Construtoras reportam fortes lançamentos, mas enfrentam desaceleração nas vendas

Renata de Souza
Colaborador do Torcedores
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Com ciclo de alta de Selic em andamento, as construtoras de capital aberto mostraram lançamentos robustos, mas começam a enfrentar desaceleração da velocidade vendas (VSO). Conforme as prévias operacionais do terceiro trimestre de 2021, há sinais que os números reportados não sejam tão fortes como no ano passado.

Entre os resultados já divulgado pelas empresas, é possível observar que boa parte vem apresentando desaceleração dos resultados na comparação anual nas prévias operacionais. Para algumas, os valores de vendas líquidas cresceram pouco ou recuaram relação ao terceiro trimestre de 2020.

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Momento atual

O mercado imobiliário vive um pequeno boom, iniciado em 2020. A razão principal foi a queda na taxa de juros Selic, acompanhada pelo aumento do crédito imobiliário.

No entanto, há sinais de desaceleração nas vendas imóveis no País após o início do ciclo de altas da Selic.

Para o mercado financeiro, a expectativa é que a Selic encerre 2021 em 8,25% ao ano, no fim de 2022, a estimativa é de 8,75% ao ano. Especialistas acreditam que o crédito imobiliário vai acompanhar a taxa gradativamente.

Com o aumento da Selic ficou menos atrativo para investidores alocarem recursos em imóveis para locação.

Prévias operacionais das construtoras

Cyrela (CYRE3) tem queda de 20% nas vendas líquidas no 3T21

A Cyrela (CYRE3) informou que suas vendas líquidas contratadas neste trimestre somaram R$ 1,366 milhões, valor 20% inferior ao registrado no 3T20 (R$ 1,712 milhões). 

No ano, as vendas contratadas atingiram R$ 3,956 milhões, sendo 29% superior ao mesmo período de 2020.

A participação da companhia nas vendas contratadas foi de 91% no 3T21, em linha com os 91% do 3T20.

Em relação às demonstrações contábeis, 94% das vendas líquidas do trimestre serão reconhecidas via consolidação. Já 6% foi via método de equivalência patrimonial.

Das vendas líquidas realizadas no  trimestre, R$ 195 milhões se refere à venda de estoque pronto (14%), R$ 440 milhões à venda de estoque em construção (32%) e R$ 730 milhões à venda de lançamentos (53%).

Dessa forma, a Cyrela atingiu uma velocidade de vendas (VSO) de lançamentos de 33,2% no trimestre.

Cury atinge R$ 2 bi em vendas e lançamentos

A Cury Construtora (CURY3), que atua nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e em Campinas, divulgou uma prévia de seus resultados operacionais do terceiro trimestre de 2021 (3T21) em comparação ao mesmo trimestre do exercício anterior (3T20) e, eventualmente, ao segundo trimestre de 2021 (2T21). 

A Cury alcança o VGV (vendas contratadas brutas) de R$ 682,4 milhões no 3T21, crescimento de 66,3% ante o 3T20.

O preço médio de vendas registrado no 3T21 foi de R$  219,6  mil, representando crescimento de 14,1% em relação ao 3T20.

Tomando como base o período acumulado nos nove primeiros meses do ano, o VGV vendido foi de R$ 2 bilhões, indicando alta de 107,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A velocidade de vendas, medida pelo indicador de Vendas Sobre Oferta (VSO), no  acumulado dos últimos 12 meses, foi de  74%, melhor índice já registrado pela companhia.

No 3T21, a VSO foi de 45,2%, registrando uma queda de 1,2 p.p. na comparação com o 3T20.

Melnik (MELK3) tem queda na venda de estoque em relação ao ano passado

A Melnik (MELK3), construtora e incorporadora focada na região Sul, informou seus dados preliminares relativos ao 3T21.

As vendas brutas e líquidas correntes, referentes ao período, somaram respectivamente R$ 108 milhões e R$ 99 milhões.

As vendas de estoque chegaram a R$ 74 milhões este ano contra R$ 121 milhões no ano anterior; as vendas de lançamentos também caíram.

