Como proteger sua carteira de ações com opções?

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores
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Crédito: bolsa-burak-k-pexels

As recentes quedas de papéis importantes da Bolsa de Valores, como a Petrobrás, acenderam o aviso de que é preciso proteger sua carteira de investimento. E para se proteger contra quedas de ações na Bolsa, muitos investidores montam estratégias incluindo opções nas operações com ativos. 

O Eu Quero Investir vai explicar melhor essas operações envolvendo ações e opções.

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Características das opções 

Para falarmos sobre operações cobertas, é preciso conhecer as principais características das opções. As opções se movimentam de acordo com a performance da ação. 

A opção, portanto, deriva do ativo. Por isso, é chamada de derivativo.

Uma grande diferença entre ação e opção é que na opção você pode comprá-la projetando ganhar dinheiro com a queda do papel. Na ação, os ganhos só ocorrem na alta do papel.

Há dois tipos de opção. Há aquelas em que quem compra a opção ganha o direito (não o dever) de comprar certo ativo, como uma ação, em uma data futura por um preço já determinado. Essas são as chamadas “call“.

Existem também as opções em que quem a compra ganha o direito (não o dever) de vender o ativo em uma data futuro por um preço já determinado. São chamadas de “put”.

Portanto:

  • Quando uma ação subir, as opções call são mais indicadas para compra.
  • Quando uma ação cair, as opções put são mais indicadas para compra.

Saber essas funções da call e put são fundamentais para você montar uma estratégia usando opção para proteger sua ação.

Outra observação importante: as opções têm data de vencimento, diferentemente das ações. 

Por essa razão, é necessário planejar a duração dessa estratégia com derivativo e ativo. 

Caso contrário, a opção vencerá, e a estratégia vai ficar “desequilibrada” para um lado, contando somente com as ações.

Opções protegendo as ações 

Existem dois tipos de operações utilizando ações e opções:

  • Operação em que você compra opções put 
  • Operação em que você entra vendido em opções call

Vale aqui um comparativo bem fácil de entender uma dessas operações (comprando opção put).

As estratégias usando opções put para proteger as ações se assemelham a um seguro de carro:

  1. Se a ação despencar (imagine um carro quebrado), você poderá usar os valores obtidos pela opção (que seria o seguro) para amenizar os problemas causados pelos danos na ação.
  2. Agora, se a ação subir da forma como você esperava, não será preciso recorrer à opção para proteger seu bem. 

Neste caso, você terá de arcar apenas com o custo da “apólice” da opção.

Simulações

Essas simulações abaixo têm valores hipotéticos. A ideia dos exemplos é conhecer o modo de operar nestas estratégias.

1. Com compra de opção de venda (put)

Bom, já foi explicado como funciona a opção, assim como já explicamos que toda estratégia com ativo e derivativo tem prazo para acabar. 

Agora, vamos mostrar a simulação de operação usando compra de opção put para proteger a ação. 

Você tem 1000 ações de uma empresa que está custando R$ 30. Calculando isso, o total é de R$ 30 mil. Seu patrimônio nesse ativo é, portanto, R$ 30 mil.

Mas temendo que essa ação se desvalorize, você decide comprar opções para proteger essa carteira.

Então, você vai ao mercado e compra 1000 opções put da mesma empresa. 

Essa opção vencerá daqui 30 dias. Com isso, sua estratégia terá duração de 30 dias!

Digamos que você tenha comprado 1000 ações put pagando R$ 1 cada. Portanto, você pagou R$ 1.000 pelas opções put.

Você tem montada uma estratégia que reúne compra de 1000 ações e compra de 1000 opções put

Cenário 1: Sua ação caiu

Vamos imaginar que as ações caíram de R$ 30 para R$ 22.

Até então, suas 1000 ações custavam um total de R$ 30 mil. Agora, essas 1000 ações estão valendo R$ 22 mil, uma desvalorização de R$ 8 mil.

Paralelamente à desvalorização da ação, a opção put dessa empresa se valorizou, afinal as opções put “correm para baixo”.

As opções put que você havia comprado a R$ 1 cada, passaram a valer R$ 6 com a ação custando R$ 22. Assim, você vende essas opções no pregão por R$ 6. 

Calculando somente suas opções, você está no lucro de R$ 5 mil (valor de venda – valor de compra).

Para finalizar a operação “casada” (pois tem data para vencer), você vende todas suas ações por R$ 22 cada, assumindo prejuízo de R$ 8 mil com as ações.

No fim das contas, a estratégia completa deu prejuízo de R$ 3 mil (R$ 8 mil – R$ 5 mil).

Conclusão: se você analisar, as opções ajudaram a reduzir aqueles R$ 8 mil de prejuízo das ações. 

Portanto, a proteção evitou que o estrago fosse bem maior, embora tenha ficado com prejuízo! 

Cenário 2: Sua ação subiu

Vamos manter a estratégia do cenário 1. São 1000 ações e 1000 opções put

A ação está custando R$ 30. Desta forma, o patrimônio em ativos é de R$ 30 mil.

As opções put foram compradas por R$ 1 cada. Desta forma, você pagou R$ 1 mil.

Vamos imaginar que as ações subiram de R$ 30 para R$ 38.

Com isso, suas 1000 ações agora custam R$ 38 mil. Valorização de R$ 8 mil!

Lembre-se que as opções funcionam nesta estratégia como uma proteção para reparar eventuais danos nas ações. Mas isso não ocorreu neste exemplo (pois a ação subiu).

O fato da ação ter pulado de R$ 30 para R$ 38 fez com que a opção put se desvalorizasse. 

