Criptomoedas: como funcionam esses ativos e de que forma investir

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
1

Crédito: Pixabay

Embora já estejam no mercado desde 2009, foi nos últimos anos que as criptomoedas se tornaram mais populares no Brasil.

Enquanto a bolsa brasileira fechou 2020 com alta de 3%, o Bitcoin (BTC) acumulou valorização de 318% no ano. No início do ano passado, um BTC valia R$ 37 mil, e chegou a R$ 158 mil no final de dezembro. E até maio de 2021 já acumula alta média de 100% no ano.

Por aqui, os investidores também descobriram que não é só de Bitcoins que é feito o mundo das criptomoedas. Além da Ethereum (segunda maior criptomoeda), outras altcoins começaram a chamar a atenção do mercado. Atualmente, existem mais de oito mil criptomoedas no mundo. Segundo especialistas, algumas das mais recentes possuem potencial de valorização bastante superior ao das pioneiras.

Aprenda hoje a investir em Small Caps e encontre as oportunidades escondidas na Bolsa.

Embora não tenham lastro e nem regulamentação, alguns desses ativos já estão no portfólio de instituição financeiras tradicionais. Por meio de fundos de criptomoedas, o investidor consegue ter acesso a esses ativos sem precisar comprá-los diretamente nas corretoras de criptoativos.

Quer saber mais sobre criptoativos? Então, continue a leitura e entenda como funciona essa tecnologia e por que ela revolucionou o sistema financeiro mundial.

Afinal, o que são criptomoedas?

Na verdade, o mais correto seria falarmos em criptoativos. Primeiro porque, diferentemente das moedas tradicionais, esses ativos são descentralizados, ou seja, não há um órgão ou governo responsável pela sua emissão e circulação.

Segundo, porque existem diferentes categorias de criptoativos. Nesse sentido, eles tanto podem servir como meio de troca e reserva de valor, quanto para executar e facilitar transações financeiras, conforme veremos mais adiante. No entanto, ambos os conceitos se confundem na prática, de modo que é mais usual falarmos em criptomoedas.

As criptomoedas surgiram em 2009 logo depois da crise financeira iniciada nos Estados Unidos. Nesse sentido, o seu objetivo era ser uma alternativa ao sistema financeiro tradicional, que é centralizado e regulamentado pelos governos.

Por serem descentralizadas as transações com criptomoedas não são controladas por nenhum governo ou Banco Central. O valor do ativo está no sistema de tecnologia blockchain, que não permite a manipulação dos dados inseridos nas plataformas.

Bitcoin (BTC): a primeira criptomoeda

Em 2009 foi lançado o bitcoin (BTC), a primeira criptomoeda do mundo. Em tese, o seu criador foi Satoshi Nakamoto, embora acredite-se que esse seja um pseudônimo de uma pessoa ou de um grupo de programadores.

Basicamente, o bitcoin funciona por criptografia, utilizando a tecnologia blockchain (que veremos a seguir). Como essa tecnologia funciona ponto a ponto, as transações podem ser realizadas sem que os usuários sejam identificados.  Além disso, para a validação dessas transações também não são necessárias instituições intermediadoras, o que garante total autonomia ao processo.

Valorização do bitcoin

A primeira transação com BTC da qual se tem registro foi em 2010. Na ocasião, uma criptomoeda valia 23 centavos de dólar.

No entanto, a disparada da criptomoeda ocorreu a partir de 2017, quando cada unidade passou a valer mais de US$ 6 mil. De lá para cá, o bitcoin valorizou mais de 23 mil por cento.

(fonte: bitnoticias.com)

Blockchain

Basicamente, o blockchain é um banco de dados. Assim como um computador que armazena os dados do seu usuário, o blockchain possui diversas informações que são conectadas como blocos (daí o nome).

No entanto, há duas grandes diferenças entre a tecnologia blockchain e um banco de dados comum. A primeira delas diz respeito ao local onde ficam guardados os dados. No caso de um computador, esses blocos de informações estão todos armazenados no hardware da máquina. Já no blockchain, esses dados estão espalhados por toda a internet.