No 3T20 foi de 39% e agora chegou a 21% em relação ao mesmo período.

As vendas em relação aos nove meses de 2021 e 2020 também caíram.

Even (EVEN3) tem queda nos números do 3T21

As vendas líquidas da Even Construtora (EVEN3) totalizaram R$ 329 milhões (R$ 277 milhões % Even), um número menor em relação ao mesmo período do ano passado (R$ 480 milhões).

A VSO consolidada do trimestre foi de 11%, sendo 18% a VSO de lançamentos.

Os distratos totalizaram R$70 milhões, sendo R$ 54 milhões % Even, representando 16%  das vendas brutas. Este valor também está em queda em relação ao ano passado (R$ 88 milhões).

Direcional (DIRR3) registra recorde de vendas

A Direcional (DIRR3) registrou o 5º recorde nas vendas líquidas dos últimos 6 trimestres, alcançando R$ 643 milhões, alta de 40,2% na base anual.

No acumulado dos nove meses de 2021, as vendas líquidas atingiram R$ 1,8 bilhão, crescimento de 53% sobre o mesmo período de 2020.

Já a velocidade de vendas líquidas do 3T21, medida pelo indicador VSO (Vendas Líquidas sobre Oferta), atingiu índice de 17% no consolidado. No acumulado de 2021, o VSO foi de 36%.

No trimestre, a companhia lançou 10 novos empreendimentos/etapas, somando um VGV total de R$ 1,1 bilhão, um crescimento de 88% na comparação com o 3T20. No acumulado de nove meses, observou-se um crescimento de 129% que contribuiu para um VGV de R$ 2,4 bilhões.

A Direcional informou ainda que encerrou o 3T21 com 14.573 unidades em estoque, totalizando VGV de R$ 3,2 bilhões.

Tenda (TEND3) registra alta de 4% nas vendas no 3T21

As vendas líquidas da Tenda (TEND3) encerraram o 3T21 em R$ 770 milhões, alta de 4% no ano. Já nos primeiros nove meses de 2021 as vendas liquidas contabilizaram R$ 2,3 bilhões, o que reflete um aumento de 33%.

No trimestre, o VSO da companhia foi de 33% enquanto no ano bateu os 60%.

A Tenda lançou 11 empreendimentos no 3T21 totalizando um volume de R$ 634 milhões, queda de 36% no ano. No acumulado foram lançados 41 projetos somando um VGV de R$ 2,2 bilhões, aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado.

RNI (RNDI3) tem alta de 8% nas vendas 3T21

As vendas líquidas da RNI (RNDI3) para o 3T21 totalizaram R$149 milhões, 8% superior ao 3T20. No acumulado dos nove meses de 2021, a companhia registrou R$481 milhões em vendas líquidas, 26% superior aos 9M20.

No terceiro trimestre, a RNI lançou em parceria com a incorporadora Stéfani Nogueira o empreendimento Magnólia, localizado em Ribeirão Preto/SP, totalizando R$79 milhões em VGV. Já nos nove meses do ano, a RNI atingiu R$ 480 milhões em VGV lançado, 40% maior na base anual.

Em 30 de setembro de 2021, o VGV total dos estoques a valor de mercado era R$ 641 milhões, correspondendo a 3.665 unidades.

O estoque concluído %RNI passou a representar 5% do total, redução de 1 p.p. em relação ao trimestre anterior.

Lavvi (LAVV3) tem alta de 469% nas vendas no 3T21

As vendas líquidas contratadas no 3T21 totalizaram R$192 milhões, apresentando crescimento de 469% quando comparado ao 3T20. No acumulado do ano, as vendas líquidas totalizam R$785 milhões, 965% acima do volume vendido ao longo do 9M20.

A companhia informou que o VSO foi de 27% no 3T21, sendo que o VSO de lançamentos foi de 44%. O VSO acumulado em 12 meses foi de 69%, e de 61% no 9M21.

No trimestre, a companhia lançou 1 empreendimento, somando um VGV total de R$ 331 milhões.

