que todo o ser humano está sujeito ao viés de confirmação, independentemente de índole ou grau de instrução.

Contribuições de Daniel Kahneman para a Economia

Em 2011, o pesquisador lançou o livro Thinking, Fast and Slow (na tradução para o português, “Rápido e Devagar”).  Pouco tempo depois do lançamento, a obra se tornou um best-seller da Economia Comportamental.

Em Rápido e Devagar, o Nobel de Economia compila anos de estudos que realizou com o parceiro Amos Tversky. Nesse sentido, demonstra as duas formas distintas pelas quais o nosso cérebro toma as decisões de nossa vida cotidiana.

As contribuições de Kahneman foram extremamente valiosas no estudo da Economia associada à Psicologia. Nesse sentido, a influência das emoções nas decisões e a necessidade de sermos céticos quanto às nossas convicções foram alguns de seus maiores legados.

 

 

 

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