A segunda diferença é sobre a imutabilidade dos dados. Ou seja, uma vez que uma informação é colocada no blockchain, ela não pode ser alterada. Por causa dessa segurança, a tecnologia é perfeita para criar um ativo de valor mundial.

Em relação aos criptoativos, a melhor analogia que se pode fazer é comparar o blockchain um livro-caixa. Nesse sentido, ele recebe todos os registros das transações de criptomoedas, e possibilita que qualquer um tenha acesso a eles. Isso dá transparência à tecnologia, pois faz com que os registros sejam auditáveis a qualquer momento. A diferença é que esse livro-caixa não tem um dono, pois está espalhado por toda a internet.

É a tecnologia blockchain que possibilita o funcionamento e a transação das criptomoedas. Isso acontece por meio da mineração, que veremos a seguir.

Mineração

Como vimos, a rede blockchain é totalmente descentralizada. Ou seja, as informações que constam lá são independentes e ninguém consegue alterá-las.

No entanto, essas informações (que estão em blocos) podem ser conectadas. Para isso, é preciso que sejam resolvidas várias operações matemáticas, a fim de que um bloco se ligue ao outro. Esse processo de conectar os blocos por meio da solução de operações matemáticas é chamado de mineração.

Aqui vale mais uma analogia para entender a mineração. Dessa vez, com pedaços de trilhos de um trem. Pense que os mineradores são pessoas que buscam esses pedaços de trilhos para conectá-los. Porém, para fazer isso, eles precisam solucionar operações matemáticas. Quando uma dessas operações é solucionada, um novo pedaço de trilho é conectado à rede. Dessa forma, diz-se que um novo bloco foi “minerado”, ou seja, transmitido à rede blockchain.

Logo, o objetivo dos mineradores é encontrar uma sequência que torne o seu bloco compatível com o bloco anterior da rede. E isso é possível por meio da solução de uma operação matemática.

Como realizar a mineração

Logo que surgiu o bitcoin, era possível fazer a mineração em um computador comum. Inclusive, muitos mineradores ganhavam dinheiro em casa ao encontrarem novos blocos na rede.

Porém, com o aumento da demanda pelas criptomoedas, tornou-se cada vez mais concorrido esse processo. Dessa forma, atualmente é preciso uma capacidade de processamento muito alta para que se possa fazer a mineração. O que se vê hoje é uma grande corrida no sentido de desenvolver novas tecnologias para encontrar o próximo bloco e obter recompensas.

Ou seja, além da capacidade de resolver equações complexas, o computador precisa ser veloz o suficiente para processar essas operações, pois há muitos mineradores na rede. Por isso a necessidade de máquinas velozes e muito potentes para a mineração de criptomoedas.

Outro ponto em relação à mineração é o alto consumo de energia do processo. Isso porque as máquinas precisam estar ligadas initerruptamente. Caso contrário, não conseguirão confirmar e auditar as transações.

Altcoins

As altcoins são criptomoedas alternativas à pioneira bitcoin. Nesse sentido, são uma espécie de bifurcação do criptoativo mais antigo, porém possuem códigos completamente diferentes.

Por isso, não há como definir uma característica única para as altcoins. Ou seja, cada uma delas possui um protocolo próprio e funciona de uma forma diferente. O que elas têm em comum é que, basicamente, todas buscaram aprimorar alguma função da pioneira bitcoin, principalmente no quesito velocidade das transações. Além disso, também são descentralizadas e, a exemplo do BTC, encontradas pelo processo de mineração.

Outro ponto importante é que algumas altcoins não têm somente o objetivo de moeda de troca ou reserva de valor. Isso porque há criptoativos que também funcionam como uma plataforma de programação, como o ethereum, por exemplo. Outros, como o NFT, oferecem serviços ainda mais inovadores, como um certificado de propriedade digital.

A primeira altcoin a ser lançada foi a Namecoin, em 2011. Atualmente, já existem mais de oito mil criptomoedas comercializadas no mundo inteiro. A seguir, veremos alguns exemplos.