Ao final do 3T21, o estoque a valor de mercado era de R$504 milhões, correspondendo a 536 unidades.

MRV (MRVE3) registra R$ 2 bi em vendas no 3T21

A MRV (MRVE3) registrou R$ 2,084 bilhões em vendas líquidas no terceiro trimestre de 2021, alta anual de 0,5%.

Já o VSO líquido da companhia ficou em 14% no trimestre, queda de 7,2 pontos percentuais na base anual.

A MRV informou ainda que registrou recorde histórico de unidades produzidas em um trimestre: total de 10.930 unidades, um aumento de 12,2% frente ao 3T20.

HELBOR (HBOR3) tem vendas 8,9% superiores no 3T21

As vendas brutas totais da HELBOR (HBOR3) para o 3TRI21 atingiram R$ 421 milhões, aumento de 8,9% em relação ao trimestre anterior. A Parte Helbor totalizou R$ 268 milhões. A velocidade de vendas medida pelo VSO total foi de 14,4%. Já o VSO Parte Helbor atingiu 14,1%.

No trimestre a Helbor entregou 2 empreendimentos que totalizaram R$ 299 milhões de VGV total sendo 70,0% Parte Helbor. No acumulado do ano, a Helbor entregou 8 novos empreendimentos, que totalizaram R$ 1,01 bilhão de VGV total, sendo 62,3% Parte Helbor.

Patrimar informa prévia operacional

Foram comercializadas no terceiro trimestre um total de R$ 125,6 milhões em vendas líquidas da Patrimar, representadas por 290 unidades habitacionais. O total de vendas contratadas é 48,2% no mesmo período de 2020.

A velocidade de vendas líquidas da companhia para o trimestre foi de 11,7%, 5,3 p.p. abaixo do trimestre imediatamente anterior e 13,5 p.p abaixo do mesmo período de 2020.

A Patrimar informou que o total de estoque no 3TRI21 acumulou R$ 928 milhões ante R$ 681 milhões no 3TRI20.

Mitre Realty (MTRE3) registra queda de 42,5% nas vendas no 3T21

A Mitre Realty (MTRE3) obteve no terceiro trimestre venda líquida de R$ 147,2 milhões, queda de 42,5% na comparação ano a ano.

O VSO no mesmo período foi de 20,3%, comparado a 29,5% no 2T21 e 50,3% no 3T20. Segundo a empresa, a diminuição de 9,2% no VSO em relação ao trimestre anterior é decorrente da maior base de estoque disponível para venda, que impacta negativamente o índice.

Ao final do trimestre, a Mitre detinha 938 unidades em estoque, totalizando R$ 603,3 milhões em VGV, em comparação com 830 unidades e R$ 481,5 milhões no 2T21.

JHSF (JHSF3) apura vendas líquidas de R$ 333,7 mi no 3T21

Em comunicado ao mercado, a JHSF (JHSF3) anunciou a apuração de vendas líquidas de R$ 333,7 milhões no 3T21, que correspondem a um crescimento de 46,2%, no comparativo com igual período de 2020.

No que toca às vendas consolidadas do segmento de companhias da companhia, a expansão chegou a 45,1%, dessa vez, no confronto entre o 3T21 e o 3T19, e de 74,1%, se comparado com o 3T20, levando em conta o período de auge da pandemia.

Já os shoppings de alta renda, no comparativo 3T21/3T19, avançaram as vendas do Shopping  Cidade Jardim (+70,3%); Catarina Fashion Outlet (+47,9%), performance inferior, caso a base comparação seja 3T20, quando alcançou alta de 75,6% e 93,2%, respectivamente.

Gafisa (GFSA3) divulga prévia operacional

A Gafisa teve vendas brutas de R$ 159 milhões e R$ 523 milhões no 3º trimestre e no 9M21, respectivamente. Esses valores representam um crescimento de 11% e 134% na comparação com os mesmos períodos do ano de 2020.

No 3º trimestre de 2021, a companhia atingiu o valor de R$ 1 bilhão em lançamentos acumulados no ano.