Confiança da Indústria cai para 3,1 pontos e tem menor nível desde agosto

Matheus Gagliano
Jornalista formado em 2007. Possui mais de 15 anos de experiência em jornalismo econômico e corporativo. Passou por veículos especializados como Brasil Energia e Canal Energia e pelo Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro. Além de passagens por veículos como Record TV do Rio, jornal O Dia e Diário Lance.
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Crédito: Divulgação/CNI

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) recuou 3,1 pontos em novembro, para 102,1 pontos. Este é o menor nível desde agosto de 2021, quando atingiu 98,7 pontos. Além disso, esta é a quarta queda consecutiva do índice. Em médias móveis trimestrais, manteve a tendência negativa ao cair 1,6 ponto.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). De acordo com o instituto, o resultado foi influenciado por uma piora tanto das avaliações sobre a situação atual quanto das perspectivas para os próximos meses.

O Índice Situação Atual (ISA) caiu 4,6 pontos, para 103,7 pontos. É menor valor desde agosto de 2020 (97,8 pontos). O Índice de Expectativas (IE) caiu 1,6 ponto para 100,3 pontos, menor patamar desde maio deste ano (99 pontos).

Em outubro, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 1,2 ponto em outubro, para 105,2 pontos.

Confiança da Indústria sinaliza mudança de trajetória

Claudia Perdigão, economista do Ibre/FGV, diz que o resultado sinaliza uma mudança na trajetória de recuperação da indústria de forma disseminada. Isto porque 15 dos 19 segmentos apresentando queda da confiança.

De acordo com ela, essa piora decorre de uma deterioração do cenário corrente e de piora das perspectivas futuras.

“A retração da confiança ocorre em um momento em que a inflação avança e reduzindo a capacidade de compra dos consumidores. Ao mesmo tempo em que o desemprego continua elevado. Soma-se a esses pontos choques de custos e gargalos de logística. Como resultado, o setor pode terminar 2021 com o otimismo em queda”, comenta.

Índice de Situação Atual: estoques tem o pior desempenho

Entre os quesitos que compõem o ISA, o pior desempenho se deu no indicador que mede o nível dos estoques. Este caiu 7,9 pontos para 103,3 pontos, menor valor desde agosto de 2020.

A piora dos estoques pode ser influenciada pela redução da demanda nos últimos cinco meses. Isto porque o indicador que mede a demanda total diminuiu 1,2 ponto para 105,4 pontos. E o indicador que mede a situação atual dos negócios caiu 4,0 pontos, para 102,2 pontos, menor patamar desde agosto de 2020.

Dos indicadores que integram o IE, o emprego previsto para os próximos meses foi o que mais influenciou na queda da Confiança da Indústria no mês, ao cair 4,3 pontos para 103,8 pontos. Trata-se do menor nível desde maio (101,5 pontos).

Embora as perspectivas sobre a produção para os próximos três meses tenham subido 1,5 ponto para 99,9 pontos, após dois meses de quedas, a tendência dos negócios para os próximos seis meses continua em tendência negativa pelo quarto mês consecutivo. Este teve redução de 2,1 pontos, chegando a 97,2 pontos, menor valor desde setembro de 2020 (96,5).

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada cedeu 0,6 ponto percentual, para 80,7%, mas ainda se mantém como o segundo maior valor desde novembro de 2014.