Imagine que no último dia do vencimento da opção, o preço dessa opção “virou pó”. Ou seja: 0,01.

Cálculo da opção: 

Você havia comprado 1000 opções put por R$ 1. Total R$ 1 mil

Esses papéis agora valem mais nada. Virou pó como se fala no mercado financeiro.

Seu prejuízo com as opções foi de praticamente R$ 1 mil (descontando taxas).

No fim das contas, a estratégia completa deu lucro de R$ 7 mil (R$ 8 mil – R$ 1 mil).

Conclusão: a ação correspondeu às expectativas e subiu bem, rendendo R$ 8 mil. A opção não precisou entrar para socorrer a operação. 

A sua perda máxima será somente o valor que você gastou para comprar as opções (R$ 1 mil). 

“É como se fosse um seguro. Se der tudo certo e o carro não bater, não tem porque acionar o seguro. Neste caso, o seu lucro com as ações é um pouco prejudicado pelo custo da opção, mas a opção te servirá como proteção em prejuízo”, disse o economista José Francisco Vinci.

2. Com venda de opção de compra (call)

Esse modelo de venda coberta com call pode parecer um pouco mais complicado. Isso porque, nesta estratégia, o investidor tem que entrar vendido em uma opção. 

Vamos para o exemplo de venda coberta com call.

Você tem 1000 ações de uma empresa que está custando R$ 30. Calculando isso, o total é de R$ 30 mil. Seu patrimônio nesse ativo é, portanto, R$ 30 mil.

Temendo que essa ação se desvalorize, você decide vender opções call para proteger essa carteira. Na Bolsa, é possível vender algo que você não tem. Para isso, é preciso alugar ativos

Então você vai ao mercado e entra vendido em 1000 opções call da mesma empresa pelo preço de R$ 1 cada. 

Essa opção vencerá daqui 30 dias. Com isso, sua estratégia terá duração de 30 dias!

Cenário 1: Sua ação caiu

Vamos imaginar que as ações caíram de R$ 30 para R$ 22.

Até então, suas 1000 ações custavam um total de R$ 30 mil. Agora, essas 1000 ações estão valendo R$ 22 mil, uma desvalorização de R$ 8 mil.

Com a queda da ação, a sua opção call se valorizou. 

No entanto, por você ter entrado vendido em uma opção call, o máximo de valorização que você vai alcançar, neste exemplo, é R$ 1 mil (1000 unidades da opção multiplicado por R$ 1).

No fim das contas, a estratégia completa deu prejuízo de R$ 7 mil (R$ 8 mil – R$ 1 mil).

Conclusão: quando você monta estratégia de venda coberta com call, o máximo de “ajuda” que a opção call vai te dar é o valor integral que você entrou vendido. 

No exemplo, o valor total da opção vendida foi de R$ 1 mil. 

Ou seja: se a ação desbancar, seja lá qual for o tamanho da queda, o máximo que a opção vai te oferecer para amenizar o drama será o ganho referente ao valor da venda do derivativo. 

Portanto, quando for montada estratégia coberta com venda de call, a proteção vai ser boa somente se a queda da ação for pequena.

Cenário 2: Sua ação subiu

Vamos manter a estratégia do cenário anterior. Você comprou 1000 ações.

A ação está custando R$ 30. Desta forma, o patrimônio em ativos é de R$ 30 mil.

Vamos imaginar que as ações subiram de R$ 30 para R$ 34.

Com isso, suas 1000 ações agora custam R$ 34 mil. Valorização de R$ 4 mil!

Lembre-se que as opções têm como função nesta estratégia ajudar a reparar eventuais danos nas ações. Mas isso não ocorreu neste exemplo (afinal a ação subiu!).

Quando o papel estava custando R$ 30, você armou uma venda coberta com opção call temendo que a ação se desvalorizasse. A ideia era que as opções protegessem sua carteira.

Você entrou vendido em 1000 opções call da mesma empresa pelo preço de R$ 1 cada. Total: R$ 1 mil.

A ação subiu para R$ 34. Com essa subida, o preço da opção também subiu (pois é uma opção de venda). 

Vamos imaginar que o preço da opção call esteja custando R$ 3 no último dia do vencimento do derivativo.

Cálculo da sua opção call: 

Você entrou vendido com 1000 opções call por R$ 1. Total: R$ 1 mil;

Você decidiu comprar 1000 opções call por R$ 3. Total: R$ 3 mil.

Seu prejuízo com as opções será de R$ 2 mil (R$ 3 mil – R$ 1 mil).

No fim das contas, a estratégia completa deu lucro de R$ 2 mil (R$ 4 mil – R$ 2 mil).

Conclusão: a ação correspondeu às expectativas e subiu, rendendo R$ 4 mil. Mas o custo final da proteção (opção de venda) foi de R$ 2 mil, comendo metade do lucro da ação.

Proteção “Hedge”

No mercado financeiro, é conhecida como “hedge” toda estratégia em que são usados dois ou mais ativos (ou derivativos) como forma de proteção da operação. 

Têm estratégias hedges que são feitas somente com opções. 

Um hedge bem montado precisa ter bom balanceamento. Ou seja: as compras de cada papel têm de respeitar um equilíbrio para que a estratégia não fique pendente para um lado. 

Outra dica importante: para montar estratégias com ação e opção juntas, é interessante que as aquisições sejam feitas no mesmo instante. 

Caso contrário, pode acontecer do preço de um papel mudar neste intervalo entre as compras.

Veja com sua corretora a utilização de programas que efetuam a compra automática de ação e opção para a montagem da estratégia.

(Por Bruno Thadeu)

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