Ethereum (ETH)

Depois do Bitcoin, é a segunda criptomoeda mais famosa e valorizada.

Na verdade, Ethereum é o nome da plataforma de negociação, que tem uma criptomoeda chamada Ether. No entanto, esses nomes se tornaram sinônimos no mundo dos criptoativos.

A plataforma Ethereum entrou em funcionamento em 2015, e é considerada uma evolução no conceito de blockchain iniciado com o bitcoin. Isso porque ela permite que sejam realizadas mais tarefas. Nesse sentido, qualquer pessoa pode construir modelos descentralizados para diversas aplicações. Para isso, basta que os códigos de programação estejam em uma linguagem aceita pela plataforma.

A plataforma possibilita a criação dos chamados “contratos inteligentes”. Segundo seus desenvolvedores, praticamente tudo o que pode ser programado é passível de ser desenvolvido na Ethereum.

Pelo fato de também ser baseada na tecnologia Blockchain, os contrato criados e armazenados na Ethereum também são imutáveis. Dessa forma, são protegidos de quaisquer interferências ou fraudes. Além disso, podem ser verificados e validados pelos usuários, pois as partes têm total acesso às informações. Isso tudo torna essa tecnologia segura e confiável.

Binance Coin (BNB)

Atualmente a terceira maior criptomoeda do mercado, a Binance Coin é a criptomoedada Exchange Binance, líder mundial na negociação de criptoativos.

A BNB foi criada em 2017 para ser utilizada dentro da Binance. A princípio, ela era utilizada somente como um token digital, que dava descontos nas taxas de serviços da corretora. No entanto, em 2020 ela adotou o “contrato inteligente”, pois incorporou a tecnologia da Ethereum.

Atualmente, a Binance opera em mais de 40 países, com mais de 800 colaboradores em todo o mundo. A sua abrangência e volume de operações dá credibilidade à criptomoeda e faz com que analistas acreditem no seu potencial de valorização.

Litecoin (LTC)

A Litecoin surgiu em 2011, e é considerada por alguns investidores a “prata das criptomoedas”. Isso porque possui algumas semelhanças em relação ao Bitcoin, considerado o “ouro” dos criptoativos. No entanto, uma de suas principais características é a velocidade de negociação, bastante superior ao BTC.

Um bloco de LTC leva, em média, 2,5 minutos para ser confirmado, o que representa uma velocidade cerca de quatro vezes maior em relação ao Bitcoin. Assim como o BTC e a plataforma Ethereum, a rede do Litecoin é descentralizada, o que torna praticamente impossível a sua interceptação por parte de terceiros.

Outra diferença em relação ao BTC é o seu limite máximo de quantidade de moedas. Enquanto no Bitcoin, esse limite é de 21 milhões, o LTC pode atingir 84 milhões de unidades. Por fim, suas taxas de transação também são mais baixas comparadas às criptomoedas mais famosas.

Cardano (ADA)

Assim como a Ethereum, a plataforma Cardano, inciciada em 2015, tem o objetivo de ser mais do que uma criptomoeda. Isso porque ela busca executar, de forma descentralizada, diferentes aplicativos financeiros. Com isso, o seu objetivo é oferecer uma rede que integra contratos inteligentes, principalmente voltados a instituições financeiras.

A Cardano é uma plataforma considerada inovadora entre as criptomoedas. Isso porque ela também visa solucionar problemas de o BTC e outras altcoins possuem. Além disso, outro objetivo da rede é ser uma alternativa de serviços financeiros a quem tem dificuldades de acesso a bancos.

Pelo seu caráter de inovação, muitos especialistas se referem à ADA como a “terceira geração das criptomoedas”. Isso porque ela busca corrigir e aperfeiçoar algumas funcionalidades da plataforma Ethereum (segunda geração), que, por sua vez, oferece mais funcionalidades do que o BTC (primeira geração).

Polkadot (DOT)

Ainda em relação a melhorias, a altcoin Polcadot tem chamado a atenção de investidores. Isso porque sua tecnologia busca superar a plataforma Ethereum no sentido de ser uma rede mais escalonável e eficiente. Ao mesmo tempo, a DOT possibilita que diferentes blockchains se conectem, de forma eficiente e segura.

Por meio da plataforma Polkadot, é possível estabelecer comunicação entre blockchains direfentes, como o BTC e alguma outra criptomoeda, por exemplo. Imagine que você tenha Litecoin e deseje trocar por BTC. Nesse caso, uma das alternativas seria vender o LTC, receber os reais e depois comprar o Bitcoin. Porém esse processo envolve taxas de transação e é mais trabalhoso do que se a negociação fosse feita diretamente, sem a conversão em reais.

É exatamente essa integração entre diferentes criptoativos que a plataforma Polkadot oferece. Outra vantagem dessa tecnologia é a facilidade de programação, implantação e operação. No entanto, segundo especialistas, ainda é necessário que a plataforma tenha mais usuários para que o projeto possa se consolidar efetivamente.

Stellar Lumens (XLP)

Criada em 2014, a Stellar Lumens visa auxiliar em dois problemas relativos a transações internacionais: longo tempo de processamento e altos custos.

Para utilizar a plataforma, o usuário precisa apenas de um acesso à internet e de um hardware para fazer as transações. O objetivo é simplificar e baratear as transferências, tornando esse serviço acessível a mais pessoas.

Assim como as outras altcoins, a Stellar possui rede descentralizada e funciona ponto a ponto. Durante o trajeto da criptomoeda, os lumens (ou tokens) procurarão por um swap de pares disponível. Dessa forma, um par pode enviar uma criptomoeda, e o destinatário receberá outra diferente.

Apesar de possuir valor intrínseco, o principal objetivo da Stellar não é, especificamente, a transação comercial. Isso porque a sua prioridade é ser uma ponte entre a transação de criptomoedas.

Além da simplicidade e baixo custo, outra vantagem da Stellar é a velocidade das transferências. Geralmente, elas são processadas em cerca de 5 segundos, mais rápido do que muitas outras criptomoedas.

NFT (Non-Fungible Token)

o NFT (ou token não-fungível) funciona como um certificado digital, que confere exclusividade e propriedade a ativos digitais.

Em outras palavras, quando um NFT é vinculado a qualquer bem digital (seja uma música, uma imagem ou uma publicação literária, por exemplo), ele torna esse item único no mundo. Isso confere valor ao ativo, pois gera escassez.

Por isso, o NFT tem sido muito utilizado por investidores na aquisição de obras de arte, por exemplo, pois atesta a sua exclusividade. Outro uso comum dessa tecnologia é por artistas, que passaram a negociar as suas músicas diretamente com o público sem a intermediação de plataformas, como Spotify.

Resumidamente, essa tecnologia concede um certificado de propriedade a quem o adquiriu. Além disso, há chances de lucrar com o próprio NTF, caso o proprietário decida vendê-lo quando o ativo estiver valorizado.

Banco Central e a criação de uma criptomoeda brasileira

Em setembro de 2020, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, anunciou a intenção de criar uma criptomoeda brasileira com lastro em reais. Em declaração à imprensa, o presidente disse que um “real digital” provavelmente viria em 2022.

Segundo o órgão, isso fará parte de um pacote de iniciativas para modernizar o sistema bancário do Brasil. Em entrevista ao site Metrópoles no início de 2021, Campos Neto disse acreditar que a pandemia deve acelerar a implantação da criptomoeda brasileira. Para ela, o aumento expressivo do e-commerce é uma das razões da necessidade de acelerar o processo.

Assim como o Pix, especialistas acreditam que uma criptomoeda brasileira poderá auxiliar na inclusão bancária de grande parte da população brasileira. No entanto, segundo analistas, o BC ainda precisa aprofundar o estudo dos riscos associados às transações cibernéticas e ao ambiente regulatório nacional.

Hashdex (HSH11): o ETF de criptomoedas

Para quem não deseja adquirir o ativo diretamente, existem investimentos atrelados a criptomoedas. Um deles é o Hashdex, o primeiro ETF de criptomoedas do Brasil. Assista ao vídeo abaixo, e entenda como funciona esse ETF!